<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></title><description><![CDATA[Substack dedicado a explicar e tornar acessível a obra de nosso grande filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos.]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yxaP!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg</url><title>Arquivo Intelectual Brasileiro</title><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Sat, 09 May 2026 11:56:30 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[arquivointelectualbrasileiro@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[arquivointelectualbrasileiro@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[arquivointelectualbrasileiro@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[arquivointelectualbrasileiro@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Você não vai ficar mais inteligente comprando mais livros!]]></title><description><![CDATA[O problema do consumismo &#224; vida intelectual]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/voce-nao-vai-ficar-mais-inteligente</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/voce-nao-vai-ficar-mais-inteligente</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Fri, 10 Oct 2025 22:30:43 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d4951663-455a-4a16-b455-88232d628804_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[
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          <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/voce-nao-vai-ficar-mais-inteligente">
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Um convite à sabedoria de Mário Ferreira dos Santos]]></title><description><![CDATA[Orienta&#231;&#227;o para come&#231;ar a estudar M&#225;rio Ferreira dos Santos mesmo sem saber nada de Filosofia]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/um-convite-a-sabedoria-de-mario-ferreira</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/um-convite-a-sabedoria-de-mario-ferreira</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Thu, 02 Oct 2025 23:35:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yxaP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div id="youtube2-t1hsKK9Bscc" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;t1hsKK9Bscc&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/t1hsKK9Bscc?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><h2>Introdu&#231;&#227;o: O Convite &#224; Sabedoria de M&#225;rio Ferreira dos Santos</h2><p>Ol&#225;, seja muito bem-vindo a esta primeira aula, esta primeira <strong>orienta&#231;&#227;o para a vida de estudos</strong> aqui no canal do Arquivo. Antes de propriamente come&#231;armos, gostaria de pedir encarecidamente que siga o canal do Arquivo, esteja voc&#234; escutando essa orienta&#231;&#227;o no <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t1hsKK9Bscc">YouTube</a></em>, no <em><a href="https://open.spotify.com/episode/7a7k618gmNyiI1oa2hpVmP?si=aXXozBAiQFKI_3zWJxCBrQ">Spotify</a></em> ou na nossa <em>newsletter</em>. Enfim,<strong>siga para receber mais orienta&#231;&#245;es</strong>.</p><p>Quero fazer um adendo: <strong>M&#225;rio Ferreira dos Santos n&#227;o &#233; esse bicho de sete cabe&#231;as que voc&#234; pensa que ele &#233;</strong>. Digo isso porque teve gente l&#225; na p&#225;gina do Arquivo no Instagram (<em><a href="https://www.instagram.com/arquivointelectualbrasileiro/">Arquivo Intelectual Brasileiro</a></em>) que comentou o seguinte : &#8220;Pena que eu ainda n&#227;o sou capaz de estudar M&#225;rio Ferreira dos Santos, porque ele est&#225; num n&#237;vel infinitamente acima de mim, portanto eu n&#227;o consigo compreender nada do que ele diz. Primeiro eu preciso estudar filosofia para depois estudar o M&#225;rio Ferreira dos Santos&#8221;. S&#243; que a&#237; &#233; que est&#225; o erro.</p><h2>A Realidade Crua dos Estudos e a Dificuldade Fabricada</h2><p>Deixe-me primeiramente explanar algumas coisas. Vamos fazer um exerc&#237;cio de imagina&#231;&#227;o: imagine um corpo aberto em uma sala de cirurgia. Quando voc&#234; imagina essa cena, voc&#234; v&#234; <strong>crueza</strong>. &#201; a realidade interior do ser humano, e n&#243;s ficamos espantados com o qu&#227;o crua ela &#233;. <strong>A realidade n&#227;o &#233; rom&#226;ntica</strong>.</p><p>Imagine tamb&#233;m um beb&#234; mamando no seio da m&#227;e. Em um olhar superficial, vemos como algo rom&#226;ntico, &#8220;que fofinho&#8221;. S&#243; que quando a gente para para analisar a realidade, ela &#233; crua: &#233; a carne da crian&#231;a sugando o leite produzido na carne da m&#227;e; &#233;, em certo sentido, a crian&#231;a se alimentando do corpo da m&#227;e.</p><p>Em primeiro momento, o que estou dizendo pode n&#227;o fazer muito sentido, mas a quest&#227;o &#233;: a <strong>vida de estudos hoje est&#225; muito romantizada, muito perfumada pela internet</strong>, parecendo algo f&#225;cil. A ideia &#233; que voc&#234; compra uns livrinhos, l&#234; um pouquinho aqui e ali, e de alguma forma se torna um grande intelectual. Isso criou uma mentalidade de que as coisas s&#227;o f&#225;ceis ou que certas coisas est&#227;o muito distantes de n&#243;s.</p><p>Eu lhe digo: essa dificuldade toda que se nos mostra hoje em dia quanto &#224; vida de estudos &#233;, em parte, uma <strong>dificuldade fabricada</strong>. O <em>marketing</em> toca na dor da pessoa, ou, se ela n&#227;o tem uma dor, ele cria uma para vender o &#8220;rem&#233;dio&#8221;. Por exemplo: &#8220;Se voc&#234; est&#225; desorientado na sua vida de estudos e sente dificuldade ao ler, est&#225; aqui o meu curso, que vai solucionar todos os seus problemas&#8221;.</p><p>Isso des&#225;gua naquele coment&#225;rio do rapaz: &#8220;M&#225;rio Ferreira dos Santos est&#225; muito distante, eu n&#227;o consigo compreend&#234;-lo&#8221;.</p><p><strong>Pelo contr&#225;rio</strong>, M&#225;rio Ferreira dos Santos tinha plena no&#231;&#227;o do esp&#237;rito e das <strong>dificuldades do povo brasileiro</strong>, inclusive essa dificuldade escolar. Portanto, estud&#225;-lo n&#227;o &#233; esse bicho de sete cabe&#231;as.</p><p>&#201; claro que, para quem pega um livro muito avan&#231;ado dele, vai se sentir perdido. Mas, se voc&#234; tem algu&#233;m que estuda M&#225;rio Ferreira dos Santos para lhe orientar, o caminho vai se tornar mais f&#225;cil. N&#227;o &#233; simples, porque a vida de estudos, assim como o corpo aberto na mesa de um cirurgi&#227;o, <strong>&#233; crua, dif&#237;cil de encarar, mas &#233; a realidade como ela &#233;</strong>.</p><h2>O M&#233;todo Mirabolante de Leitura</h2><p>As pessoas hoje perguntam: &#8220;Como &#233; que eu fa&#231;o para ler mais?&#8221;, como se existisse um <strong>m&#233;todo mirabolante</strong> para ler 300 livros em um ano. Voc&#234; s&#243; consegue ler 300 livros em um ano se for um desocupado, se n&#227;o tiver responsabilidade na vida, se n&#227;o comer, n&#227;o tomar banho, nem trabalhar.</p><p>Voc&#234; quer aprender a ler um livro? Eu vou lhe ensinar um <strong>m&#233;todo milenar</strong>, que tem mais de 2 mil anos, e que n&#227;o &#233; ensinado em todos os cantos por a&#237;, nem nas escolas ou universidades. Esse m&#233;todo &#233; m&#225;gico! Preste bem aten&#231;&#227;o:</p><ol><li><p><strong>Primeiro passo:</strong> Voc&#234; vai na sua estante, fica em frente a ela.</p></li><li><p><strong>Segundo passo:</strong> Voc&#234; vai olhar os livros e escolher um que lhe chame mais aten&#231;&#227;o. Vai tirar esse livro da estante.</p></li><li><p><strong>Terceiro passo:</strong> Voc&#234; vai abrir esse livro.</p></li><li><p><strong>Quarto passo:</strong> Voc&#234; vai ler. Voc&#234; vai ler as palavras que tem nele.</p></li></ol><p>&#201; mirabolante esse m&#233;todo! As pessoas ficam imaginando: &#8220;Como &#233; que eu fa&#231;o para estudar M&#225;rio Ferreira dos Santos?&#8221;. Meu filho, hoje h&#225; uma dificuldade porque a obra &#233; desconhecida e as pessoas a conhecem de maneira esparsa e superficial, sem a no&#231;&#227;o da totalidade. Isso realmente dificulta.</p><h2>A Filosofia Segundo M&#225;rio Ferreira dos Santos: N&#227;o Precisa de Conhecimento Pr&#233;vio</h2><p>M&#225;rio Ferreira dos Santos fundou a sua pr&#243;pria academia, chamada <strong>Enciclop&#233;dia das Ci&#234;ncias Filos&#243;ficas e Sociais</strong>. Essa enciclop&#233;dia &#233; formada por 53 livros, um verdadeiro monumento filos&#243;fico e de sabedoria.</p><p>A diferen&#231;a &#233; que, para entrar na academia de Plat&#227;o, era preciso ter conhecimentos pr&#233;vios de geometria, filosofia, hist&#243;ria, literatura. Para entrar na academia de M&#225;rio Ferreira dos Santos, <strong>voc&#234; n&#227;o precisa de conhecimentos pr&#233;vios</strong>. Pelo contr&#225;rio! &#201; at&#233; uma vantagem se voc&#234; ainda n&#227;o estudou filosofia, porque ter&#225; a oportunidade de <strong>aprender com o maior fil&#243;sofo do Brasil</strong>.</p><p>A obra dele, a Enciclop&#233;dia das Ci&#234;ncias Filos&#243;ficas e Sociais, que &#233; gigante, &#233; dividida em 3 partes:</p><ul><li><p><strong>Primeira fase (10 livros):</strong> Fase sint&#233;tica, onde ele apresenta os principais conceitos, problemas, correntes e um pouco da hist&#243;ria da filosofia;</p></li><li><p><strong>Segunda fase (33 livros)</strong>: Fase anal&#237;tica, onde ele analisa de maneira profunda tudo o que foi apresentado na primeira fase;</p></li><li><p><strong>Terceira fase (10 livros)</strong>: Fase concreta, na qual ele concreciona todos os ensinamentos: &#233; como se desmontasse um rel&#243;gio, apresentasse todas as pe&#231;as e explicasse a fun&#231;&#227;o de cada uma (s&#237;ntese), analisasse cada parte em profundidade &#8212; desde a minera&#231;&#227;o dos metais das pe&#231;as at&#233; o couro das vacas usado na pulseira do rel&#243;gio (an&#225;lise) &#8212; e, por fim, montasse o rel&#243;gio novamente (concre&#231;&#227;o).</p></li></ul><p>Nos 10 primeiros volumes, ele apresenta todo o horizonte da filosofia, dando uma <strong>introdu&#231;&#227;o complet&#237;ssima</strong>. Se voc&#234; sequer sabe o significado da palavra filosofia, o M&#225;rio vai te ensinar. Essa &#233; a vantagem que muitos n&#227;o conseguem ver: <strong>voc&#234; n&#227;o precisa de estudo pr&#233;vio de filosofia para estudar M&#225;rio Ferreira dos Santos</strong>. O objetivo dele &#233; que voc&#234; se torne disc&#237;pulo dele e aprenda o que &#233; filosofia com ele. Ele faz esse trabalho de maneira magistral.</p><p>O M&#225;rio n&#227;o dizia que ele tinha <em>uma filosofia dele</em>. Quando voc&#234; l&#234; as obras dele, voc&#234; est&#225; estudando a <strong>filosofia ensinada por M&#225;rio Ferreira dos Santos, com o m&#233;todo dele</strong>. N&#227;o &#233; a filosofia <em>de</em> M&#225;rio, mas a <strong>filosofia </strong><em><strong>segundo</strong></em><strong> M&#225;rio Ferreira</strong>. &#201; como o Evangelho: n&#227;o &#233; o &#8220;Jesus de Lucas&#8221;, mas o &#8220;Jesus segundo a vis&#227;o de Lucas&#8221;.</p><h2>Comece Pelo Homem: O Primeiro Passo para o Estudo</h2><p>Essa aula, essa primeira orienta&#231;&#227;o, &#233; um convite &#224; sabedoria de M&#225;rio Ferreira. Meu m&#233;todo, o mais seguro que conhe&#231;o para quem quer estudar filosofia com ele e se tornar um disc&#237;pulo, &#233; o seguinte: <strong>voc&#234; tem que come&#231;ar sabendo quem &#233; M&#225;rio Ferreira dos Santos</strong>.</p><p>Muitas pessoas, repetindo o que ouviram de outros (como o professor Olavo de Carvalho), dizem que ele &#233; o maior fil&#243;sofo do Brasil/mundo, mas n&#227;o sabem dizer quando ele nasceu, quando morreu, ou quantos livros escreveu. O professor Olavo sabia muito bem por que ele era o maior fil&#243;sofo, tinha a base e o conhecimento. Mas voc&#234;, voc&#234; sabe o porqu&#234;? Creio que n&#227;o.</p><p>Portanto, o primeiro passo &#233; <strong>conhecer o homem, M&#225;rio Ferreira dos Santos</strong>. Essa era a abordagem do pr&#243;prio M&#225;rio: ao estudar um novo autor, ele buscava saber <strong>quem era o homem</strong>, quando e onde viveu, como viveu, se teve filhos, para s&#243; depois se aprofundar no pensamento do autor. Ele fez isso no pref&#225;cio de 100 p&#225;ginas que escreveu para o livro <em>Vontade de Pot&#234;ncia</em> do Nietzsche, come&#231;ando a an&#225;lise pela vida e mem&#243;rias de Nietzsche.</p><p>Muitos, levados pela soberba, dizem: &#8220;Eu n&#227;o preciso saber quem &#233; M&#225;rio Ferreira dos Santos, vou direto na filosofia, no que &#233; mais profundo&#8221;. E se perdem, acabando por falar besteira porque n&#227;o compreendem a obra como um todo.</p><div><hr></div><h2>Proposta de In&#237;cio de Estudos</h2><p>Sua primeira tarefa &#233;:</p><ol><li><p>Entre no <strong>Instagram do <a href="https://www.instagram.com/arquivointelectualbrasileiro/">Arquivo Intelectual Brasileiro</a></strong>.</p></li><li><p>Envie-me uma mensagem com a palavra <strong>LIVRO</strong>.</p></li></ol><p>Ao enviar essa palavra, saberei que voc&#234; veio dessa orienta&#231;&#227;o e lhe enviarei <strong>gratuitamente</strong> o link da <strong>biografia de M&#225;rio Ferreira dos Santos</strong> escrita pelas filhas dele. Eu reeditei essa biografia.</p><p>A biografia tem cerca de 100 p&#225;ginas, numa linguagem muito leve e simples, que voc&#234; consegue ler em 2, 3 dias, ou em uma semana se for bem devagar. Ela lhe dar&#225; uma <strong>no&#231;&#227;o real de quem &#233; M&#225;rio Ferreira dos Santos</strong>, um homem simples, cuja obra foi feita pensando nas dificuldades do povo brasileiro. Ele mesmo diz isso em <em>Filosofia e Cosmovis&#227;o</em>, o primeiro livro da sua grande obra.</p><p>Caso voc&#234; queira, h&#225; tamb&#233;m um <strong><a href="https://substack.com/home/post/p-174709352">&#225;udio-resumo</a> dessa biografia</strong> com cerca de 18 minutos. Eu trabalho com a restaura&#231;&#227;o da obra dele, e peguei as mais de 100 grava&#231;&#245;es de suas aulas, cheias de ru&#237;dos, e as restaurei manualmente para que a escuta seja boa.</p><p>H&#225; tamb&#233;m outra biografia, <strong>&#8220;<a href="https://amzn.to/46wYHBg">Vida e obra de M&#225;rio Ferreira dos Santos</a>&#8221;</strong>, de Elvis Amsterd&#227;, que voc&#234; encontra na Amazon.</p><h3>O Pr&#243;ximo Passo</h3><p>Depois que voc&#234; conheceu o homem, M&#225;rio Ferreira dos Santos, o que ler?</p><p><strong>Comece pelo livro </strong><em><strong><a href="https://amzn.to/477KlHy">Filosofia e Cosmovis&#227;o</a></strong></em>. Voc&#234; o encontra na Amazon (&#233; um livro verdinho).</p><p>Depois de ler a biografia (que vou lhe enviar) e o <em>Filosofia e Cosmovis&#227;o</em>, voc&#234; estar&#225; apto para se aprofundar nos estudos da obra. Essa introdu&#231;&#227;o &#233; a mesma que dou para quem me procura no Instagram, e <strong>ningu&#233;m que a seguiu se arrependeu</strong>; pelo contr&#225;rio, lamenta n&#227;o ter estudado M&#225;rio Ferreira dos Santos antes.</p><p>A obra dele &#233; um convite &#224; sabedoria e ao estudo do bom pensar. A metodologia dele &#233; segura; voc&#234; pode aprender sem medo. Se voc&#234; &#233; advogado &#8212; inclusive, ele era advogado e foi muito elogiado pela sua orat&#243;ria &#8212;, cientista, enfermeiro, motorista de Uber, M&#225;rio Ferreira dos Santos vai contribuir muito para a sua vida. Tive relatos de pessoas que estavam perdidas (ateus ou hindu&#237;stas, por exemplo) e se converteram ao catolicismo ap&#243;s conhecerem e estudarem sua obra.</p><p>Recomendo tamb&#233;m que escute um <em><a href="https://youtu.be/QTfNRUy4ews?si=EGcTFWFFMxjeuKfz">podcast</a></em> que gravei, onde voc&#234; ter&#225; mais orienta&#231;&#245;es e conhecer&#225; melhor quem &#233; M&#225;rio Ferreira.</p><div><hr></div><h2>Comunidade de Estudos e Apoio ao Projeto</h2><p>Se voc&#234; quiser uma orienta&#231;&#227;o mais profunda e fazer parte de uma <strong>comunidade de estudos de M&#225;rio Ferreira dos Santos</strong>, com mais pessoas nessa miss&#227;o de restaurar a cultura brasileira, vou deixar o <em>link</em> da nossa <em>newsletter</em>.</p><p>Voc&#234; pode se tornar assinante por apenas R$ 12,90 por m&#234;s e ter acesso a:</p><ul><li><p>Grava&#231;&#245;es de M&#225;rio Ferreira dos Santos.</p></li><li><p>Transcri&#231;&#245;es dessas grava&#231;&#245;es.</p></li><li><p>Uma <strong>comunidade no WhatsApp</strong> com o meu n&#250;mero pessoal, onde voc&#234; pode mandar mensagem a qualquer momento e eu lhe responderei e orientarei nesse caminho do discipulado.</p></li></ul><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p>A obra do M&#225;rio &#233; um tesouro que poucos realmente aproveitaram de maneira &#250;til. Se voc&#234; for estudar com ele, voc&#234; s&#243; tem a ganhar, e a sua alma agradece por aprender filosofia com o melhor professor. Voc&#234; pode tanto baixar os conte&#250;dos dele de gra&#231;a na internet, mas estar&#227;o deteriorados e desorganizados, ou pode pagar R$ 12,90 e ter acesso a um conte&#250;do organizado, editado, com alta qualidade, e ainda participar de uma comunidade.</p><p>Na <em>newsletter</em>, inclusive, eu fiz um resumo da biografia dele em artigos, e h&#225; muitas outras aulas dispon&#237;veis somente para assinantes pagos, al&#233;m de palestras dele.</p><p>Se de alguma forma eu contribu&#237; para a sua vida de estudos, pe&#231;o que deixe um <em>like</em> (se estiver no YouTube), uma avalia&#231;&#227;o (se estiver no Spotify), ou inscreva-se e torne-se um assinante pago para apoiar esse projeto. Faz um ano que estou vivendo somente disso, dedicando 100% do meu tempo &#224; restaura&#231;&#227;o e divulga&#231;&#227;o da obra de M&#225;rio Ferreira dos Santos, gra&#231;as ao bom Deus.</p><p>Por hoje &#233; s&#243;. Espero voc&#234; na pr&#243;xima aula!</p><p><em>Caso queira adquirir esse acervo com mais de 100 aulas restauradas de M&#225;rio Ferreira dos Santos, basta acessar o link a seguir: </em><a href="https://arquivointelectualbrasileiro.github.io/">https://arquivointelectualbrasileiro.github.io/</a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[002. Respostas do Mário ao Pe. Stanislavs Ladusãns]]></title><description><![CDATA[Grava&#231;&#227;o restaurada de M&#225;rio Ferreira dos Santos na qual ele responde um inqu&#233;rito do Pe. Stanislavs Ladus&#227;ns (primeiro mestre de filosofia de Olavo de Carvalho)]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/002-respostas-do-mario-ao-pe-stanislavs</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/002-respostas-do-mario-ao-pe-stanislavs</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Tue, 30 Sep 2025 17:35:44 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yxaP!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[
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          <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/002-respostas-do-mario-ao-pe-stanislavs">
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          <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/biografia-de-mario-ferreira-dos-santos">
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Visão Beatífica]]></title><description><![CDATA[O fim &#250;ltimo do homem]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-visao-beatifica</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-visao-beatifica</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Thu, 07 Aug 2025 23:30:32 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2fd76c39-2647-4415-b754-43a8794ec8f6_1200x692.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A revela&#231;&#227;o crist&#227; encerra uma promessa e uma esperan&#231;a que ultrapassam, em magnitude e profundidade, qualquer concep&#231;&#227;o imagin&#225;vel ou proposta por outras tradi&#231;&#245;es religiosas. Ao se mencionar o &#8220;c&#233;u&#8221; &#8212; n&#227;o como a ab&#243;bada celeste que contemplamos cotidianamente, mas como uma realidade transcendente &#8212; adentra-se um terreno ainda envolto em ambiguidades, o que, compreensivelmente, d&#225; margem a interpreta&#231;&#245;es equivocadas sobre a verdadeira natureza desse reino celeste.</p><p>Para alguns, esse reino &#233; concebido como uma estrutura f&#237;sica de beleza indescrit&#237;vel, refulgente de luz e esplendor &#8212; tal como representado no Livro do Apocalipse &#8212; onde os eleitos habitariam eternamente. Outros, por sua vez, o imaginam como vastos campos verdejantes, um jardim m&#237;stico de harmonia serena, onde reinariam a paz e a conc&#243;rdia entre os que l&#225; estiverem reunidos. </p><p>As Sagradas Escrituras, juntamente com o Catecismo da Igreja Cat&#243;lica, ensinam-nos que a raz&#227;o &#250;ltima da exist&#234;ncia humana &#233; conhecer, amar e servir a Deus &#8212; uma voca&#231;&#227;o que se consuma plenamente no C&#233;u. Contudo, imp&#245;e-se uma pergunta fundamental: o que &#233;, de fato, o C&#233;u? Que realidade transcendente &#233; essa que se desvelar&#225; &#224;queles que o pr&#243;prio Deus julgar dignos de t&#227;o sublime heran&#231;a?</p><p>Para responder a t&#227;o apote&#243;tico questionamento, recorremos &#224; autoridade luminosa de S&#227;o Tom&#225;s de Aquino. O Doutor Ang&#233;lico, cuja obra monumental soube harmonizar com maestria os princ&#237;pios da filosofia aristot&#233;lica com a revela&#231;&#227;o crist&#227;, oferece-nos uma chave de compreens&#227;o. Segundo ele, o C&#233;u consiste, em sua ess&#234;ncia, na vis&#227;o beat&#237;fica &#8212; a qual, por sua vez, &#233; definida como a &#8220;<em>percep&#231;&#227;o direta da ess&#234;ncia divina</em>&#8221;. Trata-se de um conhecimento imediato, desprovido de media&#231;&#245;es ou imagens sens&#237;veis, no qual a alma, elevada pela gra&#231;a, contempla a pr&#243;pria ess&#234;ncia de Deus, tal como Ele &#233; em Si mesmo.</p><p>&#201; evidente que todo esfor&#231;o humano de imaginar tal realidade &#233;, por natureza, limitado e imperfeito. Ao tentar conceb&#234;-la, incorremos inevitavelmente na tentativa de enquadrar, dentro das categorias do mundo material e sens&#237;vel, uma realidade que &#233;, em sua ess&#234;ncia, espiritual. Deus &#233; esp&#237;rito &#8212; puro, infinito, absoluto &#8212; e, por isso mesmo, escapa a qualquer representa&#231;&#227;o que dependa dos sentidos ou da imagina&#231;&#227;o. Mais do que isso: ao buscarmos representar o Incriado com imagens do mundo criado, corremos o risco de reduzir o Inef&#225;vel &#224; medida do finito, tentando conter, nas fr&#225;geis fronteiras da natureza, Aquele que transcende infinitamente tudo o que &#233; tang&#237;vel e compreens&#237;vel.</p><p>S&#227;o Tom&#225;s descreve essa vis&#227;o n&#227;o como algo que possa ser apreendido pela raz&#227;o discursiva ou pelas imagens formadas na imagina&#231;&#227;o, mas como um encontro direto e inef&#225;vel com o pr&#243;prio Ser de Deus &#8212; com Sua ess&#234;ncia infinita, com o Belo em sua forma mais pura, absoluta e incontest&#225;vel.</p><p>A beleza que, neste mundo, apenas vislumbramos de modo fragmentado e imperfeito &#8212; neste vale de l&#225;grimas, onde, quase no mesmo instante em que experimentamos algum lampejo de alegria ou gozo, somos implacavelmente reconduzidos &#224; realidade do tempo... essa condi&#231;&#227;o fr&#225;gil e fugaz em que o Eclesiastes proclama, com solene gravidade, que &#8220;<em>tudo &#233; vaidade</em>&#8221; &#8212; &#233; apenas um p&#225;lido reflexo da Beleza incriada que &#233; o pr&#243;prio Deus. Aqui, contemplamos as flores, o p&#244;r do sol, as estrelas distantes, e at&#233; mesmo a majestosa vastid&#227;o do cosmos; e em tudo isso h&#225; um eco, uma centelha, um sussurro da Beleza eterna.</p><p>No C&#233;u, por&#233;m, essa beleza n&#227;o ser&#225; apenas intu&#237;da ou simbolizada &#8212; ela ser&#225; contemplada face a face, com uma intensidade t&#227;o plena, t&#227;o luminosa, que ultrapassar&#225; infinitamente tudo o que j&#225; vimos, sentimos ou sequer ousamos sonhar. N&#227;o ser&#225; uma experi&#234;ncia ef&#234;mera, nem sujeita aos limites do tempo ou da fadiga. Ser&#225; uma contempla&#231;&#227;o cont&#237;nua, incessante, da gl&#243;ria divina &#8212; uma experi&#234;ncia perene, onde cada instante ser&#225; inundado de sentido, paz e maravilhamento.</p><p>A vis&#227;o beat&#237;fica &#8212; a contempla&#231;&#227;o direta de Deus &#8212; &#233; a experi&#234;ncia mais pura, mais elevada e mais verdadeira que a alma humana pode alcan&#231;ar. </p><p>Ser&#225;, de fato, o momento em que a alma se encontrar&#225; com aquilo que mais profundamente anseia: Deus. E, ao alcan&#231;&#225;-Lo, encontrar&#225; o seu verdadeiro descanso &#8212; pois nada mais haver&#225; a desejar, j&#225; que nada poder&#225; sequer ser comparado, ainda que remotamente, &#224; plenitude daquele Bem que, enfim, possuir&#225;. Esse momento ser&#225; o C&#233;u: um estado de ser eterno e glorioso em que o rosto de Deus se revelar&#225; diante de n&#243;s, e o ser humano ser&#225;, enfim, capaz de contemplar os olhos de seu Criador &#8212; face a face, sem intermedi&#225;rios, sem barreiras, sem sombras.</p><p>&#201; poss&#237;vel passar uma vida inteira nesta realidade temporal e transit&#243;ria sem perceber um fato t&#227;o evidente: em nossa alma, reside uma sede profunda por essa beleza transcendente. O Catecismo nos ensina que &#8220;<em>Deus nos criou para Si, e nosso cora&#231;&#227;o est&#225; inquieto at&#233; que descanse em Deus</em>&#8221;. Todos n&#243;s, em algum momento, sentimos essa inquietude, essa &#226;nsia por algo al&#233;m, embora muitos n&#227;o compreendam claramente sua origem. Buscamos a beleza nas artes, na natureza, nos relacionamentos, na verdade e no amor. No entanto, mesmo nas suas formas mais puras, tudo isso n&#227;o passa de uma p&#225;lida imagem da gloriosa plenitude que experimentaremos na presen&#231;a de Deus.</p><p>Como S&#227;o Jo&#227;o Paulo II nos lembrou, &#8220;<em>a raz&#227;o pela qual o homem existe &#233; para buscar o Reino de Deus, onde encontrar&#225; a paz, a alegria e a realiza&#231;&#227;o de todos os seus desejos mais profundos</em>&#8221;. O c&#233;u &#233; onde nosso cora&#231;&#227;o se aquieta, onde a alma encontra sua verdadeira morada.</p><p>Como santos como Santa Teresa de &#193;vila, que, em suas vis&#245;es, experimentava uma uni&#227;o t&#227;o profunda com Deus, diziam, o c&#233;u &#233; como uma &#226;nsia que nos atrai. &#8220;<em>Quem experimentou o amor de Deus, mesmo que de maneira imperfeita, j&#225; n&#227;o pode desejar outra coisa sen&#227;o a uni&#227;o eterna com Ele</em>&#8221;. Em outras palavras, a beleza de Deus nos chama, como uma melodia suave que n&#227;o podemos deixar de ouvir. Ela nos atrai como a luz atrai as mariposas, como o campo atrai o perfume das flores. &#201; uma beleza que nos preenche de desejo, que nos faz olhar para o c&#233;u com esperan&#231;a, sabendo que ali, na vis&#227;o de Deus, tudo ser&#225; consumado.</p><p>Foi-nos revelado pelo pr&#243;prio Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, que &#8220;<em>ningu&#233;m nunca viu a Deus</em>&#8221;, embora a humanidade, consciente ou inconscientemente, tente por suas pr&#243;prias for&#231;as alcan&#231;ar tal feito &#8212; como demonstrado na desastrosa empreitada da Torre de Babel.</p><p>No entanto, o mesmo Deus, por quem a humanidade anseia, revelou-Se a n&#243;s de maneira &#250;nica e definitiva, habitando entre n&#243;s na Pessoa de Jesus Cristo. Do tronco de Jess&#233; brotou o Caminho, o sinal definitivo para todos os povos. A luz inacess&#237;vel, onde Deus habita em Sua plenitude, tornou-se acess&#237;vel a n&#243;s por meio de um Menino que nasceu humildemente em uma manjedoura.</p><p>E a mesma Sabedoria encarnada, em toda a sua infinita sapi&#234;ncia, recorreu &#224;s par&#225;bolas para nos revelar as realidades celestes. N&#227;o por limita&#231;&#227;o d&#8217;Ele, mas por causa da nossa. Somos finitos &#8212; e este finito, marcado pela queda e pela fragilidade, n&#227;o comporta o Infinito, tampouco o suporta. Tanto &#233; assim que o pr&#243;prio Deus n&#227;o permitiu que Mois&#233;s visse Seu rosto, pois a simples vis&#227;o de tamanha gl&#243;ria teria sido insuport&#225;vel &#224; fragilidade da criatura. Apenas lhe foi concedido ver as &#8220;<em>costas</em>&#8221; do Senhor, como quem vislumbra, de longe, os rastros de uma presen&#231;a demasiadamente sublime para ser contemplada face a face.</p><p>O v&#233;u do templo j&#225; foi rasgado, mas a travessia atrav&#233;s dele ocorrer&#225; apenas no tempo determinado por Deus. Por mais que a teologia se debruce sobre os vislumbres da eternidade, por mais que os santos tenham intu&#237;do, em &#234;xtases e vis&#245;es, fragmentos dessa gl&#243;ria, aquilo que nos aguarda ultrapassa todo entendimento, toda linguagem, todo sonho.</p><p>Sabemos apenas que ali estar&#225; Deus &#8212; e isso basta. Pois onde Ele estiver, estar&#225; tamb&#233;m a plenitude do ser, da beleza e da verdade. </p><p>Como ser&#225; exatamente esse encontro? O que sentir&#225; a alma no primeiro instante em que contemplar a face do Alt&#237;ssimo? </p><p>De fato, s&#243; no C&#233;u saberemos.</p><p></p><p><em>Bruno Godeiro, professor no <a href="https://guinadacultural.com.br/">Instituto Guinada Cultural</a>, onde promove uma forma&#231;&#227;o na filosofia de Olavo de Carvalho.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cristianismo: A Religião do Homem (III)]]></title><description><![CDATA[Virtude, Verdade e Amor: A Trindade do Ser]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/cristianismo-a-religiao-do-homem-b94</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/cristianismo-a-religiao-do-homem-b94</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Wed, 06 Aug 2025 21:30:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0480b01e-f1ac-471a-ab5f-cb7da1dc8f85_1199x389.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><em>Links</em> dos textos anteriores:</p><div class="digest-post-embed" data-attrs="{&quot;nodeId&quot;:&quot;3aa51604-4aba-4d05-bffd-dbaad73a809d&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Nosso pa&#237;s perdeu a m&#227;o da educa&#231;&#227;o em algum momento, relativamente recente, de nosso passado. A bem da verdade, o mundo tem caminhado cada vez mais em dire&#231;&#227;o ao &#8220;despertencimento&#8221; &#8212; como disse Ortega y Gasset, o &#8220;homem-massa&#8221; se julga superior &#224;s gera&#231;&#245;es anteriores, e assim, n&#227;o precisa delas &#8212; ao desprendimento das tradi&#231;&#245;es que nos foram legadas po&#8230;&quot;,&quot;cta&quot;:&quot;Read full story&quot;,&quot;showBylines&quot;:true,&quot;size&quot;:&quot;sm&quot;,&quot;isEditorNode&quot;:true,&quot;title&quot;:&quot;Cristianismo: A Religi&#227;o do Homem (I)&quot;,&quot;publishedBylines&quot;:[{&quot;id&quot;:161930488,&quot;name&quot;:&quot;Arquivo Intelectual Brasileiro&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Estudos guiados da obra de M&#225;rio Ferreira dos Santos. Textos introdut&#243;rios, an&#225;lises de aulas e livros, reflex&#245;es sobre filosofia e cultura brasileira esquecida. &quot;,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg&quot;,&quot;is_guest&quot;:false,&quot;bestseller_tier&quot;:null},{&quot;id&quot;:26056027,&quot;name&quot;:&quot;Edmar Paz Junior&quot;,&quot;bio&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_mcK!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0648453b-4580-444e-afae-97943e534fa2_144x144.png&quot;,&quot;is_guest&quot;:false,&quot;bestseller_tier&quot;:null}],&quot;post_date&quot;:&quot;2025-07-17T23:30:17.509Z&quot;,&quot;cover_image&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d9557b37-9786-4a6f-81ca-55b693bc59a4_736x639.jpeg&quot;,&quot;cover_image_alt&quot;:null,&quot;canonical_url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/cristianismo-a-religiao-do-homem&quot;,&quot;section_name&quot;:&quot;Ensaios Filos&#243;ficos&quot;,&quot;video_upload_id&quot;:null,&quot;id&quot;:168314724,&quot;type&quot;:&quot;newsletter&quot;,&quot;reaction_count&quot;:37,&quot;comment_count&quot;:0,&quot;publication_id&quot;:null,&quot;publication_name&quot;:&quot;Arquivo Intelectual Brasileiro&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yxaP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;youtube_url&quot;:null,&quot;show_links&quot;:null,&quot;feed_url&quot;:null}"></div><div class="digest-post-embed" data-attrs="{&quot;nodeId&quot;:&quot;6c32b5d2-3f9d-4ee1-9cd0-c4c521855e44&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Se voc&#234; est&#225; chegando agora e n&#227;o leu o primeiro texto desta s&#233;rie, clique aqui e leia a primeira publica&#231;&#227;o.&quot;,&quot;cta&quot;:&quot;Read full story&quot;,&quot;showBylines&quot;:true,&quot;size&quot;:&quot;sm&quot;,&quot;isEditorNode&quot;:true,&quot;title&quot;:&quot;Cristianismo: A Religi&#227;o do Homem (II)&quot;,&quot;publishedBylines&quot;:[{&quot;id&quot;:161930488,&quot;name&quot;:&quot;Arquivo Intelectual Brasileiro&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Estudos guiados da obra de M&#225;rio Ferreira dos Santos. 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Nesse sentido, o Professor correlaciona a &#8220;melhor forma de se viver&#8221; com o Cristianismo, mas n&#227;o de forma aleat&#243;ria, com alguma esp&#233;cie de fanatismo religioso ou proselitismo barato: h&#225; uma l&#243;gica, uma real inclina&#231;&#227;o para que o Homem se eleve, busque sempre superar suas &#8220;perfei&#231;&#245;es&#8221; a cada ato. Tem-se, assim, as virtudes como guias, balizas, princ&#237;pios norteadores, que fundamentam e possibilitam, n&#227;o o fim dos conflitos ou a igualdade absoluta das pessoas, mas sim o encontro de um ponto de converg&#234;ncia entre todos e uma consequente harmonia social.</p><p>Essas virtudes, nomeadas de Virtudes Cardeais pela Igreja Cat&#243;lica, consistem no eixo central de todas as a&#231;&#245;es boas. S&#227;o elas a Prud&#234;ncia, a Justi&#231;a, a Temperan&#231;a e a Fortaleza. O Fil&#243;sofo discorre sobre como cada virtude se desenvolve, mostrando que, quando praticamos nossos atos com esses fins, estaremos diante de a&#231;&#245;es que produzem o Bem Supremo, que &#233; aquele que bem conforma nossa natureza &#8211; nossa intelig&#234;ncia.</p><p>Podemos observar que existem muitas pessoas que n&#227;o desejam isso, principalmente aquelas que se &#8220;acomodaram&#8221; em seu tempo, que acreditam n&#227;o precisar de nada a mais do que aquilo que lhes satisfa&#231;a momentaneamente &#8211; como exemplo, s&#243; desejam os bens materiais para lhes servirem, seja a alimenta&#231;&#227;o, com prazeres imediatos e danos futuros (um fast food hoje produz uma veia entupida no futuro), e, nesse sentido, nos assemelhamos aos animais, que buscam apenas saciar seus desejos &#8211; n&#227;o porque s&#227;o contra essa melhora, mas simplesmente porque sequer sabem ou pensam sobre essas quest&#245;es.</p><p>Esses que dizem buscar a &#8220;praticidade&#8221;, que julgam serem capazes de lidar com toda a complexidade da nossa exist&#234;ncia apenas com aquilo que possuem dentro de si, s&#227;o sempre os primeiros a provocar desastres, n&#227;o apenas em suas vidas, mas tamb&#233;m nas vidas alheias. Dizem que Filosofia &#233; abstrata demais, que &#233; impratic&#225;vel na vida cotidiana e que o mundo se modernizou, deixando esses conceitos retr&#243;grados para tr&#225;s e que os &#8220;superamos&#8221;.</p><p>Jordan Peterson diz a seguinte frase: &#8220;Se voc&#234; acha que um homem mau &#233; ruim, espera at&#233; ver do que um homem fraco &#233; capaz.&#8221; Ora, basta fazer um racioc&#237;nio l&#243;gico para entender que s&#243; entendemos que 2+2=4 porque sabemos utilizar a opera&#231;&#227;o de soma. Nossa vida deve ter o mesmo sentido: saberemos reagir diante de determinadas situa&#231;&#245;es quando tivermos dispon&#237;vel em nosso &#8220;acervo&#8221; ferramentas para faz&#234;-lo. M&#225;rio Ferreira diz: &#8220;Por isso a liberdade exige entendimento, e este em sua plenitude. E como pode o entendimento dar assist&#234;ncia &#224; vontade se ele n&#227;o for capaz de advertir o que est&#225; em exame, se n&#227;o puder estudar com cuidado o que conv&#233;m ou n&#227;o conv&#233;m; se n&#227;o estiver o homem livre de coa&#231;&#245;es que o cerceiam; se n&#227;o estiver desobrigado das paix&#245;es que o avassalam? Por isso a liberdade da vontade implica a coopera&#231;&#227;o eficiente e decisiva do entendimento.&#8221;</p><p>Todos n&#243;s sentimos esse chamado &#224; perfei&#231;&#227;o, essa inclina&#231;&#227;o a sermos melhores. O Fil&#243;sofo continua: &#8220;E como a natureza humana tem de anelar (desejar com ansiedade) o que lhe &#233; conveniente (o Bem), anela, portanto, a Verdade, porque ela tamb&#233;m &#233; conveniente &#224; sua natureza. Assim, a Verdade &#233; ainda Bem, o Bem &#233; ainda Verdade. De onde se v&#234; que h&#225; uma mesma natureza em ambos, mas dois pap&#233;is diferentes, pois a vontade &#233; a mesma or&#233;xis (desejo, &#237;mpeto) que tende intelectualmente para o Bem, e o entendimento, a or&#233;xis que quer a Verdade, tamb&#233;m um Bem. (...) Assim, o Entendimento &#233; o Amor da Verdade, e a Vontade &#233; o Amor do Bem. (...) H&#225;, assim, no Homem uma trindade: Vontade, Entendimento e Amor.&#8221;</p><p>A princ&#237;pio, pode parecer um pouco complicado de entender, mas, na realidade, basta pensarmos como uma complexa opera&#231;&#227;o em que os tr&#234;s &#8211; Vontade, Entendimento e Amor &#8211; est&#227;o mutuamente ligados e se retroalimentam quanto mais os absorvemos. Essa fundamenta&#231;&#227;o do Professor come&#231;a a elucidar uma esp&#233;cie de d&#237;namo, um gerador que, quanto mais o usamos, mais possu&#237;mos.</p><p>&#8220;O amor pode ser s&#243; amor em sua fun&#231;&#227;o, como tamb&#233;m o entendimento s&#243; entendimento, e a vontade s&#243; vontade. Contudo, s&#243; h&#225; vontade humana onde h&#225; amor e entendimento, onde h&#225; amor e vontade; s&#243; h&#225; amor onde h&#225; entendimento e vontade, porque o amor tem de nitidamente conhecer o que ama e intensamente quer&#234;-lo.</p><p>Portanto, podem eles atuar de certo modo separadamente, mas a sua natureza exige, necessariamente, os outros. Deste modo, s&#227;o tr&#234;s pap&#233;is de uma mesma natureza. Assim &#233; o Homem. E nisto ele se distingue profundamente dos animais. &#201; um ser anelante (que deseja com &#226;nsia) de Verdade, anelante de Bem e anelante de Amor. A Vontade, por aspirar ao Bem, gera e desenvolve, no Homem, o Entendimento para escolher com Verdade, e o Amor os une, porque &#233; o princ&#237;pio e raiz deles.</p><p>Assim, o Amor &#233; a <em>or&#233;xis</em> que quer a Verdade do Bem eleito (escolhido); a Vontade, a <em>or&#233;xis</em> que aspira com Amor &#224; Verdade do bem escolhido; o entendimento, a <em>or&#233;xis</em> que aspira com Amor ao bem da Verdade. Assim, o Amor &#233; a vontade intelectual da Verdade do Bem; a Vontade, o amor intelectual do verdadeiro bem; o entendimento, o amor intelectual do bem da verdade.</p><p>Assim &#233; o Homem, quer queiram quer n&#227;o, os que n&#227;o compreenderam bem. E &#233; fundamentado nessa realidade do homem, que o homem &#233; em sua concre&#231;&#227;o, que o Cristianismo se cimentou. N&#227;o &#233; uma religi&#227;o imposta ao homem, mas uma religi&#227;o que brota do homem e marcha para o Ser Supremo. Por isso Cristo foi tamb&#233;m um homem.&#8221;</p><p>Encerro essa s&#233;rie no pr&#243;ximo texto. At&#233; l&#225;.</p><p><em>Cristianismo: A Religi&#227;o do Homem</em>, M&#225;rio Ferreira dos Santos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Guia Definitivo Para o Estudo da Obra de Mário Ferreira dos Santos]]></title><description><![CDATA[Um guia focado naqueles que pouco ou nada sabem a respeito de M&#225;rio Ferreira dos Santos]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/guia-definitivo-para-o-estudo-da</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/guia-definitivo-para-o-estudo-da</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Fri, 01 Aug 2025 23:30:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yxaP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h2>Introdu&#231;&#227;o</h2><p>Ol&#225;, pessoal!</p><p>Hoje, o conte&#250;do de nossa <em>newsletter</em> ser&#225; um pouco diferente das outras. Geralmente, trago textos corridos explicando alguma aula de nosso querido fil&#243;sofo <em>brasiliensis</em>, M&#225;rio Ferreira dos Santos, mas hoje decidi fazer algo um pouco diferente. Gostaria de fazer um guia &#8220;definitivo&#8221; para o estudo da obra de M&#225;rio Ferreira dos Santo&#8230;</p>
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          <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/guia-definitivo-para-o-estudo-da">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[‭A Quem Devemos Modificar: O Homem ou a Sociedade?‬]]></title><description><![CDATA[Uma confer&#234;ncia de M&#225;rio Ferreira dos Santos na ABI em 21 de agosto de 1965]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-quem-devemos-modificar-o-homem</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-quem-devemos-modificar-o-homem</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Wed, 30 Jul 2025 23:30:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e8fe4394-d02d-4448-b3a6-949ca7a1ecf8_736x459.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[
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          <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-quem-devemos-modificar-o-homem">
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          </a>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cristianismo: A Religião do Homem (II)]]></title><description><![CDATA[Continua&#231;&#227;o do Cristianismo: A Religi&#227;o do Homem (I)]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/cristianismo-a-religiao-do-homem-2b7</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/cristianismo-a-religiao-do-homem-2b7</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Wed, 30 Jul 2025 22:30:18 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6476ce6a-1e98-48ac-a8d5-3b6b8f6e4c8d_736x615.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><em>Se voc&#234; est&#225; chegando agora e n&#227;o leu o primeiro texto desta s&#233;rie, <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/cristianismo-a-religiao-do-homem">clique aqui</a> e leia a primeira publica&#231;&#227;o.</em></p><div><hr></div><p>Talvez uma das solu&#231;&#245;es que, apesar de diminuta, pode pelo menos fornecer uma pequena mudan&#231;a no sentido atual em que caminha nossa sociedade &#8211; notadamente para uma esp&#233;cie de &#8220;limbo&#8221; intelectual &#8211; seja justamente a de &#8220;recome&#231;ar do in&#237;cio&#8221; os ensinamentos.</p><p>Ayn Rand faz uma cr&#237;tica sobre a educa&#231;&#227;o, j&#225; na sua &#233;poca, entre os idos da d&#233;cada de 50 e 60, que subvertia a mente das crian&#231;as: &#8220;Eles (os alunos) est&#227;o sendo ensinados, por implica&#231;&#227;o, que n&#227;o existe tal coisa como uma realidade firme e objetiva que a mente do homem deve aprender a perceber corretamente; que a realidade &#233; um fluxo indeterminado e que pode ser qualquer coisa que o rebanho queira que seja; que a verdade ou falsidade &#233; determinada pelo voto da maioria. E mais: que o conhecimento &#233; desnecess&#225;rio e irrelevante, j&#225; que as opini&#245;es do professor n&#227;o valem mais do que a fala do aluno mais obtuso e ignorante; e, portanto, que raz&#227;o, pensamento, intelig&#234;ncia e educa&#231;&#227;o n&#227;o t&#234;m nem import&#226;ncia nem valor&#8221;.</p><p>De forma distinta, por&#233;m complementar, M&#225;rio Ferreira demonstra justamente por onde pode se dar esse &#8220;in&#237;cio&#8221;, n&#227;o apenas explanando sobre a diferen&#231;a do Homem para os animais, mas verdadeiramente ensinando do que somos capazes com nossa possibilidade de perfei&#231;&#227;o intelectual: ele n&#227;o precisa demonstrar com &#8220;atos&#8221; (por exemplo, n&#227;o necessita contar uma inven&#231;&#227;o de algum g&#234;nio), mas a simples descri&#231;&#227;o da potencialidade do Homem nos faz enxergar que n&#227;o fomos feitos para o &#8220;n&#227;o pensar&#8221;, para ser pessoas irracionais, ou ser como uma ameba, que apenas &#8220;existe&#8221;. Somos muito mais que isso, e &#8220;recome&#231;ar do in&#237;cio&#8221; requer esse trabalho de base, de reafirmar o que realmente somos chamados a ser.</p><p>Santo Tom&#225;s de Aquino fala sobre a quest&#227;o do uso da raz&#227;o como fim &#250;ltimo do Homem, ou seja, fomos criados para utilizar e exponenciar nossa intelig&#234;ncia, e &#233; nesse sentido que escreve o Professor M&#225;rio Ferreira, quando diz que h&#225; semelhan&#231;as entre o Homem e os animais, at&#233; certo ponto, mas tamb&#233;m uma diferen&#231;a essencial que nos separa de todos os outros seres na Terra:</p><p>&#8220;E essa opera&#231;&#227;o de avaliar as coisas o homem faz, julgando seus valores e suas possibilidades. Tudo isso prova que o homem tem uma capacidade de julgar as coisas, de avali&#225;-las. Tamb&#233;m os animais revelam possuir uma capacidade semelhante. Mas, no homem, ela procede diferentemente, por ser mais complexa. &#201; que n&#227;o somente avalia as coisas segundo a conveni&#234;ncia ou n&#227;o que elas representam para ele, mas as avalia al&#233;m do que elas revelam aos seus sentidos. Ele as julga pelo que elas s&#227;o, pelo que elas ser&#227;o capazes de proporcionar, pelo valor de suas possibilidades quando utilizadas, pelo significado mais profundo que elas possam ter. Ora, de nada disso o animal &#233; capaz. &#201; que nessas avalia&#231;&#245;es do homem, j&#225; penetra a intelig&#234;ncia, a capacidade de construir conceitos, de formular ideias, de promover racioc&#237;nios. De nada disso s&#227;o capazes os animais. Ora, tudo isso s&#227;o perfei&#231;&#245;es de que carecem os animais. A perfei&#231;&#227;o &#233; a manifesta&#231;&#227;o do pr&#243;prio ser, porque atualiza algo que podia ter, e, quando a tem, o ser torna-se mais perfeito, mais acabado. Assim, a crian&#231;a, que ainda n&#227;o fala, poder&#225; um dia falar, e nesse dia ser&#225; mais uma perfei&#231;&#227;o humana. &#201; como a semente na terra da qual se gera o arbusto, e o arbusto do qual se gera a &#225;rvore frut&#237;fera, e desta, o fruto precioso. Tudo isso s&#227;o perfei&#231;&#245;es, s&#227;o acabamentos de ser que se torna, assim, mais perfectivo do que antes. A intelig&#234;ncia, no homem, &#233;, assim, a sua grande perfei&#231;&#227;o, j&#225; que &#233; ela que nos distingue dos animais&#8221;.</p><p>Ainda nesse sentido, o Professor continua mais &#224; frente, dizendo que buscamos bens remotos, diferentemente dos animais, que buscam os bens apenas para saci&#225;-los imediatamente: &#8220;o homem n&#227;o tende apenas para o bem pr&#243;ximo, mas tende para o bem. Bem &#233; tudo quanto &#233; bom. Bom &#233; tudo quanto &#233; apto a satisfazer a exig&#234;ncia de uma natureza. Bem para o homem &#233; tudo quanto &#233; bom para satisfazer as exig&#234;ncias de sua natureza (lembre-se, nossa intelig&#234;ncia). O animal tende para esse bem pr&#243;ximo, mas o homem tende tamb&#233;m para um bem remoto. E como &#233; capaz de conceituar perfei&#231;&#227;o, o homem tende para um bem perfeito, o Supremo Bem. E assim como o homem tende para o Supremo Bem, tende ainda para o Supremo Verdadeiro, porque n&#227;o lhe satisfazem as verdades pr&#243;ximas que encontra, pois quer alcan&#231;ar a verdade final, a verdade perfeit&#237;ssima, a Verdade Suprema&#8221;.</p><p>Ora, &#233; essencial que entendamos esse racioc&#237;nio do fil&#243;sofo, pois fundamenta e nos faz realmente assimilar pensamentos como o de Santo Agostinho, que diz que nada aqui no mundo nos completa, ou mesmo o de Gustavo Cor&#231;&#227;o, quando diz que &#8220;se a nossa vida se limitasse ao que est&#225; ao alcance dos nossos olhos, nossa vida seria um absurdo&#8221;.</p><p>Ainda, essa argumenta&#231;&#227;o permite tamb&#233;m entender o porqu&#234; de o fil&#243;sofo considerar o Cristianismo como a religi&#227;o do homem, ou seja, algo que se torna inerente a n&#243;s, ao nosso desenvolvimento.</p><p>Continuemos nos pr&#243;ximos textos.</p><p><em>Cristianismo: A Religi&#227;o do Homem</em>, M&#225;rio Ferreira dos Santos</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Inferno]]></title><description><![CDATA[Uma medita&#231;&#227;o sobre a separa&#231;&#227;o eterna de Deus]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/o-inferno</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/o-inferno</guid><dc:creator><![CDATA[Bruno Godeiro]]></dc:creator><pubDate>Tue, 22 Jul 2025 23:30:27 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7f28182a-4ba5-406f-8378-2e405bea9ef0_620x414.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Falar sobre o inferno &#233;, antes de tudo, falar do mist&#233;rio mais doloroso da exist&#234;ncia humana: a possibilidade real e definitiva de viver eternamente separado de Deus. Se a promessa do c&#233;u &#233; a vis&#227;o da Face divina, o inferno &#233; exatamente o oposto: a nega&#231;&#227;o absoluta dessa vis&#227;o.</p><p>O inferno n&#227;o &#233; uma abstra&#231;&#227;o, nem uma imagem simb&#243;lica, mas uma realidade revelada por Cristo e ensinada com clareza pela Igreja. E se h&#225; algo que o torna verdadeiramente aterrador, n&#227;o &#233; apenas o fogo ou a escurid&#227;o, mas o vazio absoluto deixado pela aus&#234;ncia do Deus que &#233; a pr&#243;pria fonte do ser, da vida e do amor.</p><p>O Catecismo da Igreja Cat&#243;lica &#233; claro e direto: &#8220;<em>Morrer em pecado mortal sem arrepend&#234;-lo e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa permanecer separado d'Ele para sempre por nossa pr&#243;pria e livre escolha. Este estado de autoexclus&#227;o definitiva da comunh&#227;o com Deus e com os bem-aventurados &#233; o que se entende por &#8216;inferno&#8217;</em>&#8221; (CIC 1033). O inferno &#233;, portanto, a consuma&#231;&#227;o de uma escolha livre &#8212; uma liberdade que Deus respeita com tremenda seriedade, mesmo quando essa liberdade o rejeita. Deus n&#227;o envia ningu&#233;m ao inferno contra a vontade: &#233; a pr&#243;pria alma que se exclui da comunh&#227;o, por ter se fechado &#224; gra&#231;a e ao arrependimento.</p><p>O drama do inferno est&#225; exatamente a&#237;: n&#227;o se trata apenas de um castigo, mas da perda daquilo que a alma mais profundamente deseja, ainda que ela n&#227;o saiba disso plenamente em vida. A alma humana foi criada para ver Deus, para descansar n&#8217;Ele, para se realizar em Sua presen&#231;a. No fundo de cada desejo, de cada amor, de cada sede de beleza ou verdade, h&#225; o eco do Criador chamando sua criatura. Quando, por livre decis&#227;o, uma alma escolhe viver voltada apenas para si mesma, na obstina&#231;&#227;o do pecado, ela vai deformando sua capacidade de amar, at&#233; o ponto de se tornar incapaz de acolher o pr&#243;prio Amor. </p><p>Ao morrer, essa alma j&#225; n&#227;o pode mais mudar: a morte sela para sempre a escolha feita. Como explica S&#227;o Jo&#227;o Damasceno, &#8220;com a morte, o livre arb&#237;trio cessa: aquilo que a alma escolheu, nisso permanece fixada eternamente.&#8221; No instante do ju&#237;zo, a alma condenada n&#227;o ver&#225; o rosto de Deus &#8212; pois essa vis&#227;o, como ensina S&#227;o Tom&#225;s de Aquino na Suma Teol&#243;gica, pertence somente aos bem-aventurados. &#8220;<em>Os condenados n&#227;o ver&#227;o Deus de modo algum, pois a vis&#227;o de Deus &#233; a recompensa dos justos, e seria causa de extremo tormento para os impios</em>&#8221; (<em>STh</em>, Suppl., q. 98, a. 4). O pr&#243;prio castigo consiste, em maior parte, nessa priva&#231;&#227;o. A alma compreende, por uma consci&#234;ncia iluminada, o bem infinito que perdeu &#8212; n&#227;o porque O tenha visto, mas porque sabe que Ele existe, que foi criada para Ele, e que jamais O possuir&#225;. E essa certeza &#8212; sem jamais poder contemplar o objeto de sua esperan&#231;a &#8212; &#233; uma forma de tormento que ultrapassa toda dor sens&#237;vel.</p><p>Esse &#233; o verdadeiro fogo do inferno: o arrependimento tardio, o remorso irremedi&#225;vel, a sede que nunca ser&#225; saciada. A alma percebe que foi feita para o c&#233;u... mas escolheu viver como se o c&#233;u n&#227;o existisse. A aus&#234;ncia de Deus, mais do que a presen&#231;a de penas sens&#237;veis, &#233; o que define o inferno em sua ess&#234;ncia mais profunda. </p><p>&#201; por isso que os santos dizem que o maior sofrimento do inferno n&#227;o &#233; o fogo, mas a perda de Deus. S&#227;o Jo&#227;o Crisostomo afirma que &#8220;<em>n&#227;o h&#225; palavras que descrevam o tormento de uma alma separada de Deus. Pois o inferno &#233;, acima de tudo, a dor de saber que se perdeu o Bem supremo</em>.&#8221; Essa &#233; a chamada &#8220;<em>pena de dano</em>&#8221;, considerada pela teologia como o castigo mais terr&#237;vel da condena&#231;&#227;o eterna: estar privado para sempre da vis&#227;o beat&#237;fica, da qual brotam toda alegria, paz e plenitude. O que queima no inferno &#233;, antes de tudo, a consci&#234;ncia dessa perda &#8212; e a impossibilidade de reverter essa condi&#231;&#227;o.</p><p>O sil&#234;ncio de Deus, no inferno, n&#227;o &#233; um castigo imposto. &#201; a consequ&#234;ncia l&#243;gica da recusa cont&#237;nua de Sua voz durante a vida. Deus falou mil vezes, chamou de mil maneiras, suplicou como Pai amoroso e misericordioso &#8212; e foi ignorado, zombado ou rejeitado. Agora, a alma n&#227;o escuta mais Sua voz. E o que resta &#233; o eco do pr&#243;prio grito, ressoando no vazio. Esse sil&#234;ncio absoluto, essa aus&#234;ncia total de luz e calor divinos, &#233; o que os m&#237;sticos descrevem como o desespero eterno. Santa Catarina de G&#233;nova dizia que &#8220;<em>o inferno consiste em ver-se separado de Deus e compreender que essa separa&#231;&#227;o &#233; obra da pr&#243;pria vontade</em>.&#8221; Esse &#233; o sofrimento mais justo e, ao mesmo tempo, o mais tr&#225;gico.</p><p>Muitos se incomodam com a ideia de que o inferno seja eterno. Mas a eternidade da pena n&#227;o &#233; sinal de crueldade de Deus, e sim da gravidade do pecado e da nossa livre escolha. O amor verdadeiro s&#243; &#233; poss&#237;vel se for livre &#8212; e essa liberdade inclui a capacidade de rejeitar o bem, inclusive o Bem supremo. Deus criou o homem para am&#225;-Lo e participar de Sua gl&#243;ria. Mas n&#227;o for&#231;a esse amor. A eternidade do inferno &#233; consequ&#234;ncia da eternidade da decis&#227;o tomada pela alma no instante da morte: uma alma que n&#227;o quer Deus, que o despreza at&#233; o fim, n&#227;o pode ser for&#231;ada a viver com Ele por toda a eternidade. E por isso, permanece eternamente como quis: sozinha.</p><p>Talvez o aspecto mais dram&#225;tico do inferno seja que os condenados sabem exatamente o que perderam. E sabem que n&#227;o h&#225; mais retorno. S&#227;o Tom&#225;s de Aquino ensina que o inferno &#233; tamb&#233;m a presen&#231;a da justi&#231;a divina: os condenados n&#227;o odeiam a Deus porque foram punidos, mas porque veem, com total clareza, que a puni&#231;&#227;o &#233; justa &#8212; e isso os consome ainda mais. A alma ali permanece consciente de si, de Deus e da dist&#226;ncia intranspon&#237;vel entre ambos. Isso &#233; a morte eterna: existir, mas sem a Vida. Ser, mas sem a luz do Ser.</p><p>No entanto, &#233; preciso dizer: hoje, o inferno ainda pode ser evitado. Ainda estamos no tempo da miseric&#243;rdia. A porta ainda est&#225; aberta. Jesus Cristo morreu para que ningu&#233;m se perdesse. O inferno n&#227;o &#233; o desejo de Deus &#8212; &#233; a consequ&#234;ncia da rejei&#231;&#227;o do amor. O Senhor deseja que todos se salvem. Ele estende a m&#227;o, oferece o perd&#227;o, chama sem cessar. Mas a resposta precisa vir de n&#243;s. A eternidade se decide no tempo. E toda alma, consciente ou n&#227;o, est&#225; a caminho do c&#233;u... ou do inferno.</p><p>Por isso, falar do inferno &#233;, paradoxalmente, um ato de caridade. N&#227;o para amedrontar, mas para despertar. Para fazer arder em n&#243;s o santo temor &#8212; n&#227;o o medo servil, mas aquele temor que nasce do amor verdadeiro: o medo de perder a Deus, de ofender Seu Cora&#231;&#227;o, de fechar os olhos &#224; Sua luz. &#201; esse temor que nos impulsiona &#224; convers&#227;o, &#224; vigil&#226;ncia, &#224; entrega. Pois, como diz o Deuteron&#244;mio, &#8220;<em>diante de ti est&#227;o a vida e a morte, a b&#234;n&#231;&#227;o e a maldi&#231;&#227;o. Escolhe, pois, a vida, para que vivas</em>&#8221; (Dt 30,19).</p><p>A alma que contempla com verdade o inferno, aprende a amar mais intensamente o c&#233;u. Aprende a desejar com todas as for&#231;as a vis&#227;o de Deus, e a lutar com todo o cora&#231;&#227;o para n&#227;o se afastar d'Ele.</p><p>&#8220;<em>Senhor, n&#227;o me deixes perder-Te. <br>Que o medo de perder Tua Face seja maior que o apelo de qualquer pecado.<br>Que minha alma se una &#224; Tua vontade, agora e para sempre. <br>E que eu Te veja, &#243; meu Deus, e nunca me separe de Ti. <br>Porque viver sem Ti... &#233; o pr&#243;prio inferno</em>.&#8221;<br></p><p><em>Autor: Bruno Godeiro</em></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Esse <em>substack</em> &#233; mantido pelos seus assinantes. 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A bem da verdade, o mundo tem caminhado cada vez mais em dire&#231;&#227;o ao &#8220;despertencimento&#8221; &#8212; como disse Ortega y Gasset, o &#8220;homem-massa&#8221; se julga superior &#224;s gera&#231;&#245;es anteriores, e assim, n&#227;o precisa delas &#8212; ao desprendimento das tradi&#231;&#245;es que nos foram legadas por nossos antepassados.</p><p>Essa falta de liga&#231;&#227;o, esse &#8220;desenraizamento&#8221;, tem como consequ&#234;ncia, em grande parte, o afastamento do cristianismo e, notadamente, se intensificando com as ideias de Nietzsche sobre a nega&#231;&#227;o de Deus e a supress&#227;o da ordem, o niilismo se arraigou pela sociedade, produzindo, como disse C.S. Lewis, &#8220;homens sem peito&#8221;, vazios de sentimentos. Acredito que poucas coisas s&#227;o mais danosas para a sobreviv&#234;ncia da esp&#233;cie humana do que a insensibilidade, a falta de tato e a defici&#234;ncia na percep&#231;&#227;o da realidade, que culmina nessa pr&#243;pria nega&#231;&#227;o do homem.</p><p>A resposta para essas &#8220;debilidades&#8221; reside justamente naquilo que o mundo mais ataca: a religi&#227;o, o Cristianismo. Esse &#8220;pequeno&#8221; detalhe &#8212; que para aqueles que o sabem, trata-se do mais essencial &#8212; s&#227;o princ&#237;pios que, a despeito de se traduzirem em pequenos atos no nosso dia a dia, podem mudar significativamente nossas vidas.</p><p>Temos mania de grandeza, como se apenas as coisas grandiosas fossem dignas de serem observadas. Perde-se, assim, a percep&#231;&#227;o da beleza do ordin&#225;rio, e deixamos de notar as pequenas coisas que realmente importam, pois, de fato, s&#227;o o que constituem a maior parte de nossa vida: n&#227;o &#233; aquela viagem para uma praia, mas sim o tomar caf&#233; da manh&#227; todos os dias com quem se convive, o respeitar seus colegas de trabalho que est&#227;o todos os dias contigo e, principalmente, a aten&#231;&#227;o que se d&#225; a quem se ama. Como diz Ortega y Gasset, &#8220;para quem o pequeno n&#227;o &#233; nada, o grande n&#227;o &#233; grande&#8221;. Um desvio de um cent&#237;metro hoje muda o destino em dez quil&#244;metros em dez anos. Ent&#227;o, sim, pequenos detalhes fundamentam e importam em nossas vidas.</p><p>No livro de J&#243;, h&#225; uma descri&#231;&#227;o de dois monstros, Behemoth e Leviat&#227;, que representam uma guerra entre a Humanidade e a Natureza. Simbolicamente, como ensina o Professor Jos&#233; Monir, &#233; como se o mundo quisesse nos extirpar daqui; por&#233;m, como cria&#231;&#227;o divina superior, Deus nos criou para dominar a natureza. Evidentemente, n&#227;o &#233; uma luta f&#225;cil, mas o Homem, representado por Behemoth, como um &#8220;monstro&#8221; terrestre &#8212; uma esp&#233;cie que se assemelha a um hipop&#243;tamo &#8212;, tem seus p&#233;s fincados na lama, ao passo que o Leviat&#227;, representando a natureza como uma esp&#233;cie de drag&#227;o aqu&#225;tico, fica submerso e &#233; sempre dominado pelo outro, o que reflete a &#8220;vit&#243;ria&#8221; do Homem nobre sobre a Natureza e um perfeito equil&#237;brio, na famosa imagem de William Blake.</p><p>Por que contei essa simbologia? Porque realmente acredito que seja uma excelente representa&#231;&#227;o daquilo que vivenciamos aqui: essa luta da carne contra o esp&#237;rito, a batalha do mundo contra nossa santidade.</p><p>Se levarmos em conta tanto os Dez Mandamentos quanto os Sete Pecados Capitais, podemos ter um vislumbre daquilo que seria a melhor forma de se viver em sociedade, por mais que os ditos &#8220;modernos&#8221; se neguem a reconhec&#234;-lo. Desse modo, ambos descrevem condutas e princ&#237;pios norteadores daquilo que &#8220;devemos ou n&#227;o&#8221; fazer, irradiando a partir dali in&#250;meras outras &#8220;leis&#8221; que guiam nossa vida.</p><p>Contudo, o Cristianismo &#233; muito mais que isso. N&#227;o se trata apenas de um conjunto de regras, e &#233; justamente isso que o fil&#243;sofo M&#225;rio Ferreira dos Santos explica nesta obra. Importante, entretanto, &#233; que n&#227;o apenas saibamos o que fazer, mas, de forma essencial, o porqu&#234; de nossos atos.</p><p>O escritor diz: &#8220;&#167;22 Mas que fazemos quando entendemos alguma coisa? Sabemos que ela &#233; isto ou aquilo. (...) Ent&#227;o sabemos o que as coisas s&#227;o, quando sabemos qual &#233; o seu conceito. &#167;23 Mas esse saber n&#227;o &#233; o &#250;nico que alcan&#231;amos. N&#243;s sabemos mais quando sabemos porque uma coisa &#233; o que ela &#233;. Podemos conjeturar que atirando uma semente &#224; terra, dela nascer&#225; um arbusto, depois uma &#225;rvore que dar&#225; frutos. Mas se n&#227;o sabemos de que &#233; essa semente, n&#227;o saberemos ainda quais frutos poder&#227;o vir. Quando sabemos do que dependem as coisas realmente para serem, sabemos muito mais.&#8221;</p><p>J&#225; disse em algum momento como tive a sorte de ter em m&#227;os alguns escritores fant&#225;sticos, mas, at&#233; para ter essa &#8220;sorte&#8221;, &#233; preciso estar com os &#8220;ouvidos abertos&#8221;, como diz Gustavo Cor&#231;&#227;o. J&#225; havia lido em algum lugar sobre M&#225;rio Ferreira dos Santos, sobre a magnitude e import&#226;ncia de sua obra, mas, muitas vezes, atordoados pelos afazeres di&#225;rios e pelas ocupa&#231;&#245;es, deixamos de lado esses livros filos&#243;ficos, por achar que estar&#227;o muito fora de nossa realidade.</p><p>Muitas vezes tamb&#233;m, temos uma vis&#227;o deturpada sobre o que de fato &#233; a filosofia, como se fosse uma mat&#233;ria reservada apenas a eruditos, s&#225;bios e estudiosos. O Professor Olavo conceitua filosofia como sendo a &#8220;unidade do conhecimento na consci&#234;ncia, e vice-versa&#8221;, ou seja, &#233; basicamente aquilo que aprendemos e incorporamos em nossas vidas.</p><p>Ainda, cada vez mais me conven&#231;o de que se trata tamb&#233;m, apenas de uma quest&#227;o de familiaridade. Como escreveu S&#234;neca: &#8220;Tal como, para quem olha de longe, a maioria dos lugares costuma parecer inacess&#237;vel e de aspecto homog&#234;neo, dado que a dist&#226;ncia engana os olhos, depois, chegando mais perto, aquelas mesmas &#225;reas que a ilus&#227;o dos olhos compactara em uma &#250;nica coisa se abrem pouco a pouco, e ent&#227;o se torna suave o declive daquelas eleva&#231;&#245;es que &#224; dist&#226;ncia aparentavam ser precip&#237;cios&#8221;. Assim, quanto mais nos aproximamos, mais ganhamos bagagem para poder entender e interpretar o que vemos.</p><p>Continuarei a falar sobre os ensinamentos desse grande fil&#243;sofo nos pr&#243;ximos textos.</p><p><em>Cristianismo: A religi&#227;o do Homem, M&#225;rio Ferreira dos Santos.</em></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">O Arquivo &#233; mantido pelos seus assinantes. 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Cada vez cresce mais a separa&#231;&#227;o entre os metropolitanos e os provincianos. Enquanto estes continuam a ser os guardi&#245;es das culturas, aqueles anquilosam-se na morte das ideias, que substituem por brilhos de moeda falsa. Estamos numa &#233;poca de decad&#234;ncia porque se instaura definitivamente no mundo, mais uma vez, o predom&#237;nio i&#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/as-tres-humanidades">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Arte Como Interpretação da Vida]]></title><description><![CDATA[Um ensaio restaurado de M&#225;rio Ferreira dos Santos.]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-arte-como-interpretacao-da-vida</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-arte-como-interpretacao-da-vida</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Wed, 09 Jul 2025 23:30:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yxaP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A arquitetura antiga era exterioridade. Ficava do lado de fora sua for&#231;a de express&#227;o. O homem vivia a vida que o cercava e n&#227;o sofria os problemas interiores com a viol&#234;ncia que agita as civiliza&#231;&#245;es ocidentais. Os povos interiorizados, como por exemplo o &#225;rabe, t&#234;m toda a sua arquitetura no interior. Os povos contemplativos, como os hindus, t&#234;m-na em &#8230;</p>
      <p>
          <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-arte-como-interpretacao-da-vida">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O candomblé em 6 sentenças]]></title><description><![CDATA[Analisando o Candombl&#233; &#224; luz da Pentadial&#233;tica de M&#225;rio Ferreira dos Santos]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/o-candomble-em-6-sentencas</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/o-candomble-em-6-sentencas</guid><dc:creator><![CDATA[ALDO DOS SANTOS DIAS]]></dc:creator><pubDate>Tue, 08 Jul 2025 23:30:29 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yxaP!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h1>Pref&#225;cio do Arquivo ao ensaio</h1><p>Com a t&#234;mpera dos tit&#227;s intelectuais que, em reinos tropicais, parecem antes anomalias do que frutos do meio, ergueu-se a figura de M&#225;rio Ferreira dos Santos. Fil&#243;sofo por voca&#231;&#227;o e anarquista por princ&#237;pio, foi um construtor de catedrais sistem&#225;ticas num pa&#237;s afeito &#224;s improvisa&#231;&#245;es do engenho. Sua obra, uma vasta enciclop&#233;dia que ele batizou de &#8220;Enciclop&#233;dia das Ci&#234;ncias Filos&#243;ficas e Sociais&#8221;, n&#227;o se contentava com a glosa ou o coment&#225;rio, mas buscava arquitetar um m&#233;todo capaz de auscultar a realidade em suas m&#250;ltiplas dimens&#245;es. Desse esfor&#231;o herc&#250;leo nasceu a Pentadial&#233;tica, uma ferramenta de an&#225;lise, uma esp&#233;cie de escada de Jac&#243; do intelecto, pela qual o pensador pode ascender e descender pelos degraus do conhecimento: da unidade irredut&#237;vel do fato &#224; sua resson&#226;ncia no universal, passando pelas suas partes, suas s&#233;ries e seus sistemas. N&#227;o se trata de uma f&#243;rmula, mas de uma ascese do pensamento, um rigoroso exerc&#237;cio para enxergar o todo na parte e a parte no todo.</p><p>&#201; com essa poderosa armadura metodol&#243;gica, forjada por um dos mais injusti&#231;ados e esquecidos mestres do pensamento nacional, que Aldo dos Santos ousa agora se aproximar de um dos fen&#244;menos mais fascinantes e esquivos da alma brasileira: o Candombl&#233;. E o faz com uma coragem intelectual que &#233;, em si mesma, um tributo &#224; estirpe de seu inspirador. O presente ensaio, &#8220;O Candombl&#233; em 6 Senten&#231;as&#8221;, &#233; uma obra de clareza cortante, que se recusa tanto ao folclorismo condescendente quanto &#224; pol&#234;mica est&#233;ril que usualmente cercam o tema.</p><p>Com a precis&#227;o de um anatomista, <a href="https://clubedeautores.com.br/livros/autores/aldo-dos-santos-dias">Aldo dos Santos</a> disseca seu objeto de estudo para revelar uma tr&#225;gica fratura interna. De um lado, o Candombl&#233; &#8220;objetivo&#8221;, um culto &#224; ancestralidade que o aparenta &#224;s grandes religi&#245;es da Antiguidade, como bem notaria um Fustel de Coulanges se o conhecesse; uma religi&#227;o enraizada na mem&#243;ria coletiva, no cumprimento de um destino (Odu) que transcende o indiv&#237;duo e visa ao bem comum de uma linhagem. Do outro, o Candombl&#233; &#8220;subjetivo&#8221; que medrou em solo brasileiro, metamorfoseado pela di&#225;spora e pelas novas condi&#231;&#245;es sociais: um culto j&#225; n&#227;o mais ao ancestral, mas &#224; personalidade.</p><p>O autor desdobra essa tese central com uma l&#243;gica implac&#225;vel. Mostra-nos como, suprimido o v&#237;nculo com o antepassado, a religi&#227;o se converte num instrumental para o indiv&#237;duo, e o transe de incorpora&#231;&#227;o, despido de sua fun&#231;&#227;o original, se transforma na &#8220;express&#227;o da forma ideal perfeita da personalidade&#8221;. A an&#225;lise do processo inici&#225;tico, descrito em sua crueza como um esgotamento f&#237;sico e mental que induz a um estado hipn&#243;tico, &#233; de uma aud&#225;cia que beira o sacril&#233;gio para os devotos, mas de um valor inestim&#225;vel para o estudioso da psicologia da religi&#227;o.</p><p>Aldo dos Santos n&#227;o poupa as consequ&#234;ncias dessa transforma&#231;&#227;o: a perda da riqu&#237;ssima tradi&#231;&#227;o oral, a deforma&#231;&#227;o dos mitos e cantos, a transforma&#231;&#227;o da sabedoria em &#8220;enrolar a l&#237;ngua&#8221; para impressionar ne&#243;fitos, como confessado por outros estudiosos do pr&#243;prio meio. O resultado, sentencia o autor, &#233; uma pr&#225;tica religiosa que se torna &#8220;deficiente e artificial&#8221;, onde a busca pela autorrealiza&#231;&#227;o individual gera um sem-fim de conflitos, vaidades e dissens&#245;es, num fen&#244;meno que lembra a pulveriza&#231;&#227;o do protestantismo.</p><p>Este n&#227;o &#233; um ensaio para quem busca conforto ou a confirma&#231;&#227;o de suas cren&#231;as. &#201; um ensaio que perturba, que obriga a pensar. A prosa de Aldo dos Santos &#233; direta, sem os artif&#237;cios de uma erudi&#231;&#227;o meramente decorativa, mas densa de observa&#231;&#245;es penetrantes. Ao aplicar o rigor da pentadial&#233;tica a um tema t&#227;o visceral, ele n&#227;o busca destruir, mas compreender. E, ao faz&#234;-lo, presta um servi&#231;o inestim&#225;vel, elevando o debate sobre o Candombl&#233; a um patamar de seriedade filos&#243;fica raramente alcan&#231;ado. &#201; uma obra que, sem d&#250;vida, nasce marcada para a controv&#233;rsia, mas sua honestidade intelectual e sua coragem anal&#237;tica a destinam a perdurar como uma contribui&#231;&#227;o fundamental e indispens&#225;vel.</p><h1>O Candombl&#233; em 6 senten&#231;as</h1><p>Uma defini&#231;&#227;o inicial para o Candombl&#233; &#233; o ponto de partida essencial para chegarmos a conclus&#245;es eficazes sobre esta religi&#227;o. Seu comportamento discreto e o singelo n&#250;mero de membros, disfar&#231;ado pelo anonimato de muitos adeptos, faz com este grupo esteja, entre outros fatores, abaixo do campo das discuss&#245;es cr&#237;ticas, sejam estas favor&#225;veis ou n&#227;o. Se vez ou outra n&#227;o se levantasse a famosa discuss&#227;o acerca da proibi&#231;&#227;o ou da permiss&#227;o do sacrif&#237;cio de animais &#8212; que como veremos &#233; uma discuss&#227;o hist&#233;rica e nada s&#233;ria do ponto de vista social &#8212; o Candombl&#233; jamais seria elevado &#224; uma discuss&#227;o nacional; pelo contr&#225;rio: ficaria nas discuss&#245;es paroquiais, nas brigas entre vizinhos que n&#227;o aceitam o som alto dos atabaques nem das festas p&#250;blicas, no canto dos sambistas e nas teses universit&#225;rias.</p><p>Estimar um n&#250;mero de membros para o Candombl&#233; &#233; imposs&#237;vel. O pr&#243;prio IBGE n&#227;o o distingue da Umbanda. Em 2010 o Brasil contava com quase 589 mil pessoas que diziam pertencer &#224;quelas religi&#245;es. Mas vejam: qualquer n&#250;mero confesso deve ser multiplicado por dois ou tr&#234;s, no m&#237;nimo. Um grande parte dos membros do Candombl&#233; opera em anonimato. Ademais, n&#227;o se pode dizer que um adepto possa ser comparado a um membro de fato, que por sua vez tenha passado pelos ritos inici&#225;ticos dos quais falaremos. Um adepto ao Catolicismo n&#227;o &#233; Cat&#243;lico; e o mesmo se d&#225; quanto &#224;s demais religi&#245;es. A vida de um Pai-de-Santo &#233; mais ocupada por sua clientela fiel do que de fato pelos filhos-de-Santo. Sem entrarmos em m&#233;ritos teol&#243;gicos, n&#227;o podemos descartar aqui a pesquisa incans&#225;vel do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Padre_Quevedo">Padre &#211;scar Gonz&#225;les Quevedo</a>, o qual sempre nos recordou de que, dos pa&#237;ses por que passara, o Brasil era o mais supersticioso de todos. Pode haver d&#250;vidas quanto a isso, o que n&#227;o desmente o fato de que muitos vivem recorrendo &#224; adivinha&#231;&#227;o pelo jogo de b&#250;zios, aos feiti&#231;os etc.</p><h1>Parte 1</h1><h2>I</h2><p>Diz-se que o Candombl&#233; &#233; uma religi&#227;o afro-brasileira. A afirma&#231;&#227;o n&#227;o &#233; precisa, nem apropriada. Na melhor das hip&#243;teses, dir&#237;amos tratar-se de uma religi&#227;o &#224; brasileira, do mesmo modo que n&#227;o se diz que o macarr&#227;o ou a pizza sejam pratos &#237;talo-brasileiros, mas italianos &#224; brasileira &#8212; mais ainda este do que aquele, como bem sabe qualquer paulistano que come pizza de picanha. Sendo assim, o Candombl&#233; &#233; uma religi&#227;o Africana com uma roupagem totalmente brasileira, o que vai da indument&#225;ria de seus fi&#233;is aos pr&#243;prios elementos do culto &#8212; ervas, favas, contas etc. &#8212; muitas existentes na &#193;frica, mas n&#227;o no Brasil; outras at&#233; mesmo extintas.</p><p>A d&#250;vida que haver&#225; de nos acompanhar ao longo desta an&#225;lise, divide-nos entre o que &#233; o Candombl&#233; e o que deveria ser.</p><p>Objetivamente o Candombl&#233; &#233; um culto &#224; ancestralidade. Tomemos alguns argumentos retirados do document&#225;rio <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tlbomZeH_p4">&#8220;Pierre Fatumbi Verger: um mensageiro entre dois mundos&#8221;</a></em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tlbomZeH_p4">,</a> de 2000:</p><blockquote><p><em>&#8220;Na &#193;frica a inicia&#231;&#227;o &#233; um fato muito s&#233;rio e muito complexo, que deve ser heredit&#225;rio, vindo dos mais antigos ancestrais.&#8221; -Babalorix&#225; Tchabassi Amadossi, de Zogbedji.</em></p><p><em>&#8220;Na &#193;frica o Orix&#225; &#233; um ancestral e &#233; ligado ao lugar onde as pessoas vivem, porque toda a gente que vivia nesse lugar antigamente era da mesma fam&#237;lia.&#8221;</em></p><p><em>&#8220;Os Orix&#225;s s&#227;o antepassados divinizados, s&#227;o for&#231;as imateriais [&#8230;].&#8221; - Pierre Verger, Sacerdote de If&#225; e antrop&#243;logo.</em></p></blockquote><p>No Brasil, isso que se disse, &#233; bem diferente sob diversos aspectos, mas aqui, em especial, o culto ao ancestral &#233; praticamente desaparecido, a ponto de n&#227;o ter a for&#231;a suficiente para dar ao Candombl&#233; brasileiro a mesma unidade que d&#225; &#224; religi&#227;o Africana. Aqui a fam&#237;lia &#233; espiritual, forma-se nos terreiros, diferentemente daquelas &#224;s quais Verger se refere, ou mesmo <strong>Tchabassi Amadossi, casado com dezesseis mulheres e com 60 filhos, ou seja, uma vila de familiares.</strong></p><p>O cumprimento do daquilo que se chama <em>Odu</em> &#233; muito importante para se entender o que acontece no Brasil com a religi&#227;o africana. <em>Odu </em>&#233; destino. Na concep&#231;&#227;o do Candombl&#233;, todo indiv&#237;duo, todos os seres, materiais e imateriais, t&#234;m um <em>Odu</em>. Sendo assim, uma vez que a Religi&#227;o, objetivamente considerada, em seus grupos constituintes, por um lado, busca no culto ao Ancestral, como diria Verger, <em>&#8220;ajuda de seus antepassados&#8221;</em>, por outro lado esfor&#231;a-se para a plena realiza&#231;&#227;o do destino. Deste modo, podemos sentenciar que</p><blockquote><p><em><strong>&#8220;O CANDOMBL&#201;, OBJETIVAMENTE CONSIDERADO, &#201; O CUMPRIMENTO DO ODU &#192; ESCUTA DO ANCESTRAL&#8221;</strong></em></p></blockquote><p>Ocorre que nem todos na &#193;frica s&#227;o iniciados nos mist&#233;rios do culto, mas poucos, e estes s&#227;o respons&#225;veis pela prote&#231;&#227;o da fam&#237;lia. Em contraste a isso, temos que:</p><blockquote><p><em>&#8220;Aqui, como n&#227;o tem essa pessoa delegada pela fam&#237;lia, cada pessoa tem de assegurar de fazer o culto individual porque a fam&#237;lia n&#227;o existe mais.&#8221; -Verger.</em></p></blockquote><p>Esta informa&#231;&#227;o nos trar&#225; um novo campo de tens&#227;o, o qual ser&#225; analisado mais adiante.</p><h2>II</h2><p>Podemos posicionar o Candombl&#233; entre as religi&#245;es da Antiguidade, a saber, as religi&#245;es Romana, Grega, Etrusca e Hindu. N&#227;o tenho d&#250;vidas de que Fustel de Coulanges, em sua magn&#237;fica obra <em>&#8220;A Cidade Antiga&#8221;</em>, o colocaria neste quadro de religi&#245;es caso tivesse algum conhecimento a seu respeito. Muitos aspectos que se revelar&#227;o no decurso deste breve estudo mostrar-se-&#227;o claros quanto a isso.</p><p>Estabelecem-se muitas rela&#231;&#245;es neste campo. Os <em>manes </em>e <em>penates</em>, deuses do culto dom&#233;stico, e os <em>deuses da mitologia</em>, mais pr&#243;prios do culto p&#250;blico &#8212; Atena, Afrodite, Hermes, Saturno, V&#234;nus etc. &#8212; equivalem, respectivamente, aos <em>Eguns </em>e aos <em>Orix&#225;s</em>. O <em>Egum</em>, presente no Candombl&#233; em geral, mas de modo particular como elemento do culto privado, assemelha-se aos <em>manes</em> e <em>penates </em>e, tal qual estes, &#233; o esp&#237;rito do antepassado cultuado por uma fam&#237;lia ou um grupo. Os <em>Orix&#225;s</em>, comparados aos deuses da mitologia da Antiguidade, formam o culto p&#250;blico. Deve-se distinguir neste ponto que muitos <em>Orix&#225;s </em>s&#227;o <em>Eguns </em>e andaram sobre terra: <em>Odudu&#225; </em>enquanto Rei de If&#233;, <em>Orani&#227; </em>e <em>Xang&#244; </em>enquanto Reis de Oi&#243; etc.</p><p>Veja-se que no Cristianismo, e j&#225; entre o povo judeu, o culto &#224;s almas tem uma piedade espec&#237;fica. N&#227;o s&#227;o cultuadas como deuses privados ou p&#250;blicos. Recebem ora&#231;&#245;es para chegarem aos c&#233;us; ou chegam aos c&#233;us e seus exemplos de vida, junto ao seu poder intercessor, orientam-nos e nos d&#227;o for&#231;a para vencermos o mundo; ou mesmo este aspecto comunit&#225;rio, o qual se reflete nos mosteiros, onde as regras e vidas dos santos orientam a vida dos consagrados.</p><p>Ancorados neste campo comparativo, apesar da ignor&#226;ncia que possa existir quanto a variedade de religi&#245;es pelo mundo, excetuando, obviamente, os frutos da modernidade, podemos sentenciar que</p><blockquote><p><em><strong>&#8220;O CANDOMBL&#201; &#201; A &#218;NICA REMINISC&#202;NCIA DESPERCEBIDA DAS ANTIGAS RELIGI&#213;ES SEM NADA COM QUE SE LHE POSSA COMPARAR&#8221;</strong></em></p></blockquote><h2>III</h2><p>Sem fazer um julgamento rigoroso, para n&#227;o se dizer que as religi&#245;es africanas ficaram impercept&#237;veis aos olhos do Cristianismo, apesar dos esfor&#231;os mission&#225;rios de um per&#237;odo magno da Evangeliza&#231;&#227;o, o Candombl&#233;, em especial, encontra-se intoc&#225;vel por motivos diversos: o mundo politicamente correto, os movimentos culturais e sect&#225;rios que se camuflam em seu seio com suas ideologias perniciosas, o indiferentismo religioso em face da indisposi&#231;&#227;o entre alguns Padres Cat&#243;licos para com certas pessoas que se dizem Cat&#243;licas e Candomblecistas ao mesmo tempo &#8212; o pr&#243;prio <em>Olu&#244; </em>da Bahia, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Agenor_Miranda">Professor Agenor Miranda Rocha</a>, assim se definia. Tudo isso contribui para que o Candombl&#233; esteja afastado dos di&#225;logos cr&#237;ticos, os quais nem sempre visam sua destrui&#231;&#227;o. At&#233; mesmo os di&#225;logos que se levantaram a seu favor foram suprimidos, como veremos adiante.</p><p>Muitas foram as mazelas que envolveram a vida dos Africanos. Logo no s&#233;culo VII inicia-se a invas&#227;o isl&#226;mica, como bem documenta o historiador franco-senegal&#234;s Tidiane N&#8217;Diaye em seu livro <em><a href="https://www.amazon.com.br/g%C3%A9nocide-voil%C3%A9-Enqu%C3%AAte-historique/dp/207271849X">&#8220;Le g&#233;nocide Voil&#233;&#8221;</a></em>, o que deu in&#237;cio a um ciclo de escravid&#227;o que durou treze s&#233;culos, embora ainda conserve seu legado no Sud&#227;o, marcado por genoc&#237;dio, castra&#231;&#227;o generalizada, escravid&#227;o sexual e toda sorte de tratamento desumano. Gra&#231;as &#224; inf&#226;mia que possibilitou o <em>&#8220;desumano tr&#225;fico dos negros&#8221;</em>, como bem disse o Papa Greg&#243;rio XVI em sua Bula <em><a href="https://www.vatican.va/content/gregorius-xvi/it/documents/breve-in-supremo-apostolatus-fastigio-3-dicembre-1839.html">In Supremo</a></em>, muitos Africanos chegam ao Brasil a partir da segunda metade do s&#233;culo XVI.</p><p>Em 1824, sob a primeira <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm">Constitui&#231;&#227;o pol&#237;tica do Imp&#233;rio do Brasil</a>, d&#225;-se in&#237;cio &#224; liberdade de culto para as demais religi&#245;es, sem que houvesse o sinal vis&#237;vel dos templos. Neste contexto, surgem o Candombl&#233; da Barroquinha em data n&#227;o muito bem estabelecida &#8212; e talvez at&#233; bem antes disso &#8212; a Casa Branca do Engenho Velho em 1830, entre outros posteriores, como o Gantois, <em>Op&#244; Afonj&#225;</em> etc.</p><p>J&#225; no s&#233;culo XX, culminando nos anos 70 e seguintes, o Candombl&#233; come&#231;a a figurar no campo cultural. Jorge Amado, Clara Nunes, Bet&#226;nia, sambistas em geral, entre outros, tornam-se expositores do Candombl&#233;, o que a princ&#237;pio n&#227;o era nada significativo, mas que se torna temer&#225;rio no momento em que a religi&#227;o se torna v&#237;tima da apropria&#231;&#227;o cultural ideol&#243;gica.</p><p>Podemos encontrar dois movimentos sect&#225;rios que se ocultam no Candombl&#233;. Frutos de uma minoria cooptada pela esquerda pol&#237;tica mundial, o movimento negro e o movimento LGBT formam grande corpo dentro desta religi&#227;o. Muitos Pais-de-Santo s&#227;o homossexuais e, entre eles, os travestis t&#234;m grande destaque, os quais muitas vezes se esfor&#231;am para se assemelharem a M&#227;es-de-Santo, o que &#233; motivo burburinhos dentro da pr&#243;pria religi&#227;o. A quest&#227;o aqui n&#227;o &#233; ressaltar a quest&#227;o sexual ou racial, mas mostrar que uma parte consider&#225;vel de seus membros aderem &#224; agenda de esquerda &#8212; e digo consider&#225;vel apesar do fato de eu n&#227;o ter conhecido entre eles algum que se diga de direita. N&#227;o podemos por ora, como n&#227;o iremos de fato, dizer que h&#225; nesse processo uma completa coopta&#231;&#227;o, pois n&#227;o h&#225;. Todavia, a apropria&#231;&#227;o e a intimida&#231;&#227;o por parte da esquerda e sua agenda certamente &#233; algo que nos salta aos olhos.</p><p>H&#225; pouco, em 2018, a Ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber convocou uma <a href="https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/audienciasPublicas/anexo/TranscrioInterrupovoluntriadagravidez.pdf">audi&#234;ncia p&#250;blica</a> para a qual foram convidadas todas as religi&#245;es brasileiras a fim de que se discutisse a quest&#227;o da descriminaliza&#231;&#227;o do aborto, ou ainda, a interrup&#231;&#227;o volunt&#225;ria da gravidez (ADPF 442). O Candombl&#233; n&#227;o enviou nenhum representante. Oras, por que raz&#227;o uma religi&#227;o que possui tantos pros&#233;litos na esfera cultural, de significativa import&#226;ncia para a hist&#243;ria brasileira e que traz no seio tantos membros dos movimentos que mais reivindicam direitos n&#227;o se fez ouvir em um evento de t&#227;o grande relev&#226;ncia nacional? Respondo-lhes: o Candombl&#233; &#233; radicalmente contra o aborto e sua forma&#231;&#227;o pol&#237;tica, social ou mesmo estrutural, faz frente &#224; total coopta&#231;&#227;o ideol&#243;gica, o que n&#227;o inibe uma press&#227;o por parte de seus membros, os quais, <em>intramuros</em>, est&#227;o submetidos ao c&#243;digo moral religioso e &#224; hierarquia religiosa.</p><h2>IV</h2><p>H&#225; importantes princ&#237;pios morais entre os Candomblecistas. Entre eles podemos destacar os que tocam o aborto e o incesto, sendo este &#250;ltimo de car&#225;ter espiritual. Segundo a Mitologia, o primeiro <em>Orix&#225; </em>a conceder os ritos inici&#225;ticos a um ser humano foi <em>Oxum</em>, a fim de que pudessem servir para a incorpora&#231;&#227;o dos <em>Orix&#225;s</em>. <em>Oxum</em>, por sua vez, &#233; o Orix&#225; da fertilidade e da maternidade. Por ser a grande m&#227;e do &#8220;Povo-de-Santo&#8221;, a realiza&#231;&#227;o de um aborto atrai sobre os homens a ira de <em>Oxum</em>, sendo essa uma enorme <em>quezila </em>para os candomblecistas, ou seja, algo que &#233; indiscutivelmente proibido por causar grave ofensa ao <em>orix&#225;</em>.</p><p>O incesto ao qual nos referimos h&#225; pouco trata da rela&#231;&#227;o entre as pessoas iniciadas pelo mesmo sacerdote, portanto, &#8220;irm&#227;os de santo&#8221;. Esta situa&#231;&#227;o &#233; mal vista e indesejada no Candombl&#233;, sendo admitida apenas em situa&#231;&#245;es incontorn&#225;veis, ou talvez nem isso.</p><p>O Candombl&#233;, em sua organiza&#231;&#227;o pol&#237;tica, &#233; uma estrutura Mon&#225;rquica. Toda a autoridade pertence ao Sacerdote-chefe do terreiro. Esta posi&#231;&#227;o tamb&#233;m se compara &#224; posi&#231;&#227;o do <em>Rex</em> das religi&#245;es antigas, conforme tratamos anteriormente. O conceito de tirania na Antiguidade, em nada se compara ao conceito dos tempos hodiernos. Chamar a algu&#233;m tirano, tinha por objetivo n&#227;o fazer uso da palavra Rei. O Rei exercia o poder <em>temporal e espiritual</em>. Dentro do Candombl&#233; conserva-se esse car&#225;ter. Dentro de sua estrutura, os Pais de Santo exercem total autoridade.</p><p>H&#225; grande diversidade de cargos sacerdotais no Candombl&#233;. Para darmos aqui um breve escopo de sua forma&#231;&#227;o hier&#225;rquica, valhamo-nos dos mais cl&#225;ssicos e comuns.</p><p>Conforme dissemos, do Chefe do terreiro brota toda a autoridade e estes podem delegar desta autoridade aos que lhe s&#227;o inferiores na hierarquia. T&#227;o logo um indiv&#237;duo chega ao Candombl&#233;, por meio do jogo de b&#250;zios que o Pai de Santo lhe faz, chega-se a alguns esclarecimentos: qual seu <em>Orix&#225; </em>protetor e se ele tem o <em>dom da incorpora&#231;&#227;o</em>. Esclarecidos estes pontos, seguem-se duas vertentes:</p><p>1&#170; &#8212; a pessoa capaz da incorpora&#231;&#227;o se torna <em>Abi&#227;</em>, ou seja, um aprendiz, que vive um per&#237;odo de assimila&#231;&#227;o ao ambiente, de discernimento religioso. Ap&#243;s passar pelos ritos de inicia&#231;&#227;o, ele se torna um <em>yaw&#244;</em>, filho de Santo, <em>irm&#227;o mais novo</em>, e caminhar&#225; em dire&#231;&#227;o &#224; maioridade espiritual. Quando chega aos sete anos de iniciado, atinge-se a maioridade e a&#237; h&#225; duas possibilidades. A primeira &#233; que n&#227;o receba o direito de ter seu pr&#243;prio terreiro e, sendo assim, permanecer&#225; no terreiro como <em>Egbomi</em>, irm&#227;o mais velho, na alta hierarquia, com poss&#237;veis cargos internos. A segunda possibilidade &#233; que receba seus direitos e tenha seu pr&#243;prio terreiro e siga o caminho de seus pais, tornando-se <em>Babalorix&#225;</em>, se homem, ou <em>Yalorix&#225;</em>, se mulher.</p><p>2&#170; &#8212; as pessoas incapazes da incorpora&#231;&#227;o s&#227;o os <em>Ogans </em>e as <em>Ekedjis</em>. Ambos pertencem &#224; alta hierarquia do Candombl&#233; e s&#227;o bra&#231;os direitos dos Chefes de Terreiro, e estes, em certo grau, at&#233; devem respeito &#224;queles. Os <em>Ogans </em>tratam das m&#250;sicas, dos instrumentos e dos sacrif&#237;cios, entre outras fun&#231;&#245;es masculinas. As <em>Ekedjis </em>cuidam dos iniciados, das festas, dos Pais-de-Santo, do funcionamento geral do terreiro.</p><p>Neste ponto, bem entendemos o porqu&#234; de a Religi&#227;o n&#227;o poder ser v&#237;tima de uma plena coopta&#231;&#227;o ideol&#243;gica, embora seus membros, <em>extramuros</em>, possam ser cooptados e se tornarem ativistas; contudo, as qualidades intr&#237;nsecas &#224; sua estrutura, ao seu sistema, impedem uma coopta&#231;&#227;o total, pois isso comprometeria a exist&#234;ncia da pr&#243;pria religi&#227;o. Reforce-se que isso n&#227;o impede alguma apropria&#231;&#227;o ou mesmo alguma intimida&#231;&#227;o, como pensamos ter ocorrido no caso do STF.</p><h2>V</h2><p>Neste ponto, chegamos a campo de tens&#227;o que vai mudar totalmente o car&#225;ter do Candombl&#233; brasileiro. Vejamos esta fala de Verger:</p><blockquote><p><em>&#8220;O Pai de Santo percebe o car&#225;ter da pessoa e d&#225; a defini&#231;&#227;o atrav&#233;s do nome do Orix&#225;.&#8221;</em></p></blockquote><p>Como bem vimos, o Candombl&#233; enquanto religi&#227;o <em>objetivamente considerada</em>, &#233; um culto ao Ancestral. Excetuando raros terreiros, em especial &#224;queles da Ilha de Itaparica, este conceito <em>objetivo </em>j&#225; n&#227;o mais opera. A vida do iniciado consiste em cumprir seu destino e adaptar-se ao longo de uma vida de ascese ao estere&#243;tipo do Orix&#225; que o rege e que por sua vez n&#227;o &#233; seu ancestral. Todo esse sistema deixa de operar <em>objetivamente </em>para se tornar algo <em>subjetivo</em>, ou seja, n&#227;o a religi&#227;o enquanto tal, <strong>mas do modo como &#233; usada em favor dos homens e como eles, conscientes ou n&#227;o, pensam que ela &#233;.</strong> Portanto chegamos a um campo no qual podemos sentenciar que, elevado ao campo da universalidade,</p><blockquote><p><em><strong>&#8220;O CANDOMBL&#201;, DE UM CULTO OBJETIVO &#192; ANCESTRALIDADE, TRANSFORMA-SE EM UM CULTO SUBJETIVO &#192; PERSONALIDADE&#8221;</strong></em></p></blockquote><h1>Parte 2</h1><h2>I</h2><p>Esta &#250;ltima senten&#231;a nos d&#225; base para novos esfor&#231;os intelectuais, os quais nos permitir&#227;o chegar a an&#225;lises mais profundas sobre o Candombl&#233; brasileiro. Retomemos, portanto, que: temos a religi&#227;o, enquanto tal, como um <em>culto &#224; ancestralidade</em> e como <em>culto &#224; personalidade</em>, uma vez despojada de sua base essencial, cujos instrumentos come&#231;am a operar em favor do pr&#243;prio indiv&#237;duo.</p><h2>II</h2><p>H&#225; muitos aspectos que s&#227;o favorecidos no Candombl&#233; em detrimento de outros. O mais gritante nesta mudan&#231;a de paradigma, que traz ao culto um novo car&#225;ter e uma subjetividade contr&#225;ria &#224; religi&#227;o, &#233; o <strong>rompimento com o passado</strong>. Enquanto <em>objetivamente considerado</em>, o Candombl&#233; segue um sentido hist&#243;rico e nele h&#225; um bem comum a se realizar. Na &#193;frica e em raros Candombl&#233;s brasileiros onde se conservou esta tradi&#231;&#227;o, o Ancestral incorpora em um dos fi&#233;is e auxilia a comunidade em suas realiza&#231;&#245;es, como se houvesse uma continua&#231;&#227;o dos seus atos ap&#243;s a morte. Suprimindo-se o ancestral, a religi&#227;o se restringe ao sucesso do iniciado, ou n&#227;o-iniciado, por meio de instrumentos que a pr&#243;pria religi&#227;o oferece, os quais v&#234;m de encontro ao cumprimento do <em>Odu,</em> do destino, vinculado por sua vez ao conjunto de elementos que limitam a personalidade do indiv&#237;duo e seu campo de a&#231;&#227;o, que &#233; a pr&#243;pria vida do <em>Orix&#225; </em>para o qual ele foi iniciado, medindo seus atos sem se afastar dos preceitos estabelecidos, fundamentados nas informa&#231;&#245;es que se t&#234;m sobre o <em>Orix&#225;</em>, como por exemplo seus gostos, suas alegrias, suas tristezas, seus feitos, enfim, toda sua biografia legada pela tradi&#231;&#227;o mitol&#243;gica.</p><p>A perda da tradi&#231;&#227;o oral tamb&#233;m &#233; um fator que contribui para a transforma&#231;&#227;o do Candombl&#233;. O saber que se encontra hoje entre os Pais-de-Santo &#233; incompar&#225;vel ao saber de um <em>Babalawo </em>ou de um <em>Babalossain </em>africano, mas destes pontos trataremos de maneira pormenorizada mais adiante.</p><p>A pr&#225;tica ordin&#225;ria no Candombl&#233; &#233; a dos esfor&#231;os em vista do sucesso no cumprimento do destino e isso implica na <em>despersonaliza&#231;&#227;o do indiv&#237;duo</em> no ato da inicia&#231;&#227;o. A raspagem dos cabelos &#233; o sinal vis&#237;vel desta despersonaliza&#231;&#227;o, seguida do novo nome que a pessoa recebe. Para aqueles que s&#227;o capazes da incorpora&#231;&#227;o, veja-se o que diz Verger:</p><blockquote><p><em>&#8220;As pessoas para receberem o Orix&#225; t&#234;m de receber uma inicia&#231;&#227;o. As pessoas perdem completamente a no&#231;&#227;o do que elas s&#227;o [&#8230;] n&#227;o sabem nada, n&#227;o s&#227;o capazes de falar, n&#227;o se lembram de qualquer coisa que t&#234;m e come&#231;am a seguir sua tend&#234;ncia e essas tend&#234;ncias s&#227;o precisamente as do Santo.&#8221;</em></p></blockquote><p>Esta nova vida &#233; marcada por uma s&#233;rie de pr&#225;ticas, as quais determinar&#227;o seu bom cumprimento. As <em>quezilas </em>que mancham a vida do indiv&#237;duo, que atraem a ira do Orix&#225;, ou mesmo algum <em>Odu</em> que se mostre negativado, ou seja, impedido por algum motivo de se realizar positivamente, exigem um <em>Eb&#243;</em>, ou seja, uma oferenda, conforme veremos mais minuciosamente adiante.</p><p>Tamb&#233;m h&#225; as <em>obriga&#231;&#245;es </em>religiosas que marcam certos per&#237;odos da vida do iniciado. Estas <em>obriga&#231;&#245;es </em>consistem em um per&#237;odo de recolhimento no terreiro, durante o qual se realizam sacrif&#237;cios, rituais, ora&#231;&#245;es, seguidas ou n&#227;o de uma festa p&#250;blica. Estas <em>obriga&#231;&#245;es </em>ocorrem, de modo geral, quando se completam 1, 3 e 7 anos de inicia&#231;&#227;o. Ap&#243;s isso, de sete em sete anos realizam-se grandes festas que marcam o fim dos ciclos de 7, 14, 21 e 28 anos, e assim por diante, at&#233; a morte, quando se realiza a &#250;ltima <em>obriga&#231;&#227;o</em>.</p><p>Na a realiza&#231;&#227;o do destino incluem-se, inevitavelmente, as realiza&#231;&#245;es das vontades do indiv&#237;duo. Para isso muitas vezes recorre-se aos feiti&#231;os. A manipula&#231;&#227;o da realidade est&#225; sempre presente na vida destas pessoas.</p><p>Mas o cumprimento do destino est&#225; ligado sobretudo &#224; vontade o <em>Orix&#225;</em>, seja esta vontade dada pelo pr&#243;prio <em>Orix&#225;</em> no ato da incorpora&#231;&#227;o ou expressada por ele atrav&#233;s jogo de b&#250;zios.</p><p>Neste ponto, torna-se mais estreito e conflitante o campo das tens&#245;es, pois, se n&#227;o h&#225; a vontade do <em>Orix&#225; </em>ancestral, posto que n&#227;o h&#225; seu culto, o que representa esta incorpora&#231;&#227;o? Sentenciemos, pois, que</p><blockquote><p><em><strong>&#8220;O ESTADO DE INCORPORA&#199;&#195;O &#201; A EXPRESS&#195;O DA FORMA IDEAL PERFEITA DA PERSONALIDADE&#8221;</strong></em></p></blockquote><p>&#201; partir deste momento que passamos a perceber com maior clareza que <em>os aspectos subjetivos sobrep&#245;em os objetivos</em>, formando assim uma religi&#227;o de car&#225;ter subjetivo por excel&#234;ncia.</p><h2>III</h2><p>Conforme vimos anteriormente, h&#225; fatores que operam em detrimento de outros no Candombl&#233;. Por isso, analisemo-los com maior rigor e vejamos at&#233; que ponto eles resistem. Falamos, por exemplo, sobre o rompimento com o passado e a tradi&#231;&#227;o oral. Vejamos bem este ponto.</p><p>Muitos Candombl&#233;s surgem pelas esquinas como frutos de dissen&#231;&#245;es, as mesmas que afligem o Protestantismo, o qual, por sua vez, tamb&#233;m n&#227;o possui uma unidade nem um chefe supremo. Filhos-de-santo brigam com seus Pais de Santo; outros pagam para serem iniciados; com outros sabe-se l&#225; o que se passa, e &#233; melhor n&#227;o nos aprofundarmos na mis&#233;ria que alcan&#231;a esta religi&#227;o. Inevit&#225;vel &#233; que a mis&#233;ria do orgulho e da vaidade atinja a todas as religi&#245;es. Considerando estes infort&#250;nios, com qual passado estariam rompendo? Oras, com nenhum. E at&#233; mesmo alguns Candombl&#233;s h&#225; mais tempo erigidos afastam-se da tradi&#231;&#227;o no tempo, devido aos v&#225;rios fatores que enumeramos quando tratamos de sua evolu&#231;&#227;o hist&#243;rica. <strong>N&#227;o h&#225; ancestral, n&#227;o h&#225; bem comum</strong>. Que resta, ent&#227;o, em face do individualismo e do culto &#224; personalidade?</p><p>O Candombl&#233; no Brasil sobrevive com uma tradi&#231;&#227;o Africana muito deficiente. Os <em>Odu, </em>os mitos, os feiti&#231;os, as cantigas, tudo se encontra ou deformado, ou aleijado ou totalmente usurpado.</p><p>O Jogo de B&#250;zios absorveu o <em>Opel&#233;</em>, que &#233; um colar capaz de oferecer configura&#231;&#245;es em suas quedas tais quais, como bem descreveremos mais adiante, as quedas dos b&#250;zios, e esta absor&#231;&#227;o causou uma queda brusca no n&#250;mero de mitos que compunham o corpo de <em>Odu. </em>O maior <em>Olu&#244; </em>(que significa &#8220;aquele que v&#234;&#8221;, &#8220;que tem a vis&#227;o&#8221;)<em> </em>do Brasil, ou seja, o maior especialista em b&#250;zios no Brasil, Agenor Miranda Rocha, elenca em seu livro <em><a href="https://www.amazon.com.br/Caminhos-Odu-Agenor-Miranda/dp/853470273X">&#8220;Caminhos de Odu&#8221;</a></em> setenta e dois mitos divididos entre quatorze dos 16 <em>Odu </em>representados nos 16 b&#250;zios que comp&#245;em o jogo<em>. </em>Ora, no mesmo livro, ele recorda que ao todo, h&#225; duzentas e cinquenta e seis combina&#231;&#245;es poss&#237;veis. Duzentos e cinquenta e seis <em>Odu,</em> cada um com seu n&#250;mero espec&#237;fico de mitos que nem mesmo um <em>Babalawo </em>africano &#233; capaz de conhecer por completo. &#201; claro que nem mesmo o sistema mais simples &#233; usado no Brasil. Na verdade, muito se v&#234; por a&#237; jogarem os b&#250;zios com a mais suposta <em>intui&#231;&#227;o sensitiva</em>. Sobre maiores detalhes em rela&#231;&#227;o ao jogo de b&#250;zios e sua evolu&#231;&#227;o, leia-se <em><a href="https://www.goodreads.com/book/show/15769936-o-jogo-de-b-zios">&#8220;O jogo de b&#250;zios: um estudo sobre a adivinha&#231;&#227;o no Candombl&#233;&#8221;</a></em>, escrito pelo antrop&#243;logo J&#250;lio Santana Braga, o qual foi sua tese de Doutorado na Universidade Nacional do Zaire.</p><p>Quanto ao conhecimento sobre as ervas, muito tamb&#233;m se perdeu. As plantas na &#193;frica n&#227;o s&#227;o simplesmente utilizadas nos atos religiosos, mas possuem, cada uma, um <em>of&#243;, </em>um encantamento que consiste em uma frase curta de f&#225;cil memoriza&#231;&#227;o, muitas vezes po&#233;ticas, as quais expressam as qualidades das plantas. O melhor trabalho apresentado ao Brasil foi livro de Pierre Fatumbi Verger intitulado <em><a href="https://www.lojapierreverger.org.br/ewe-o-uso-das-plantas-na-sociedade-ioruba">&#8220;Ew&#233;: o uso das plantas na sociedade iorub&#225;&#8221;.</a></em> Verger levantou para a pesquisa 3.529 plantas. Pensemos, portanto, em 3.529 <em>of&#243; </em>inclu&#237;dos na tradi&#231;&#227;o oral. Devo ressaltar que n&#227;o se trata de um livro de grande valor moral, pois nele h&#225; os feiti&#231;os mais s&#243;rdidos poss&#237;veis.</p><p>No Brasil, o rito das folhas &#233; conhecido por <em>Sassanha</em>, dedicado a Ossain, o <em>Orix&#225; </em>das folhas. Longe de se encantarem todas as folhas com seus respectivos <em>ef&#243;, </em>apresentam-se estas folhas ao pr&#233;-iniciado, as quais, em parte, s&#227;o depositas em um cesto enquanto outra parte &#233; macerada em um pil&#227;o, e que por sua vez servir&#227;o para formar o banho de ervas que o indiv&#237;duo usar&#225; em seus banhos ao longo dos dias de recolhimento para a inicia&#231;&#227;o. Todos os <em>ef&#243; </em>s&#227;o reduzidos a alguns cantos que s&#227;o entoados durante o rito da <em>Sassanha</em>.</p><p>A m&#250;sica comp&#245;e a deformidade mais exposta de todas dentro do Candombl&#233;. Raras pessoas, poucas, quase nenhuma, sabem o que cantam ou rezam. Quanto a este ponto, evoquemos as palavras de Altair T&#8217;Ogum, o qual foi professor de Inicia&#231;&#227;o &#224; linguagem Iorub&#225; na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, retiradas de seu livro <em><a href="https://doceru.com/doc/x1cv1e8">&#8220;Nkorin S&#8217;awon &#210;ris&#224;: cantando para os Orix&#225;s&#8221;</a></em>:</p><blockquote><p><em>&#8220;Curioso que sempre fui desde crian&#231;a, ao ouvir as rezas e cantigas (gb&#224;d&#250;r&#224; &#224;ti orin &#210;r&#236;s&#224;), fazia perguntas para saber os significados destas. No entanto, quando n&#227;o obtinha uma evasiva do tipo: &#8216;voc&#234; ainda &#233; muito novo para saber isso&#8217; ou, &#8216;todo mundo canta assim e isto n&#227;o se traduz&#8217;, ou, ainda, &#8216;isto &#233; segredo que s&#243; ap&#243;s &#8216;x&#8217; anos voc&#234; saber&#225;&#8217;, n&#227;o obtinha respostas, coisas que nunca engoli, e que me provocavam grande insatisfa&#231;&#227;o, causando-me mal-estar por ser considerado &#8216;curioso&#8217;. [&#8230;] verifiquei que muitas cantigas nossas s&#227;o cantadas com palavras erradas ou simplesmente express&#245;es, onomatopaicas, isto &#233;, apenas imitando sons, ou somente tem som, mas sem letra nem sentido, o que, muitas das vezes, n&#227;o passa de &#8216;enrolar a l&#237;ngua&#8217;, apenas para dar um falso ar de conhecimento para impressionar as pessoas rec&#233;m ou n&#227;o iniciadas, como se estivessem sendo ditas coisas importantes (o que deveria s&#234;-lo na verdade, mas que, certamente, a grande maioria n&#227;o sabe o que quer dizer ou o que diz ao cantar) quando, na verdade, o vocabul&#225;rio destas pessoas (entre as quais eu tamb&#233;m j&#225; estive) resume-se a algumas palavras soltas, numa mistura de Yor&#249;b&#225;, F&#243;n, e Kimbundu, formado uma grande miscel&#226;nea.&#8221;</em></p></blockquote><p>N&#227;o &#233; dif&#237;cil ver que o Candombl&#233; tamb&#233;m &#233; afetado por esse fen&#244;meno no qual a ignor&#226;ncia &#233; fonte de autoridade.</p><p>Poucas, embora significativas, foram as tentativas de se restaurar a tradi&#231;&#227;o do Candombl&#233;, todavia, a vaidade e o orgulho dos Pais-de-Santo, a indisposi&#231;&#227;o para renunciar ao erro, condenaram obras como as de Verger e de Altair T&#8217;Ogum ao ostracismo.</p><p>Por fim, entre os <em>aspectos atualizados</em> na pr&#225;tica do Candombl&#233; brasileiro fica a incorpora&#231;&#227;o, fato que haveremos de analisar a partir de agora.</p><p>Poucos querem se lembrar de uma fala de Pierre Fatumbi Verger e quando se lembram tentam-na distorcer e justificar de todo o modo, como que num processo de autoafirma&#231;&#227;o do tipo <em>&#8220;Ah, ele dizia isso mas n&#227;o era verdade, ele acreditava sim, era o que mais acreditava entre todos os seres do universo etc.&#8221;</em> Trata-se, pois, da seguinte afirma&#231;&#227;o:</p><blockquote><p><em>&#8220;Para mim n&#227;o &#233; incorpora&#231;&#227;o, mas uma manifesta&#231;&#227;o da nossa verdadeira natureza; uma possibilidade de esquecer todas as coisas que n&#227;o t&#234;m nada a ver com voc&#234;. Fica a pessoa que voc&#234; era antes de aprender estas estupidezes de nacionalidade e outros comportamentos.&#8221;</em></p></blockquote><p>Sem tentarmos analisar o que de fato seria este estado ap&#225;trida, que deseja esquecer <em>estupidezes de nacionalidade</em>, reforcemos nossa tese, robustecida por esta cita&#231;&#227;o, de que n&#227;o se trata de incorpora&#231;&#227;o o transe sob o qual muitos se colocam no Candombl&#233;. Neste caso, em que consiste este estado, bem j&#225; o definimos na &#250;ltima senten&#231;a, portanto, agora, resta-nos especificar como se d&#225; este estado. Para isso precisaremos analisar o processo de inicia&#231;&#227;o e os fatos que o comp&#245;em. Tratarei com brevidade sobre este ponto, mas nada disso &#233; segredo, e por dois motivos: o primeiro &#233; porque esses ritos variam abundantemente de terreiro para terreiro; o segundo &#233; porque o assunto encontra-se muito bem documentado e, neste caso, para maiores detalhes sobre a inicia&#231;&#227;o no Candombl&#233;, indico que se leia o livro <em>&#8220;<a href="https://books.google.com.br/books/about/El%C3%A9g%C3%B9n.html?id=pLmu-JwtSMIC&amp;redir_esc=y">El&#233;g&#249;n: inicia&#231;&#227;o no Candombl&#233;</a>&#8221;</em>, de Altair T&#8217;Ogun e prefaciado por ningu&#233;m menos que o Professor Agenor Miranda Rocha.</p><p>O processo de inicia&#231;&#227;o &#233; exaustivo, atordoante e at&#233; doloroso. Para muitos &#233; raz&#227;o de esgotamento f&#237;sico e mental. Quando a pessoa &#233; dada como <em>Ogan </em>ou <em>Ekedji</em>, n&#227;o tanto, mas quando a pessoa deve incorporar o <em>Orix&#225;</em>, a coisa muda de figura.</p><p>Recolhe-se o <em>abi&#227; </em>para a inicia&#231;&#227;o em um quarto isolado dentro do terreiro, o <em>ronc&#243;</em>. As qualidades deste quarto podem variar. &#192;s vezes s&#227;o amplos, arejados e recebem a claridade do sol, mas em muitos, como j&#225; me testemunharam pessoalmente, podem ser extremamente pequenos, medindo o suficiente para caber uma pessoa deitada e alguns objetos ao redor. &#192;s vezes n&#227;o recebem a luz do dia e devido ao fato de o processo de inicia&#231;&#227;o durar entre 14 e 21 dias, mesmo que houvesse a luz sol, apenas os mais fortalecidos mentalmente seriam capazes de n&#227;o perder a no&#231;&#227;o do tempo. Dorme-se, ao longo destes dias, no ch&#227;o sobre uma esteira de palha. Acorda-se ainda pela madrugada para as rezas e os banhos. Esses banhos podem variar em todos os aspectos, mas tornam-se mais penitenciais, por assim dizer, conforme a dificuldade da pessoa de entrar em transe. Esses banhos podem ser quentes, mornos ou gelados &#8212; em alguns casos enriquecidos de pedras de gelo; podem ser perfumados, compostos por ervas e favas, ou tamb&#233;m podem ser malcheirosos, como por exemplo o <em>ab&#244;, </em>que &#233; um macerado de ervas envelhecidas, guardado em pote <em>ad eternum, </em>e que conforme se esgota, &#233; completado com mais ervas maceradas. Comp&#245;em o <em>ab&#244; </em>partes de certos bichos sacrificados durante os ritos, o que faz com que haja nele muitas prote&#237;nas devido aos vermes e larvas que ali nadam. Em v&#225;rios casos leva-se a pessoa a beber aquilo, mas claro, coa-se-lhe, a fim de diminuir o choque visual. As rezas, os banhos, os ritos que proporcionam esgotamento f&#237;sico, as cantigas entoadas em alto volume, acompanhas de atabaques e <em>adj&#225;s &#8212; </em>uma esp&#233;cie de sino &#8212; tudo isso ocorrendo ora com uma intensidade atormentadora, ora em um tom m&#237;stico a at&#233; mesmo d&#233;bil, por fim, consegue-se levar a pessoa ao estado de transe. Todos esses cantos s&#227;o entoados acima da cabe&#231;a da pessoa deitada em uma posi&#231;&#227;o exaustiva no ch&#227;o, da qual ela n&#227;o pode sair, e tamb&#233;m s&#227;o configurados conforme o Orix&#225; para o qual se inicia esta pessoa. Tendo uma vez entrado em transe, o iniciado facilmente voltar&#225; &#224;quele estado sob o m&#237;nimo comando do Pai-de-Santo. Esse comando pode ser a sauda&#231;&#227;o ao <em>Orix&#225;</em>, um bater de palmas sobre a cabe&#231;a da pessoa etc. Enfim, tem-se, portanto o dom&#237;nio do Pai-de-Santo sobre o Filho-de-Santo. Uma vez em transe, sob aquele estado, a pessoa fica, conforme a cita&#231;&#227;o anterior de Verger, desprendida de todos os seus modos e, ent&#227;o, o Pai de Santo lhe ensinar&#225; novos gestos, dan&#231;as e atos que dever&#225; realizar quando estiver naquele estado.</p><p>Vistos estes fatos todos, uma vez que n&#227;o se tratam de incorpora&#231;&#245;es, resta-nos admitir e sentenciar que</p><blockquote><p><em><strong>&#8220;D&#193;-SE A INCORPORA&#199;&#195;O POR UM PROCESSO HIPN&#211;TICO OBTIDO POR MEIO DA M&#193;XIMA EXAUST&#195;O F&#205;SICA E MENTAL&#8221;</strong></em></p></blockquote><p>At&#233; aqui, vimos, portanto, que n&#227;o obstante o fato de o Candombl&#233; afastar-se de seus elementos essenciais, tamb&#233;m opera em uma estrutura lit&#250;rgica fragilizada. A quest&#227;o da hipnose, por sua vez, n&#227;o deixa de se aplicar aos casos africanos, mas n&#227;o &#233; t&#227;o grave, afinal, estaria fortalecida pela sabedoria e pelo desejo de realiza&#231;&#227;o do bem comum expressado pela pessoa que &#8220;incorpora&#8221; o ancestral.</p><p>Unificados estes fatos, podemos sentenciar que:</p><blockquote><p><em><strong>&#8220;O CANDOMBL&#201;, SUBJETIVAMENTE PRATICADO, &#201; DEFICIENTE E ARTIFICIAL&#8221;</strong></em></p></blockquote><h2>IV</h2><p>Visto de fora, muitos s&#227;o os <em>elementos vis&#237;veis</em> do Candombl&#233; que merecem uma certa aprecia&#231;&#227;o, algo que faremos neste ponto.</p><p>O <em>Xir&#234;</em>, os sacr&#237;ficios, os <em>Ibg&#225;s</em>, o jogo de b&#250;zios e os <em>eb&#243;s </em>s&#227;o elementos observados &#224; primeira vista por todos os membros e n&#227;o-membros do culto. Vejamos, pois, do que se tratam estes elementos e o que se esconde por tr&#225;s deles.</p><p>O <em>Xir&#234; </em>&#233; a festa p&#250;blica, aquela t&#227;o bem noticiada e que atrai muitos observadores. D&#225;-se sempre ap&#243;s as inicia&#231;&#245;es e, neste caso, conhece-se por &#8220;sa&#237;da de Yaw&#244; ou de Ogan e Ekedji&#8221;, ou ocorre ap&#243;s as obriga&#231;&#245;es que marcam os ciclos ap&#243;s a inicia&#231;&#227;o. Tamb&#233;m acontece o Xir&#234; durante as festas devocionais.</p><p>Exu &#233; um Orix&#225; que desde a mitologia possui o direito de receber suas oferendas antes das festas e, se assim n&#227;o ocorrer, acredita-se que ele causar&#225; problemas e confus&#245;es nos festejos. Sendo assim, logo antes das festas realiza-se o <em>Ipad&#234;</em>, ou na linguagem vulgar, despacha-se Exu. Sacrificam-lhe um galo, asperge-se seu sangue na porta de entrada, a fim de se barrar a entrada do mal, e oferecem-lhe farofas do lado de fora. Ap&#243;s este rito, preparam-se todos membros para o <em>Xir&#234;</em>. Em roda, dan&#231;a-se ao som dos atabaques. Este &#233; o momento em que os <em>Orix&#225;s </em>v&#234;m &#8220;passear na terra e conviver com os homens&#8221;. Realizam-se ent&#227;o atos que rememoram suas passagens mitol&#243;gicas. Protagonizam guerras os <em>Orix&#225;s </em>guerreiros, como <em>Ogun</em>, <em>Xang&#244;</em>, <em>Ob&#225;</em>. Esta &#250;ltima cobre uma das orelhas, pois a perdeu devido &#224; uma fa&#231;anha de <em>Oxum</em>, e assim por diante. A indument&#225;ria tamb&#233;m traz sua simb&#243;lica. <em>Xang&#244; </em>traz seu machado, <em>Ogum </em>sua espada, <em>Oxum </em>seu espelho, no qual contempla sua beleza e v&#234; o que se passa &#224;s suas costas etc. As cores est&#227;o relacionadas aos <em>Orix&#225;s</em>, assim como os colares de contas que contornam os pesco&#231;os de todos.</p><p>Por tr&#225;s desta cena, h&#225; outros elementos n&#227;o muito nobres. N&#227;o era de se esperar que um culto &#224; personalidade, formado por pessoas que buscam a autorrealiza&#231;&#227;o, indiferentes ao bem comum que h&#225; culto ancestral, deixasse ter sua dose de hostilidade. A disputa de egos &#233; imensa nessas festas. Muitos se pavoneiam com a mera inten&#231;&#227;o de exibir suas roupas caras, suas rendas <em>Richilieu</em>, seus colares de alabastro etc. Pois sim, o Candombl&#233; &#233; uma religi&#227;o cara e perdul&#225;ria. Uma inicia&#231;&#227;o pode custar deste R$1.500,00 at&#233; sabe-l&#225;-Deus quanto.</p><p>Outro aspecto vis&#237;vel no Candombl&#233; e muito controverso &#233; o sacrif&#237;cio. Mas lhes confesso: &#233; muito muito barulho por nada. O alimento dos deuses &#233; o alimento dos homens. Os bichos sacrificados s&#227;o comidos nas festas e aos deuses s&#227;o oferecidos apenas v&#237;sceras, patas, cabe&#231;as e pontas de asas, coisas que a maioria das pessoas n&#227;o come normalmente. O &#226;nimo elevado das discuss&#245;es d&#225; a impress&#227;o de que o bicho &#233; esquartejado, tendo suas partes penduradas como se fosse um Tiradentes. De fato, devemos fazer uma ressalva: h&#225; uns poucos rituais que envolvem o uso integral do animal, mas n&#227;o chega ao ponto de se generalizar a quest&#227;o nesta an&#225;lise concernente a este assunto espec&#237;fico, afinal, posteriormente daremos mais not&#237;cias em rela&#231;&#227;o ao tema do sacrif&#237;cio e as oposi&#231;&#245;es &#224; esta pr&#225;tica que existem dentro do pr&#243;prio Candombl&#233;, embora sejam totalmente ignoradas.</p><p>Os <em>Igb&#225;</em>, por sua vez, s&#227;o aqueles alguidares ornamentados com ferramentas diversas que vemos em destaque nos candombl&#233;s. Eles representam o pr&#243;prio o <em>Orix&#225;</em>. Dentro deles h&#225; uma pedra na qual o <em>Orix&#225; </em>encontra-se encantado, ou, como alguns menos sens&#237;veis preferem dizer, &#233; onde o <em>Orix&#225; </em>est&#225; aprisionado. Sobre esta pedra asperge-se o sangue dos animais que lhes s&#227;o ofertados e ao redor p&#245;em as comidas prediletas do <em>Orix&#225;</em>.</p><p>O jogo de b&#250;zios envolve outros pontos que completam nosso entendimento a seu respeito, pois trata-se do principal modo de se dialogar com os <em>Orix&#225;s</em>.</p><p>Muitos Pais-de-Santo fazem a vida financeira jogando b&#250;zios. A maioria dos adeptos do Candombl&#233; busca apenas sess&#245;es adivinhat&#243;rias. &#201; claro que o futuro est&#225; vedado aos homens e o que se define por adivinha&#231;&#227;o, na realidade est&#225; <em>no campo das</em> <em>possibilidades e das probabilidades</em>.</p><p>A habilidade desenvolvida h&#225; mil&#234;nios no Candombl&#233; de se compreender as diversas personalidades, ou seja, sua caracterologia, &#233; altamente aprimorada. A defini&#231;&#227;o do <em>Orix&#225; </em>de uma pessoa come&#231;a a partir da observa&#231;&#227;o das suas caracter&#237;sticas f&#237;sicas e de seus modos. A partir da&#237; o Pai-de-Santo j&#225; cria um campo de possibilidades. Depois de poucos minutos de conversa ou de conv&#237;vio, facilmente percebe-se o temperamento e esta &#233; a chave da descoberta. Atrav&#233;s dos temperamentos torna-se muito f&#225;cil de se separar as qualidades de <em>Orix&#225;s</em>. Definido o <em>Orix&#225;</em>, estipula-se o campo de a&#231;&#227;o da pessoa com maior facilidade, encerrando nisso um quadro de possibilidades no campo das a&#231;&#245;es. Por exemplo, &#233; f&#225;cil que um filho de <em>Xang&#244; </em>sofra com as consequ&#234;ncias da soberba e do orgulho; ou que um filho de <em>Yemanj&#225; </em>sofra de neuroses, dores de cabe&#231;a, afli&#231;&#245;es e com indiferen&#231;a dos filhos; ou que um filho de <em>Ogun </em>esteja envolvido em confus&#245;es e brigas etc. O jogo de b&#250;zios est&#225; intimamente ligado com outro elemento do culto que s&#227;o os <em>Eb&#243;s </em>e seguir, descrevemos melhor o sistema dos b&#250;zios junto &#224; explica&#231;&#227;o sobre o que &#233; o <em>Eb&#243;</em>.</p><p>Os <em>Eb&#243;s</em>, vulgarmente conhecido por macumba e despacho, est&#227;o fundamentados nos pr&#243;prios mitos que comp&#245;em as combina&#231;&#245;es do jogo de b&#250;zios. Mostremos um exemplo. Suponhamos que algu&#233;m v&#225; ao jogo de b&#250;zios e, ao serem lan&#231;ados, quinze deles caiam com a parte fechada para cima e um com a parte aberta. Nesse caso &#233; o <em>Odu </em>de n&#250;mero 1 que se manifesta, que fala no jogo. O primeiro <em>Odu </em>&#233; composto de cinco mitos. Caso quem joga os b&#250;zios n&#227;o consiga definir qual dos mitos se assemelha ao caso do consulente, jogam-se cinco b&#250;zios, ou seja, na mesma quantidade dos mitos e, assim, o n&#250;mero de b&#250;zios que ca&#237;rem abertos definir&#227;o o mito a ser escolhido. Podem-se fazer outras confirma&#231;&#245;es a fim de se ter certeza de que aquele &#233; de fato o &#8220;<em>caminho</em>&#8221; para o qual o jogo aponta. Suponhamos, portanto, que nesse caso confirme-se o primeiro mito do primeiro <em>Odu</em>, que se chama <em>Ocar&#227;</em>. O primeiro mito de <em>Ocar&#227; </em>trata-se uma <em>f&#225;bula-mito</em> que narra a hist&#243;ria que aqui resumo:</p><blockquote><p><em>&#8220;Um galo adivinho, o qual &#233; chamado &#224; pelo chefe de uma cidade para lhes trouxesse chuva. Ao chegar na entrada o porteiro o proibiu de entrar. Inflamado de raiva, o galo saca de sua bolsa de porretes um deles espanca o porteiro. Ent&#227;o o porteiro lhe rogou tantas pragas que se iniciou uma chuva. O galo seguiu seu caminho e ao chegar ao chefe foi considerado o her&#243;i respons&#225;vel pela chuva que viera com ele.&#8221;</em></p></blockquote><p>Diante desta hist&#243;ria, conclui-se que o consulente se encontra em perigo iminente e sem tr&#233;gua. O pr&#243;prio mito, como dito acima, sugere o <em>Eb&#243; </em>que deve ser feito para que nada de mal suceda. Neste caso, a oferenda deve ser composta por sete varetas de pau, sete acaraj&#233;s, pois &#233; a comida predileta de <em>Ians&#227;</em>, <em>Orix&#225; </em>das tempestades etc. Sendo assim, o Pai-de-Santo passa os objetos pelo corpo da pessoa, cantando os cantos apropriados, deposita-os no recipiente que escolhe e o entrega, ou melhor, despacha-o, no lugar determinado. Breve e superficialmente nisto consiste o <em>Eb&#243; </em>e as raz&#245;es por que se d&#225;.</p><h1>V</h1><p>A <em>subjetividade </em>do Candombl&#233; acaba inevitavelmente resultando em uma s&#233;ria emula&#231;&#227;o dos h&#225;bitos e dos costumes devido aos esfor&#231;os de se cumprir o destino dado pela pr&#243;pria religi&#227;o. A raspagem dos cabelos e novo nome que se recebe na inicia&#231;&#227;o s&#227;o sinais claros de uma despersonifica&#231;&#227;o e da perda de identidade. A entrada para uma nova fam&#237;lia tamb&#233;m &#233; uma situa&#231;&#227;o delicada. Como naturalmente os homens desejam a beatitude e p&#245;em as quest&#245;es espirituais acima de tudo, em muitos casos troca-se a fam&#237;lia biol&#243;gica pela fam&#237;lia religiosa. Os desgostos familiares e a tristeza dos pais muitas vezes est&#227;o presentes, sobretudo quando h&#225; um choque entre a religi&#227;o dos pais e a religi&#227;o escolhida pelos filhos.</p><p>A mudan&#231;a dos gostos em face das <em>quezilas </em>&#233; inevit&#225;vel. Filhos de <em>Ox&#243;ssi </em>n&#227;o podem mais comer mel, filhas de <em>Yans&#227; </em>n&#227;o podem mais comer ab&#243;bora, filhos de <em>Oxal&#225; </em>n&#227;o podem mais usar preto, enfim, muitas abstin&#234;ncias s&#227;o realizadas para que o Orix&#225; n&#227;o seja ofendido pelas coisas que mais detestam.</p><p>A pratica da feiti&#231;aria tamb&#233;m traz seus efeitos negativos. Esta &#233; uma ocasi&#227;o ideal para os charlat&#227;es e manipuladores. Muitos deles fazem de seus filhos verdadeiras marionetes. H&#225; casos de Pais de Santo que vivem pendurados nas carteiras de seus filhos, causando-lhes v&#225;rios desgostos financeiros, pois nesses casos, n&#227;o exercem um sacerd&#243;cio, mas uma profiss&#227;o.</p><h2>VI</h2><p>Mas muitas s&#227;o as realiza&#231;&#245;es &#224;s quais se pode chegar depois de uma an&#225;lise s&#233;ria destes fatos. Uma boa an&#225;lise de consci&#234;ncia, alguns momentos de sincera medita&#231;&#227;o, levam as pessoas a considerarem muitas das quest&#245;es das quais tratamos.</p><p>A curiosidade sobre o futuro &#233; uma tenta&#231;&#227;o que se imp&#245;em a quase todas as pessoas. Esta especula&#231;&#227;o est&#225; sempre permeada por poucos acertos, muitos erros e as mais ex&#243;ticas explica&#231;&#245;es.</p><p>Outras tens&#245;es tamb&#233;m se encontram na conquista do estere&#243;tipo ideal em detrimento da real conduta. Muitas vezes insurge no indiv&#237;duo uma certa ac&#233;dia, o que lhe causa uma indisposi&#231;&#227;o para assemelhar-se aos aspectos positivos do <em>Orix&#225;</em>. Neste caso, &#233; comum que as pessoas passem a se explicar a partir dos aspectos negativos do <em>Orix&#225;</em>, dizendo por exemplo &#8220;<em>Ah, eu sou golpista mesmo, pois sou filho de Exu</em>&#8221;, ou <em>&#8220;Ah, sou rabugento mesmo, pois sou filho de Oxal&#225;&#8221;</em>, e assim por diante.</p><p>O culto &#224; personalidade <em>ideal </em>condena o livre arb&#237;trio da personalidade <em>real</em> e a cerceia de modo impiedoso.</p><p>N&#227;o podemos, a esta altura, deixar de perceber que <strong>o cumprimento do destino humano dentro do Candombl&#233; &#233; imposs&#237;vel sem os elementos do culto objetivo</strong>. Os ancestrais, os mitos, a tradi&#231;&#227;o e a sabedoria orais, enfraquecem esta busca ao passo que s&#227;o elementos vitais para uma conquista sadia, a qual se torna vazia e sem um sentido elevado.</p><h2>VII</h2><p>No caso da previs&#227;o do futuro da qual falamos, sempre que uma n&#227;o d&#225; certo, ap&#243;s um pequeno inqu&#233;rito, o vidente vai apontar algo que a pessoa fez como raz&#227;o para o curso dos fatos ter mudado e n&#227;o ter logrado &#234;xito a previs&#227;o. J&#225; os iludidos, apesar dos v&#225;rios desacertos, mediante o m&#237;nimo acerto sentem-se pasmos, abismados e impressionados.</p><p>Em muitos casos a realidade se imp&#245;e contr&#225;ria aos desejos, ou mesmo favor&#225;vel sem que se perceba. Pode-se querer fazer-se apaixonar algu&#233;m que j&#225; se encontra apaixonado, ou desejar o &#243;dio de uma m&#227;e por um filho que muito ama. Neste caso, a realidade sempre falar&#225; mais alto. Lembremo-nos de J&#243;. Ap&#243;s a permiss&#227;o de Deus, Satan&#225;s iniciou sua costumeira obra de destrui&#231;&#227;o na vida deste servo. Contudo a condi&#231;&#227;o de Deus era a de que J&#243; n&#227;o fosse tocado. Sendo assim, Satan&#225;s lhe tomou tudo: bens, fam&#237;lia, cria&#231;&#245;es, mas o servo de Deus permaneceu inc&#243;lume, pois assim se colocava a realidade imposta por Deus.</p><p>A obsess&#227;o por se manipular os atos humanos pode ser fonte de muitas ang&#250;stias e neuroses. A pessoa fixa sua aten&#231;&#227;o neste ponto de modo a se estreitar a percep&#231;&#227;o da realidade ao seu redor.</p><p>Tudo isso se d&#225; em um ambiente no qual impera a vontade do <em>Orix&#225;</em>, seja por senten&#231;a direta dele mesmo no ato da incorpora&#231;&#227;o, ou mesmo por meio do jogo de b&#250;zios. Neste &#250;ltimo caso, s&#227;o in&#250;meras as emboscadas em que muitos caem, afinal, nem sempre &#233; a vontade do <em>Orix&#225; </em>e sim a do Pai-de-Santo.</p><p>No que diz respeito ao fato se assumir a nova vida e cumprir o <em>Odu, </em>h&#225; fatores que dificultam este processo. A aus&#234;ncia dos mitos para a forma&#231;&#227;o do imagin&#225;rio &#233; importante fonte de inspira&#231;&#227;o; as diferen&#231;as sociais que podem significar muito nesses casos. Por exemplo, o orgulho e a pujan&#231;a de <em>Xang&#244; </em>justificavam-se com o fato de que ele era Rei. Outra coisa, tamb&#233;m, &#233; o p&#233;ssimo car&#225;ter de alguns orix&#225;s. <em>Exu</em> com suas perip&#233;cias, <em>Xang&#244; </em>com sua poligamia, <em>Ogum </em>que estuprou <em>Ob&#225; </em>e matou seus s&#250;ditos durante um acesso de raiva, entre v&#225;rios outros aspectos que em nada incentivam os homens de serem como os deuses.</p><p>Outra quest&#227;o &#233; o car&#225;ter do sacerdote. Muitas vezes isso &#233; causa de agonia para os filhos. A lux&#250;ria, a imoralidade, a lasc&#237;via, a falta de valores morais, n&#227;o deixam de assolar grande parte desses ambientes.</p><p>De modo geral, o pre&#231;o de se agradar aos <em>Orix&#225;s </em>&#233; muito alto em v&#225;rios aspectos.</p><p>Mas a quest&#227;o mais s&#233;ria desta an&#225;lise toda &#233;: qual o valor de tudo isto? De que vale toda esta ren&#250;ncia quando n&#227;o h&#225; a m&#237;nima possibilidade de um futuro celeste? Pois numa comunidade em que existe o culto ao <em>Egum </em>a pessoa tem a esperan&#231;a de, ap&#243;s a morte, recome&#231;ar sua vida e auxiliar a sua gente, dar continuidade aos seus projetos. Suprimir a vida ap&#243;s a morte &#233; um gesto impiedoso e inaceit&#225;vel, sobretudo quando h&#225; uma vis&#227;o ortodoxa a este respeito. Nesta quest&#227;o, vale-nos as palavras de Altair T&#8217;Ogun em seu livro &#8220;<em><a href="https://doceru.com/doc/sc18en0">Axex&#234;: o rein&#237;cio da vida</a></em>&#8221;:</p><blockquote><p><em>&#8220;Mas, em geral, &#201;&#233;gun ou Eg&#250;ng&#250;n s&#227;o esp&#237;ritos dos nossos antepassados, entes queridos de nossas fam&#237;lias que viveram antes de n&#243;s ou at&#233; mesmo contempor&#226;neos que ao falecer, de acordo com a vida regrada e disciplinada que tiveram tornam-se um &#8216;Ancestral&#8217;&#8221;</em></p></blockquote><p>N&#227;o nos resta d&#250;vida de que a supress&#227;o do ancestral &#233; a ascens&#227;o da indiferen&#231;a, a perda do valor da pr&#243;pria vida, onde a alma n&#227;o tem valor nem merece respeito.</p><h2>VIII</h2><p>Existem ainda outros campos nos quais se travam grandes conflitos. Os poucos sucessos e as muitas frustra&#231;&#245;es na espera de um futuro hipot&#233;tico &#233; uma quest&#227;o que sempre estar&#225; se <em>atualizando com novos dados e sob novos aspectos</em>. O mesmo se d&#225; em rela&#231;&#227;o &#224; magia e sempre haver&#225; um grande esp&#237;rito conflitante entre cren&#231;a e descren&#231;a, afinal, conforme dissemos acima, a realidade pode estar ou n&#227;o a favor de quem pratica a magia.</p><p>Todos estes pontos que levantamos at&#233; aqui conduzem a pessoa &#224; uma grande perda de dom&#237;nio da pr&#243;pria vida. O culto &#224; personalidade, o abandono da identidade real, a perda dos costumes, a tentativa de manipula&#231;&#227;o do destino, tudo isso leva o indiv&#237;duo &#224; uma perda da sensibilidade humana. Somemos aqui a ilus&#227;o quanto a uma f&#233; verdadeira. Embora o Candombl&#233; seja aparentemente uma religi&#227;o polite&#237;sta, os Orix&#225;s est&#227;o submetidos a um deus supremo chamado <em>Olorum</em>, ou <em>Olodumar&#234;</em>. Aqueles que puderam ler o livro <em>&#8220;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Contra_Heresias">Adversus Haereses</a>&#8221;,</em> de Santo Irineu de Lyon, facilmente poder&#227;o fazer uma compara&#231;&#227;o. O Professor Agenor Miranda Rocha tinha uma maneira po&#233;tica de se referir aos <em>Orix&#225;s</em>. Dizia ele serem os <em>Orix&#225;s </em>fragmentos de deus na natureza. Mas n&#227;o &#233; bem assim. <em>Olorum </em>encontra-se em pleroma inacess&#237;vel, &#237;ntegro, e os <em>Orix&#225;s</em> dominam os diversos campos da realidade, ora enquanto <em>Eguns</em>, dotados das mesmas qualidades que tinham em vida, ora enquanto personifica&#231;&#245;es de atividades humanas, sentimentos, reinos da natureza etc.</p><p>Mas se observarmos o Candombl&#233; enquanto culto &#224; personalidade, vemos, al&#233;m do ancestral e sua influ&#234;ncia nas atividades, o pr&#243;prio <em>Olorum </em>relegado ao esquecimento, o que muitas vezes nos leva a um ate&#237;smo muito bem travestido, uma religi&#227;o burocr&#225;tica, cheia de ritos e processos, embora vazia de sentido espiritual.</p><h2>IX</h2><p>Muitas podem ser as decep&#231;&#245;es em rela&#231;&#227;o ao Candombl&#233;, sobretudo quando seus elementos n&#227;o atendem &#224; realiza&#231;&#227;o humana. Em alguns casos, podemos nos deparar com algu&#233;m indiferente &#224; previs&#227;o do futuro, que rejeita a pr&#225;tica da magia. Em muitas ocasi&#245;es a falta de ascese moral &#233; motivo de desilus&#227;o. Oras, nada muito diferente das outras religi&#245;es. Os Cat&#243;licos tamb&#233;m querem Padres santos, o que muitas vezes n&#227;o ocorre, tanto para infelicidade dos bons fi&#233;is quanto para a alegria da turba degenerada que se del&#237;cia em coroar com louros os lobos imorais da F&#233;.</p><p>Adv&#234;m tamb&#233;m muitos choques quando o iniciado demostra uma certa antipatia &#224; pr&#225;tica dos sacrif&#237;cios. Apesar de termos tratado do assunto e visto n&#227;o ser bem como se passa no imagin&#225;rio popular, as cerim&#244;nias sacrificiais n&#227;o deixam de ser sangrentas, sobretudo nos ritos de inicia&#231;&#227;o, onde o iniciado &#233; banhado com o sangue de v&#225;rios animais, b&#237;pedes e quadr&#250;pedes, da cabe&#231;a aos p&#233;s, tendo at&#233; de lamber o sangue de seus pesco&#231;os imolados.</p><p>O Professor Agenor Miranda Rocha, uma figura nada desimportante, afirma ser completamente desnecess&#225;rio o sacrif&#237;cio de animais, como bem afirmou no document&#225;rio &#8220;<em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xJfDOGCTfVU">Um vento sagrado</a></em>&#8221;. Diz ele que basta o <em>sangue verde das ervas</em>. O professor Reginaldo Prandi tentou justificar a fala, alegando tratar-se de um grande embate entres os <em>Babalawos </em>e <em>Babalossains. </em>Este &#250;ltimo, no caso, era o sacerd&#243;cio de Professor Agenor, ou seja, um sacerdote de <em>Ossain</em>, o <em>Orix&#225; </em>das folhas. Oras, mas a quest&#227;o n&#227;o &#233; o embate hist&#243;rico, mas afirma&#231;&#227;o de um s&#225;bio segundo a qual &#233; poss&#237;vel abandonar o sacrif&#237;cio de animais. Enfim, dados os argumentos, deixemos a discuss&#227;o para o Candombl&#233;.</p><p>Todas essas oposi&#231;&#245;es resultam frequentemente em um grande n&#250;mero de dissen&#231;&#245;es dentro da religi&#227;o. Filhos brigam com seus pais e v&#227;o para outros terreiros, ou abrem os seus pr&#243;prios, em fen&#244;meno id&#234;ntico ao que se d&#225; entre os protestantes, os quais, diante da m&#237;nima diverg&#234;ncia, correm para abrir seus pr&#243;prios templos e pregar a verdade verdadeira das verdades.</p><p>Essas dissen&#231;&#245;es em nada favorecem a religi&#227;o. Na cren&#231;a de se estar cumprindo corretamente o destino, a pessoa &#233; levada a se distanciar mais e mais da possibilidade de uma tradi&#231;&#227;o. Sim, embora n&#227;o haja uma tradi&#231;&#227;o de fato, nada impede de se cumprir o mandamento de Cristo, apesar de muito longe dele, &#8220;<em>honra teu pai e tua m&#227;e</em>.&#8221; Com o passar dos anos, forma-se uma ancestralidade a qual se possa consultar e que possa servir de aux&#237;lio aos descendentes. Mas bem j&#225; disse Hes&#237;odo na antiguidade:</p><blockquote><p><em>&#8220;v&#227;o desonrar os pais t&#227;o logo estes envelhe&#231;am e v&#227;o censur&#225;-los, com duras palavras insultando-os; cru&#233;is; sem conhecer o olhar dos deuses e sem poder retribuir aos velhos pais os alimentos&#8221;.</em></p></blockquote><h2>X</h2><p>Portando, chegamos ao fim desta longa an&#225;lise, sem propriamente esgotar o assunto, mas sem d&#250;vida levando o leitor &#224; exaust&#227;o. Voltamos inevitavelmente ao dilema inicial entre o que &#233; o Candombl&#233; e o que deveria ser de fato. A ancestralidade sempre estar&#225; disposta a orientar o caminho dos homens e aqueles que a renegam sempre desconhecer&#227;o suas origens; mal saber&#227;o onde se encontram, logo, n&#227;o saber&#227;o o caminho a se seguir. Dentro do Candombl&#233; existe um dizer que explica as diferen&#231;as entre os terreiros: <em>&#8220;Aqui se ado&#231;a com mel, l&#225; com a&#231;&#250;car&#8221;</em>. O que fica &#233; a inten&#231;&#227;o de se ado&#231;ar. As buscas e as ang&#250;stias humanas sempre permanecer&#227;o; e a solu&#231;&#227;o destes problemas &#233; externa ao homem, exige uma busca. A religi&#227;o que o conduz a afundar-se em si mesmo, afoga-o inevitavelmente e, no fim, pensa como Hes&#237;odo: <em>&#8220;Antes n&#227;o estivesse eu entre os homens da quinta ra&#231;a; mais cedo tivesse morrido ou nascido depois.&#8221;</em></p><p><em><a href="https://clubedeautores.com.br/livros/autores/aldo-dos-santos-dias">Aldo dos Santos Dias</a>.</em></p><p></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Mário Ferreira dos Santos e A Crise do Mundo Moderno]]></title><description><![CDATA[Um mergulho nas reflex&#245;es de M&#225;rio Ferreira dos Santos sobre as for&#231;as que abalam nossa civiliza&#231;&#227;o e a esperan&#231;a de um novo come&#231;o.]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/mario-ferreira-dos-santos-e-a-crise</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/mario-ferreira-dos-santos-e-a-crise</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Wed, 02 Jul 2025 23:30:19 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yxaP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="native-audio-embed" data-component-name="AudioPlaceholder" data-attrs="{&quot;label&quot;:null,&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;00b17ca1-8db5-401f-a196-de6c85629301&quot;,&quot;duration&quot;:7777.28,&quot;downloadable&quot;:false,&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p><em>Palestra &#8220;A Crise do Mundo Moderno&#8221; de M&#225;rio Ferreira dos Santos. Uma das palestras mais essenciais do fil&#243;sofo!</em></p><div><hr></div><h1>&#205;ndice</h1><ul><li><p><strong>Introdu&#231;&#227;o: Mergulhando no Pensamento de M&#225;rio Ferreira dos Santos</strong></p></li><li><p><strong>A Hist&#243;ria N&#227;o &#233; uma Linha Reta, mas um Carrossel de Civiliza&#231;&#245;es</strong></p></li><li><p><strong>A Alma de uma Cultura &#8212; O Papel Fundamental da Religi&#227;o</strong></p></li><li><p><strong>O Jogo de Poder &#8212; A Luta dos Quatro Estratos Sociais</strong></p></li><li><p><strong>Trag&#233;dia Grega vs. Drama Crist&#227;o &#8212; Duas Formas de Encarar a Vida</strong></p></li><li><p><strong>Os V&#237;rus da Decad&#234;ncia &#8212; Como as Culturas Adoecem por Dentro</strong></p></li><li><p><strong>Al&#233;m do Indiv&#237;duo &#8212; A Proposta de um &#8220;Cristianismo de Aqu&#225;rio&#8221;</strong></p></li><li><p><strong>A Convoca&#231;&#227;o Final &#8212; Por que o Brasil Pode Ter a Resposta</strong></p></li></ul><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><h1>Introdu&#231;&#227;o: Mergulhando no Pensamento de M&#225;rio Ferreira dos Santos</h1><p>Poucos pensadores brasileiros se dedicaram com tanto afinco a diagnosticar a alma de seu tempo quanto M&#225;rio Ferreira dos Santos. Em sua palestra &#8220;A Crise do Mundo Moderno&#8221;, ele n&#227;o apenas aponta os sintomas de uma civiliza&#231;&#227;o em conflito, mas tamb&#233;m mergulha nas ra&#237;zes hist&#243;ricas, filos&#243;ficas e espirituais que nos trouxeram at&#233; aqui.</p><p>O que voc&#234; ler&#225; a seguir n&#227;o &#233; apenas um resumo, mas uma disseca&#231;&#227;o das ideias centrais de M&#225;rio. Vamos desempacotar seus conceitos, traduzindo sua densa an&#225;lise para uma linguagem acess&#237;vel, com exemplos e analogias que nos ajudar&#227;o a entender por que, mesmo d&#233;cadas depois, suas palavras ainda ressoam com uma urg&#234;ncia impressionante. Prepare-se para uma viagem profunda pela hist&#243;ria das culturas, pela natureza humana e por uma surpreendente proposta de esperan&#231;a para o futuro.</p><h1>A Hist&#243;ria N&#227;o &#233; uma Linha Reta, mas um Carrossel de Civiliza&#231;&#245;es</h1><p>Para M&#225;rio, a vis&#227;o de que a hist&#243;ria &#233; uma linha reta, sempre progredindo, &#233; uma ilus&#227;o. Em vez disso, ele nos convida a enxerg&#225;-la como uma sucess&#227;o de grandes ciclos culturais.</p><p>Imagine cada grande civiliza&#231;&#227;o &#8212; eg&#237;pcia, chinesa, greco-romana &#8212; como um ser vivo. Ela nasce, cresce, atinge uma fase de maturidade e equil&#237;brio e, inevitavelmente, entra em um processo de decad&#234;ncia at&#233; seu fim. &#201; um padr&#227;o que, segundo o fil&#243;sofo, se repete h&#225; mil&#234;nios. &#8220;Mas o que &#233; ineg&#225;vel &#233; que, se n&#243;s passamos os olhos pelos grandes ciclos culturais conhecidos h&#225; seis mil anos, notamos que realmente assim se deu&#8221; , afirma ele, citando como exemplos o &#8220;mundo eg&#237;pcio&#8221;, o &#8220;mundo hindu&#8221;, o &#8220;mundo chin&#234;s&#8221; e o &#8220;mundo greco-romano&#8221;.</p><p>Essa vis&#227;o, influenciada por pensadores como Oswald Spengler e Arnold Toynbee, &#233; crucial para entendermos o ponto central de sua palestra: o nosso pr&#243;prio ciclo, a civiliza&#231;&#227;o ocidental-crist&#227;, parece estar vivendo essa mesma fase de crise e poss&#237;vel decad&#234;ncia.</p><h1>A Alma de uma Cultura &#8212; O Papel Fundamental da Religi&#227;o</h1><p>O que, ent&#227;o, d&#225; forma e estrutura a cada um desses ciclos? Para M&#225;rio Ferreira dos Santos, a resposta &#233; inequ&#237;voca: a religi&#227;o. Ele argumenta que no cora&#231;&#227;o de toda grande civiliza&#231;&#227;o existe uma &#8220;cosmovis&#227;o&#8221;, uma vis&#227;o de mundo unificada, e essa cosmovis&#227;o &#233; &#8220;sempre fundamentada numa ideia religiosa&#8221;.</p><p>Pense nisso como o sistema operacional de um computador. A religi&#227;o n&#227;o &#233; apenas um &#8220;aplicativo&#8221; dentro da cultura; ela &#233; o c&#243;digo fundamental que define como todas as outras partes (a pol&#237;tica, a arte, a &#233;tica, a sociedade) ir&#227;o funcionar.</p><ul><li><p>A cultura eg&#237;pcia foi estruturada em torno das cren&#231;as de seus sacerdotes.</p></li><li><p>A cultura hindu foi moldada pela vis&#227;o dos br&#226;manes.</p></li><li><p>Nosso ciclo cultural, o ocidental, formou-se em torno da &#8220;concep&#231;&#227;o crist&#227;&#8221;.</p></li></ul><p>Essa cosmovis&#227;o crist&#227;, por sua vez, representou uma ruptura radical com a cultura anterior, a greco-romana. Enquanto os gregos e romanos viam a escravid&#227;o como algo natural e o destino humano como um joguete nas m&#227;os de deuses caprichosos, o cristianismo introduziu a ideia de que &#8220;a pessoa humana tem um valor&#8221; intr&#237;nseco e que o homem &#233; &#8220;um ser livre, que &#233; senhor, tamb&#233;m, do seu destino, pelo menos parcialmente&#8221;.</p><h1>O Jogo de Poder &#8212; A Luta dos Quatro Estratos Sociais</h1><p>Dentro de cada ciclo cultural, M&#225;rio identifica um padr&#227;o de conflito social que se repete de forma consistente. Ele descreve uma divis&#227;o da sociedade em quatro grandes grupos, ou &#8220;estratos&#8221;, que est&#227;o em uma luta constante pelo poder:</p><ol><li><p><strong>O Sacerd&#243;cio:</strong> Os guardi&#245;es da cosmovis&#227;o religiosa e do poder espiritual.</p></li><li><p><strong>A Nobreza:</strong> A classe guerreira e propriet&#225;ria de terras, detentora do poder militar.</p></li><li><p><strong>O Empres&#225;rio Utilit&#225;rio (a Burguesia):</strong> A classe comerciante e produtora, focada na economia.</p></li><li><p><strong>O Servidor:</strong> A vasta massa de trabalhadores e prestadores de servi&#231;o.</p></li></ol><p>A hist&#243;ria desses ciclos &#233; a hist&#243;ria de como o poder transita entre esses grupos, em uma sequ&#234;ncia de &#8220;revolu&#231;&#245;es&#8221;:</p><ul><li><p><strong>Primeira Fase:</strong> O dom&#237;nio &#233; dos <strong>sacerdotes</strong>, que legitimam a ordem social.</p></li><li><p><strong>Primeira Revolu&#231;&#227;o:</strong> A <strong>nobreza</strong>, que j&#225; det&#233;m o poder econ&#244;mico e militar, assume o poder pol&#237;tico e subordina o clero aos seus interesses. M&#225;rio exemplifica com o final da Idade M&#233;dia, quando &#8220;de bispo para cima, s&#243; a nobreza ocupava cargos&#8221;.</p></li><li><p><strong>Segunda Revolu&#231;&#227;o:</strong> O <strong>empres&#225;rio utilit&#225;rio</strong>, ou a burguesia, que enriqueceu com a produ&#231;&#227;o em s&#233;rie para os ex&#233;rcitos dos novos Estados-na&#231;&#227;o, passa a desejar o poder. Atrav&#233;s do poder econ&#244;mico, endividando a nobreza e casando suas filhas com nobres arruinados, ela finalmente assume a hegemonia. Essa &#233; a &#8220;revolu&#231;&#227;o burguesa, que no nosso ciclo tomou o t&#237;tulo de revolu&#231;&#227;o democr&#225;tica&#8221;.</p></li><li><p><strong>Terceira Revolu&#231;&#227;o (A Promessa):</strong> Por fim, surgem agitadores que prometem o poder ao &#250;ltimo estrato, os <strong>servidores</strong>. M&#225;rio cita Marx como o grande proponente dessa ideia com a &#8220;ditadura do proletariado&#8221;. No entanto, ele &#233; c&#233;tico e afirma que, historicamente, a massa nunca assume o poder de fato devido &#224; sua heterogeneidade e despreparo. O que acontece, como no caso bolchevique, &#233; que uma elite, um &#8220;partido&#8221;, toma o poder em nome do proletariado.</p></li></ul><h1>Trag&#233;dia Grega vs. Drama Crist&#227;o &#8212; Duas Formas de Encarar a Vida</h1><p>Uma das distin&#231;&#245;es mais fascinantes que M&#225;rio Ferreira dos Santos faz &#233; entre os conceitos de <em>tr&#225;gico</em> e <em>dram&#225;tico</em>, usando a mentalidade grega como contraponto &#224; crist&#227;.</p><p>Para os gregos, a vida tinha um car&#225;ter <strong>tr&#225;gico</strong>. Por qu&#234;? Porque eles acreditavam que o destino humano estava sujeito &#8220;ao capricho dos deuses&#8221;. Um evento tr&#225;gico era algo fortuito, acidental, uma interfer&#234;ncia externa que mudava tudo. O exemplo de M&#225;rio &#233; claro: um jovem que morre &#8220;na flor da idade, num desastre imprevisto isso &#233; tr&#225;gico. Tr&#225;gico porque foi uma conjun&#231;&#227;o acidental de fatores que geraram aquele efeito&#8221;.</p><p>J&#225; o <strong>dram&#225;tico</strong> &#233; diferente. O drama decorre das nossas pr&#243;prias escolhas, &#233; uma consequ&#234;ncia natural de nossos atos. O exemplo que ele usa &#233; o de um homem que &#8220;constantemente se embriaga e, finalmente, &#233; tomado pelo v&#237;cio, decai e chega aos mais baixos graus que um ser humano pode atingir isso &#233; dram&#225;tico&#8221;.</p><p>A concep&#231;&#227;o crist&#227;, portanto, n&#227;o &#233; tr&#225;gica, mas dram&#225;tica. Ela nos tira da plateia do destino e nos coloca no palco da vida como atores com livre-arb&#237;trio. Nossas a&#231;&#245;es t&#234;m consequ&#234;ncias, e somos parcialmente respons&#225;veis pelo roteiro de nossa pr&#243;pria exist&#234;ncia.</p><h1>Os V&#237;rus da Decad&#234;ncia &#8212; Como as Culturas Adoecem por Dentro</h1><p>Se cada ciclo tem uma cosmovis&#227;o que o une, sua decad&#234;ncia come&#231;a quando essa vis&#227;o &#233; corro&#237;da por dentro. M&#225;rio chama esses elementos de &#8220;fatores corruptivos&#8221;.</p><p>Ele explica que nenhuma cultura &#233; 100% pura; ela sempre carrega resqu&#237;cios de ideias de ciclos anteriores, que atuam como v&#237;rus adormecidos. No nosso ciclo crist&#227;o, por exemplo, as ideias c&#233;ticas e sofistas da decad&#234;ncia grega continuaram a atuar, &#8220;corrompendo o ciclo cultural&#8221;.</p><p>A principal batalha, segundo ele, se d&#225; entre:</p><ul><li><p><strong>O Dogmatismo Positivo:</strong> A caracter&#237;stica do cristianismo em sua origem, que &#8220;aceita princ&#237;pios e afirma, sem trepida&#231;&#227;o do &#226;nimo, com plena convic&#231;&#227;o da sua verdade&#8221;. &#201; uma for&#231;a construtora, que ergueu uma civiliza&#231;&#227;o.</p></li><li><p><strong>O Ceticismo Negativo:</strong> Em oposi&#231;&#227;o, surgem a d&#250;vida, o agnosticismo e o ceticismo, que t&#234;m uma &#8220;fun&#231;&#227;o corruptora&#8221;. Eles n&#227;o constroem, apenas questionam e desfazem as certezas que fundamentam a cultura.</p></li></ul><p>O problema, aponta M&#225;rio com melancolia, &#233; que a destrui&#231;&#227;o &#233; sempre mais f&#225;cil que a constru&#231;&#227;o. &#8220;Esta &#233; a grande desgra&#231;a da humanidade. O erro tem mais facilidade de propagar-se do que a verdade. (...) &#201; mais f&#225;cil destruir do que construir&#8221;.</p><h1>Al&#233;m do Indiv&#237;duo &#8212; A Proposta de um &#8220;Cristianismo de Aqu&#225;rio&#8221;</h1><p>Diante desse quadro de crise, M&#225;rio Ferreira dos Santos apresenta uma sa&#237;da, uma possibilidade de renova&#231;&#227;o que ele chama, simbolicamente, de <strong>&#8220;Cristianismo de Aqu&#225;rio&#8221;</strong>.</p><p>Ele contrap&#245;e duas vis&#245;es:</p><ol><li><p><strong>O Cristianismo de &#8220;Piscis&#8221; (Peixes):</strong> &#201; o cristianismo como o vivemos at&#233; hoje. O peixe (<em>piscis</em>) era um s&#237;mbolo dos primeiros crist&#227;os. Essa forma de cristianismo, segundo M&#225;rio, &#233; &#8220;individualista&#8221;, focada na &#8220;salva&#231;&#227;o pessoal&#8221;.</p></li><li><p><strong>O Cristianismo de &#8220;Aqu&#225;rio&#8221;:</strong> Seria uma nova fase, um cristianismo com um sentido &#8220;mais social&#8221;. Ele n&#227;o anularia a busca individual, mas a complementaria com um foco no &#8220;bem coletivo&#8221;. Seria um cristianismo voltado para a salva&#231;&#227;o &#8220;das coletividades&#8221;, baseado no amor ao pr&#243;ximo e na constru&#231;&#227;o de uma sociedade mais justa e com bem-estar para todos.</p></li></ol><p>Este novo cristianismo n&#227;o seria um convite &#224; ociosidade, que M&#225;rio via como um grande perigo. Pelo contr&#225;rio, exigiria &#8220;do homem trabalho&#8221;, &#8220;aplica&#231;&#227;o intelectual&#8221; e o desenvolvimento de uma vida interior rica para que o progresso material n&#227;o levasse &#224; degenera&#231;&#227;o moral.</p><h1>A Convoca&#231;&#227;o Final &#8212; Por que o Brasil Pode Ter a Resposta</h1><p>No final de sua palestra, M&#225;rio Ferreira dos Santos faz uma convoca&#231;&#227;o surpreendente e cheia de esperan&#231;a, direcionada especificamente ao Brasil. Ele critica duramente o que chama de &#8220;colonialismo passivo&#8221;, a triste tend&#234;ncia brasileira de se desvalorizar e admirar cegamente tudo o que vem de fora.</p><p>Ele nos lembra de nossas capacidades: &#8220;se somos capazes de ganhar chutando bola, porque n&#227;o vamos ganhar de outro modo!&#8221;.</p><p>Mas o seu argumento principal &#233; mais profundo. Para ele, o pr&#243;ximo ciclo cultural, para sobreviver, ter&#225; de ser &#8220;ecum&#234;nico&#8221;, &#8220;universal&#8221;. E que povo estaria mais preparado para liderar essa nova fase? Para M&#225;rio, a resposta &#233; clara: o povo brasileiro.</p><p>Por qu&#234;? Porque o Brasil, como nenhum outro pa&#237;s, &#8220;recebeu os povos de todos os quadrantes do mundo e conseguiu dar uma conviv&#234;ncia entre esses povos a mais harm&#244;nica que se conhece na Hist&#243;ria&#8221;. Essa capacidade de viver o &#8220;equil&#237;brio dentro do heterog&#234;neo&#8221; nos daria a credencial para propor ao mundo uma nova vis&#227;o. Nas palavras vibrantes do fil&#243;sofo:</p><blockquote><p>&#8220;S&#243; este povo poder&#225; lan&#231;ar uma vis&#227;o ecum&#234;nica, uma concep&#231;&#227;o universal, porque qualquer ciclo cultural que se forme hoje no mundo, ele tem que ser ecum&#234;nico (...) E esta realidade s&#243; pode surgir de um povo que j&#225; deu o exemplo hist&#243;rico da compreens&#227;o universal, e esse povo &#233; o povo brasileiro, senhores!&#8221;.</p></blockquote><h1>Conclus&#227;o: Uma Lanterna para o Nosso Tempo</h1><p>A palestra de M&#225;rio Ferreira dos Santos &#233; um mapa complexo da nossa crise, mas tamb&#233;m um farol. Ele nos mostra como as grandes civiliza&#231;&#245;es dan&#231;am ao ritmo de ascens&#227;o e queda, impulsionadas por suas cren&#231;as mais profundas e abaladas por conflitos internos e v&#237;rus ideol&#243;gicos.</p><p>Sua an&#225;lise, embora dura, n&#227;o termina em desespero. Pelo contr&#225;rio, culmina em uma proposta de renova&#231;&#227;o &#8212; o &#8220;Cristianismo de Aqu&#225;rio&#8221; &#8212; e em uma ousada aposta no potencial do Brasil como ber&#231;o de uma nova cultura universal.</p><p>Mais do que respostas prontas, M&#225;rio nos deixa com perguntas fundamentais e um chamado &#224; a&#231;&#227;o: a de ter coragem, de acreditar em nossas possibilidades e de nos engajarmos na constru&#231;&#227;o de um futuro que seja mais do que apenas os escombros do passado. Uma li&#231;&#227;o que permanece vital para quem busca entender n&#227;o apenas a crise do mundo, mas tamb&#233;m o nosso lugar nela.</p><div><hr></div><p><em>Se voc&#234; tem interesse em estudar a obra de M&#225;rio Ferreira e n&#227;o sabe por onde come&#231;ar, quais livros deve ler e n&#227;o tem muito tempo dispon&#237;vel, fa&#231;a parte do nosso grupo de membros, onde temos +40 HORAS de aulas e palestras originais do pr&#243;prio M&#225;rio Ferreira dos Santos, cuidadosamente restauradas e organizadas!<br><br>O QUE VOC&#202; RECEBE:<br>&#8226; Acesso vital&#237;cio ao arquivo digital<br>&#8226; Material complementar exclusivo<br>&#8226; Transcri&#231;&#245;es detalhadas<br>&#8226; Comunidade ativa de estudos<br><br>Por apenas R$40 &#8212; Sem mensalidades!</em></p><p><a href="https://arquivointelectualbrasileiro.github.io/">Clique aqui e inscreva-se</a>.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[003. Vida de Mário Ferreira dos Santos]]></title><description><![CDATA[Ao responder ao inqu&#233;rito do Pe. Stanislavs Ladus&#227;ns, M&#225;rio Ferreira dos Santos revela a origem de sua filosofia e sua audaciosa miss&#227;o de criar um caminho para o pensamento no Brasil.]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/003-vida-de-mario-ferreira-dos-santos</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/003-vida-de-mario-ferreira-dos-santos</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Wed, 25 Jun 2025 23:30:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!yxaP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="native-audio-embed" data-component-name="AudioPlaceholder" data-attrs="{&quot;label&quot;:null,&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;3d553156-346f-4880-9493-f3347e19ca03&quot;,&quot;duration&quot;:3158.4653,&quot;downloadable&quot;:false,&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p><em>Esta grava&#231;&#227;o foi feita pelo pr&#243;prio M&#225;rio Ferreira dos Santos e restaurada pelo Arquivo Intelectual Brasileiro. Nela, ele responde a um inqu&#233;rito que lhe foi feito pelo padre Stanislavs Ladus&#227;ns &#8212; primeiro mestre de Filosofia do professor Olavo de Carvalho &#8212;, fazendo do padre a pedra de toque, o elo que liga os dois maiores fil&#243;sofos do Brasil: M&#225;rio e Olavo.</em></p>
      <p>
          <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/003-vida-de-mario-ferreira-dos-santos">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Brasil, um país fértil para a Filosofia?]]></title><description><![CDATA[A resposta inesperada de um dos maiores pensadores do Brasil sobre o nosso potencial para criar um pensamento universal.]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/brasil-um-pais-fertil-para-a-filosofia</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/brasil-um-pais-fertil-para-a-filosofia</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Fri, 20 Jun 2025 23:01:04 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e24f139f-d884-453c-afd0-5ff84dce16e4_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente, um seguidor me fez uma pergunta que ecoa uma d&#250;vida antiga em muitos de n&#243;s: &#8220;Na Am&#233;rica Latina, existe algum pa&#237;s que tenha um cen&#225;rio favor&#225;vel &#224; Filosofia?&#8221;</p><p>A resposta poderia ser um simples &#8220;n&#227;o&#8221; ou um talvez cheio de ressalvas. No entanto, a mais surpreendente e otimista das respostas veio de um dos maiores fil&#243;sofos que o Brasil j&#225; teve, M&#225;rio Ferreira dos Santos. Para ele, o Brasil n&#227;o apenas possui um cen&#225;rio favor&#225;vel, mas talvez seja a na&#231;&#227;o mais bem preparada do mundo para desenvolver uma filosofia original e de alcance universal.</p><p>Mas por que ele acreditava nisso? M&#225;rio observava que n&#243;s, brasileiros, temos uma vantagem &#250;nica. Por &#8220;vivermos materialmente o universal humano&#8221; e por &#8220;n&#227;o termos compromissos hist&#243;ricos que pesem demasiadamente sobre os nossos ombros, nem tampouco compromissos filos&#243;ficos&#8221;, estar&#237;amos livres para pensar sem as amarras que prendem outras culturas. Essa leveza nos tornaria, segundo ele, um povo especialmente apto para uma filosofia de car&#225;ter &#8220;ecum&#234;ncio&#8221;, ou seja, uma que &#8220;corresponda ao verdadeiro sentido com que ela foi criada desde o in&#237;cio<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>&#8221;, capaz de unir o pensamento que se fragmentou no &#8220;campo j&#225; esgotado do pensamento europeu&#8221;.</p><p>Essa vis&#227;o n&#227;o era ing&#234;nua. M&#225;rio conhecia bem as nossas contradi&#231;&#245;es. Ele se lembrava de um professor alem&#227;o que, em uma confid&#234;ncia, descreveu o aluno brasileiro como &#8220;o aluno mais vivo, mais inteligente, mais sagaz no racioc&#237;nio, e de mais profundas intui&#231;&#245;es que conhecera&#8221;. Contudo, o mesmo mestre apontava nossa maior fraqueza: &#233;ramos &#8220;demasiadamente inquietos e desequilibrados quanto ao conhecimento&#8221;. O pr&#243;prio M&#225;rio atribu&#237;a parte desse desequil&#237;brio ao nosso pendor para o autodidatismo, algo que, paradoxalmente, ele tamb&#233;m admirava, notando que muitos grandes criadores da hist&#243;ria seguiram esse caminho.</p><p>O maior obst&#225;culo, no entanto, n&#227;o era a nossa inquietude, mas um mal que ele chamou de &#8220;colonialismo passivo&#8221; : a tend&#234;ncia de desacreditar em nossos pr&#243;prios intelectuais, dando valor apenas ao que vem de fora. Ele viveu isso na pele. Certa vez, um conferencista elogiava calorosamente o autor de um dos livros de M&#225;rio, pensando tratar-se de um estrangeiro. Ao descobrir que o autor era, na verdade, um brasileiro, seu entusiasmo murchou visivelmente. Essa atitude, lamentava M&#225;rio, resultou na &#8220;destrui&#231;&#227;o de muitos valores que n&#227;o encontraram em sua p&#225;tria o apoio que mereciam&#8221;<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a>.</p><h2><strong>Construindo uma Nova Cultura: Como a Filosofia de M&#225;rio Pode Vencer a Ignor&#226;ncia</strong></h2><p>Diante do cen&#225;rio de degrada&#231;&#227;o intelectual que tanto nos assola, a obra de M&#225;rio Ferreira dos Santos surge como o &#8220;alicerce de uma nova cultura brasileira&#8221;. Mas como, na pr&#225;tica, seus conhecimentos podem nos erguer?</p><p>A resposta est&#225; em sua pr&#243;pria filosofia, que &#233;, antes de tudo, uma ferramenta para nos ensinar a pensar corretamente e a construir, em vez de destruir.</p><ol><li><p><strong>Trocando a Opini&#227;o pela Verdade:</strong> A ignor&#226;ncia floresce no reino da opini&#227;o superficial (a &#8220;doxa&#8221;, como diziam os gregos). M&#225;rio combatia isso com uma filosofia rigorosa, onde a &#8220;&#250;nica autoridade na Filosofia &#233; a demonstra&#231;&#227;o&#8221;. Ele defendia um conhecimento fundamentado em ju&#237;zos necess&#225;rios e universalmente v&#225;lidos, que nos permite discernir &#8220;o grande do pequeno, o verdadeiro do falso, o certo do errado&#8221;. Ao nos armar com essa exig&#234;ncia de rigor, ele nos protege do &#8220;turismo intelectual&#8221; e das narrativas vazias.</p></li><li><p><strong>Superando a Vis&#227;o Fragmentada:</strong> A ignor&#226;ncia moderna &#233;, muitas vezes, a ignor&#226;ncia do especialista, que sabe tudo sobre um ponto e nada sobre o todo. A obra de M&#225;rio, especialmente sua <em>Enciclop&#233;dia</em>, &#233; o ant&#237;doto perfeito para isso. Ela oferece uma &#8220;vis&#227;o panor&#226;mica&#8221;, uma &#8220;vis&#227;o geral do mundo (cosmovis&#227;o)&#8221; que conecta todos os saberes, da F&#237;sica &#224; Metaf&#237;sica, da Economia &#224; Arquitetura. Ter essa vis&#227;o do todo &#233; o que nos permite formular julgamentos maduros e escapar das armadilhas da especializa&#231;&#227;o cega.</p></li><li><p><strong>Construindo a Partir do Positivo:</strong> Enquanto a cr&#237;tica vazia e o negativismo apenas corroem, a filosofia de M&#225;rio &#233; &#8220;<a href="https://www.instagram.com/p/DKsEP0uAqv0/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA==">positiva e concreta</a>&#8221;. Ela &#8220;parte e permanece na afirma&#231;&#227;o, no que constr&#243;i&#8221;. &#201; um pensamento &#8220;ecum&#234;nico&#8221;, que busca reter o que h&#225; de positivo nas diversas escolas filos&#243;ficas. Adotar essa atitude &#233; come&#231;ar a edificar uma cultura, e n&#227;o apenas a lamentar suas ru&#237;nas.</p></li><li><p><strong>Come&#231;ando por N&#243;s Mesmos:</strong> A grande mudan&#231;a cultural, para M&#225;rio, deveria come&#231;ar &#8220;em n&#243;s&#8221;. Ele nos convida a uma jornada de autoconhecimento e supera&#231;&#227;o pessoal. Aconselhava o estudo da pr&#243;pria caracterologia, pois &#8220;ela nos ajuda a vencer os nossos defeitos&#8221;. Ele mesmo afirmava ter corrigido suas falhas atrav&#233;s da vontade e do conhecimento de si. Uma cultura s&#243;lida s&#243; pode ser erguida por indiv&#237;duos s&#243;lidos, e a filosofia dele &#233; um guia para essa constru&#231;&#227;o interior.</p></li></ol><p>A grande miss&#227;o de M&#225;rio foi nos dar as ferramentas para essa reconstru&#231;&#227;o. E se voc&#234; pudesse ouvir esse gigante do pensamento com a pr&#243;pria voz?</p><p>A obra de M&#225;rio Ferreira dos Santos n&#227;o &#233; apenas para ser lida, mas vivida. Ele mesmo gravou um vasto acervo de aulas e palestras, um tesouro que por muito tempo permaneceu inacess&#237;vel. Realizei um trabalho minucioso de restaura&#231;&#227;o manual de todo esse material, sem aux&#237;lio de intelig&#234;ncias artificiais, para preservar a pureza de seu pensamento. Hoje, esse acervo, acompanhado de transcri&#231;&#245;es e de alguns de seus livros restaurados, est&#225; dispon&#237;vel a todos que tenham sede de sabedoria. &#201; um convite para mergulhar diretamente na mente de M&#225;rio e despertar a sua pr&#243;pria &#8220;capacidade criadora&#8221;.</p><p><strong><a href="https://arquivointelectualbrasileiro.github.io/">Clique aqui para conhecer o Arquivo Intelectual Brasileiro e ter acesso &#224; obra completa de M&#225;rio Ferreira dos Santos.</a></strong></p><p>Estudar M&#225;rio Ferreira dos Santos &#233; mais do que um exerc&#237;cio intelectual; &#233; um ato de resist&#234;ncia cultural. &#201; resgatar o senso das propor&#231;&#245;es e se comprometer com a busca pela verdade. Ele sonhava com um Brasil onde sua obra se tornaria o &#8220;alicerce de uma nova cultura brasileira&#8221;. Talvez, a resposta &#224;quela pergunta inicial n&#227;o seja apenas afirmativa, mas um chamado. Um chamado para que n&#243;s, brasileiros, finalmente abracemos o nosso potencial e assumamos a tarefa de construir esse edif&#237;cio.</p><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p>M&#225;rio Ferreira dos Santos via o &#8220;verdadeiro sentido&#8221; da filosofia como uma busca incans&#225;vel, rigorosa e objetiva pela verdade universal e perene, que integra e sintetiza os diversos saberes, superando a superficialidade, o subjetivismo e o relativismo, e que remonta ao ideal pitag&#243;rico da sabedoria como um caminho ascendente e construtivo em dire&#231;&#227;o ao conhecimento dos princ&#237;pios e leis eternas que regem a realidade. Ele acreditava que o Brasil tinha condi&#231;&#245;es &#250;nicas para desenvolver uma filosofia com esse car&#225;ter ecum&#234;nico e universalizante, justamente por n&#227;o ter os mesmos &#8220;compromissos hist&#243;ricos e filos&#243;ficos&#8221; que pesavam sobre outras culturas</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p>A passagem descreve uma situa&#231;&#227;o que M&#225;rio Ferreira dos Santos experimentou pessoalmente, que ilustra o <strong>preconceito cultural</strong> predominante no Brasil de sua &#233;poca. Havia uma &#8220;m&#225; vontade&#8221; por parte dos editores e de muitos intelectuais que acreditavam que o brasileiro n&#227;o lia filosofia e, mais ainda, que um brasileiro n&#227;o era capaz de escrever obras filos&#243;ficas de qualidade.</p><p>Para enfrentar essa realidade e testar a receptividade do p&#250;blico, M&#225;rio Ferreira dos Santos utilizou <strong>cerca de quinze pseud&#244;nimos</strong>, muitos deles estrangeiros, para lan&#231;ar suas obras. Seus livros publicados sob esses nomes alcan&#231;aram grande sucesso de vendas. O incidente com o conferencista, que elogiava calorosamente a obra de um suposto autor estrangeiro mas murchava ao descobrir que era de um brasileiro, evidencia essa <strong>atitude colonialista</strong> e a subordina&#231;&#227;o ao pensamento estrangeiro que M&#225;rio combatia. Ele, ent&#227;o, decidiu em 1952, apesar das previs&#245;es de fracasso, publicar seus livros com o pr&#243;prio nome, obtendo um &#234;xito &#8220;extraordin&#225;rio&#8221; e provando que &#8220;o brasileiro tamb&#233;m quer saber, que o brasileiro tamb&#233;m pensa, que o brasileiro tamb&#233;m l&#234; filosofia&#8221;.</p><p></p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[002. Vida de Mário Ferreira dos Santos]]></title><description><![CDATA[A hist&#243;ria do pensador que recusou a mediocridade e o dinheiro f&#225;cil para dedicar a vida a um ideal: construir uma cultura acess&#237;vel para todos os brasileiros.]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/002-vida-de-mario-ferreira-dos-santos</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/002-vida-de-mario-ferreira-dos-santos</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Wed, 18 Jun 2025 23:30:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe744e7ea-f3f6-4b81-84c6-d4d767766cf0_564x814.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><em>Se voc&#234; tem interesse em estudar a obra de M&#225;rio Ferreira e n&#227;o sabe por onde come&#231;ar, quais livros deve ler e n&#227;o tem muito tempo dispon&#237;vel, clique no bot&#227;o abaixo e tenha acesso a um guia completo da obra de M&#225;rio Ferreira dos Santos</em> &#8595;</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.github.io/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;QUERO SABER MAIS SOBRE ESSE GUIA&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://arquivointelectualbrasileiro.github.io/"><span>QUERO SABER MAIS SOBRE ESSE GUIA</span></a></p><div><hr></div><h1>Sum&#225;rio</h1><ul><li><p><strong>Porto Alegre: Um Per&#237;odo de Transi&#231;&#227;o e Descobertas</strong></p></li><li><p><strong>S&#227;o Paulo: A Conquista do Mercado Editorial Brasileiro</strong></p></li><li><p><strong>Um Professor Incans&#225;vel: A Miss&#227;o de Despertar Mentes</strong></p></li><li><p><strong>A Quest&#227;o Libert&#225;ria: Em Defesa da Liberdade Humana</strong></p></li><li><p><strong>O Pensamento Filos&#243;fico: Construindo uma Nova Vis&#227;o de Mundo</strong></p></li><li><p><strong>Os &#218;ltimos Anos e o Legado: A Descoberta de um Gigante</strong></p></li></ul><p></p><h1>Porto Alegre: Um Per&#237;odo de Transi&#231;&#227;o e Descobertas</h1><p>Ap&#243;s perder uma s&#243;lida posi&#231;&#227;o econ&#244;mica, M&#225;rio Ferreira dos Santos mudou-se para Porto Alegre, iniciando uma nova e desafiadora etapa de sua vida. Foi nesse per&#237;odo de dificuldades que o amigo Eliezer Demenezes o acolheu e o introduziu nos c&#237;rculos intelectuais da cidade, apresentando-o aos diretores da Livraria do Globo. Ali, ele conheceu figuras proeminentes como <a href="https://amzn.to/4k1hCrj">M&#225;rio Quintana</a>, <a href="https://amzn.to/440tqUF">&#201;rico Ver&#237;ssimo</a> e Athos Damasceno Ferreira.</p><p>Entre 1943 e 1944, a Livraria do Globo o contratou para a tradu&#231;&#227;o de obras monumentais, como <em><a href="https://amzn.to/4jX5SWP">Vontade de Pot&#234;ncia</a></em> de Nietzsche, <em><a href="https://amzn.to/4lb8AsK">Pensamentos</a></em> de Pascal e <em>A <a href="https://amzn.to/440piUM">Fisiologia do Casamento</a></em> de Balzac. Foi nessa &#233;poca que nasceu seu grande sonho: redigir um dicion&#225;rio de filosofia, um projeto que ele finalmente publicaria em 1963.</p><p>Seu profundo interesse por Friedrich Nietzsche, que o acompanharia por toda a vida, nasceu de uma forma curiosa. Em meio a uma discuss&#227;o, M&#225;rio referiu-se ao fil&#243;sofo alem&#227;o como um &#8220;louco&#8221;. Seu interlocutor, surpreso, perguntou se ele ao menos o havia lido. Diante da negativa, foi aconselhado a primeiro conhecer a obra para depois tecer uma cr&#237;tica. M&#225;rio seguiu o conselho, e sua opini&#227;o mudou completamente. Este epis&#243;dio, ocorrido por volta de 1935, forjou nele um princ&#237;pio fundamental: <em>nunca mais se referir a um autor sem antes ler sua obra, de prefer&#234;ncia no original</em>. Ele percebeu que as tradu&#231;&#245;es e os cr&#237;ticos muitas vezes distorcem o pensamento original, uma constata&#231;&#227;o que se aprofundou quando ele mesmo se tornou tradutor.</p><p>A tradu&#231;&#227;o do t&#237;tulo <em>Der Wille zur Macht</em> para <em>Vontade de Pot&#234;ncia</em>, e n&#227;o a literal <em>A Vontade para o Poder</em>, gerou controv&#233;rsias, mas M&#225;rio justificou sua escolha no pref&#225;cio da obra. A dificuldade com a l&#237;ngua alem&#227;, que aprendera no gin&#225;sio, n&#227;o foi um obst&#225;culo; ele recome&#231;ou os estudos com um professor particular para garantir a fidelidade de suas tradu&#231;&#245;es.</p><p>Ainda em Porto Alegre, escreveu o ensaio filos&#243;fico <em>Homem, animal que interroga</em>. A Livraria do Globo, contudo, exigiu que a obra passasse pelo crivo de intelectuais. Um deles decretou que o livro seria um fracasso, afirmando que &#8220;brasileiro n&#227;o l&#234; filosofia&#8221;. Determinado a provar o contr&#225;rio, M&#225;rio decidiu que publicaria a obra por conta pr&#243;pria, o que fez anos mais tarde sob o pseud&#244;nimo de Dan Andersen e com o novo t&#237;tulo de <em>Se a Esfinge Falasse</em>. Foi essa percep&#231;&#227;o, a de que na capital ga&#250;cha n&#227;o conseguiria publicar suas obras filos&#243;ficas, que o impulsionou a buscar novos horizontes em S&#227;o Paulo.</p><h1>S&#227;o Paulo: A Conquista do Mercado Editorial Brasileiro</h1><p>Em 1945, M&#225;rio fixou resid&#234;ncia em S&#227;o Paulo, onde o mercado editorial se mostrava mais promissor. Ap&#243;s uma breve passagem pela Editora Flama, assumiu a dire&#231;&#227;o da se&#231;&#227;o editorial da Editora e Distribuidora Sagit&#225;rio. L&#225;, publicou uma vasta quantidade de livros, muitos de sua pr&#243;pria autoria, sob diversos pseud&#244;nimos como Max Sanders, Charles Duclos e Dan Andersen, para preencher o cat&#225;logo das cole&#231;&#245;es.</p><p>Apesar do trabalho intenso, as dificuldades financeiras eram grandes. Para suprir essa car&#234;ncia, ele iniciou a inovadora cole&#231;&#227;o &#8220;Cultura para Milh&#245;es&#8221;, uma esp&#233;cie de &#8220;imita&#231;&#227;o &#224; brasileira&#8221; dos <em>pocket books</em>. Publicados em papel-jornal e com acabamento simples pela Editora Edigraf, os livros podiam ser vendidos a pre&#231;os acess&#237;veis, democratizando o acesso ao conhecimento.</p><p>Nesse per&#237;odo, uma proposta tentadora surgiu: um executivo de uma firma cinematogr&#225;fica norte-americana ofereceu-lhe um emprego bem remunerado para escrever roteiros de filmes. M&#225;rio recusou. Sua justificativa revela o cerne de sua filosofia de vida:</p><blockquote><p>&#8220;...Sei que no mundo dos neg&#243;cios poderia eu ter um destino melhor. Mas sou daqueles poucos e raros que valorizam o ser e n&#227;o o ter.&#8221;</p></blockquote><p>Ele jamais quis se vincular a grupos ou fac&#231;&#245;es para n&#227;o comprometer sua independ&#234;ncia intelectual. Rejeitou propostas para escrever livros de valor duvidoso em troca de ganhos f&#225;ceis, como desabafou em uma carta:</p><blockquote><p>&#8220;Minha situa&#231;&#227;o [...] era desesperadora. Estava &#224;s portas de escravizar-me para o resto da vida a um homem, comerciante, frio, calculista, vantagista, que, aproveitando-se da minha situa&#231;&#227;o, impunha-me a escravid&#227;o [...] atrav&#233;s de um contrato em que deveria escrever, com pseud&#244;nimos v&#225;rios, livros med&#237;ocres para que ele editasse. Voc&#234; sabe qu&#227;o afrontoso para mim seria isso! Voc&#234; sabe que ideal de cultura tenho eu, quanto desejo poder contribuir, na medida de minhas for&#231;as, pela cultura de nossa gente.&#8221;</p></blockquote><p>A vontade de ter sua pr&#243;pria editora era a &#250;nica sa&#237;da, mas faltava-lhe o capital. A narrativa de sua primeira entrevista com um grande editor paulista tornou-se emblem&#225;tica de sua luta. O editor, embora educado, deu a entender que era um absurdo editar filosofia num &#8220;pa&#237;s de analfabetos&#8221; e disse francamente:</p><blockquote><p>&#8220;O Sr., para editar um livro de filosofia no Brasil, precisa ter muito dinheiro, porque tem que financiar a obra. Depois, o Sr. n&#227;o tem leitores; se conseguir vender algum exemplar, ser&#225; a custo de uma publicidade muito grande, porque n&#227;o h&#225; leitores.&#8221;</p></blockquote><p>A resposta de M&#225;rio foi um desafio lan&#231;ado a si mesmo: &#8220;Pois vou fazer uma experi&#234;ncia com o meu pr&#243;prio esfor&#231;o&#8221;. E ele fez. Fundou uma editora &#8220;sem um tost&#227;o de capital&#8221;, usando apenas o cr&#233;dito, e pagou a primeira edi&#231;&#227;o em 30 dias, muito antes do vencimento de 90 dias. Sem publicidade e sem pedir favores, ele confiou no leitor brasileiro:</p><blockquote><p>&#8220;Aguardei apenas que o povo brasileiro tomasse o meu livro, o lesse e fizesse a propaganda por si pr&#243;prio. E fez. E as minhas obras venderam. Eu editei oitenta e tantos livros em quatorze anos, com cerca de trezentas edi&#231;&#245;es.&#8221;</p></blockquote><p>Em 1953, fundou a Livraria e Editora Logos, cujo prop&#243;sito era claro: &#8220;publicar apenas obras culturais&#8221;. Para contornar a m&#225; vontade das livrarias em vender filosofia, ele criou um sistema pioneiro de venda a credi&#225;rio, de porta em porta. Contra todas as previs&#245;es de fracasso, a iniciativa foi um sucesso, permitindo reedi&#231;&#245;es em poucos anos e difundindo a cultura por todo o interior do pa&#237;s.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">O Substack do Arquivo &#233; mantido pelos leitores assinantes. 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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Filosofia Positiva e Concreta de Mário Ferreira]]></title><description><![CDATA[Um m&#233;todo seguro para o estudo e para a restaura&#231;&#227;o cultural do Brasil]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-filosofia-positiva-e-concreta-de</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-filosofia-positiva-e-concreta-de</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Wed, 11 Jun 2025 23:30:43 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a1f107f7-7c01-445f-8771-65561aa57ec2_1200x1060.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A <em>Filosofia Positiva e Concreta</em> de M&#225;rio Ferreira dos Santos &#233; como um majestoso farol em meio &#224; n&#233;voa das incertezas do pensamento contempor&#226;neo. Ela surge como uma proposta ambiciosa para ancorar o conhecimento em fundamentos inabal&#225;veis, oferecendo uma b&#250;ssola para a alma humana em tempos de vacila&#231;&#227;o. Vamos desvendar essa filosofia com exemplos pr&#225;ticos.</p><h2><strong>O que significa &#8220;Positiva&#8221;?</strong></h2><p>Para M&#225;rio Ferreira, &#8220;positiva&#8221; n&#227;o &#233; o positivismo de Auguste Comte<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>, que tende a limitar o conhecimento ao emp&#237;rico e descartar a metaf&#237;sica. Ao contr&#225;rio, &#8220;positiva&#8221; aqui quer dizer &#8220;da afirma&#231;&#227;o&#8221;. &#201; uma filosofia que se prop&#245;e a buscar e a construir tudo aquilo que pode ser legitimamente afirmado sobre a realidade. Ela se op&#245;e vigorosamente ao negativismo, ao ceticismo, ao niilismo, ao abstracionismo e ao &#8220;desesperismo&#8221;.</p><p>Imagine que voc&#234; est&#225; estudando v&#225;rias teorias sobre como construir uma ponte. Uma filosofia negativista poderia focar em todas as falhas e colapsos de pontes na hist&#243;ria, levando ao ceticismo sobre a engenharia. A Filosofia Positiva de M&#225;rio, por outro lado, se debru&#231;aria sobre os princ&#237;pios de engenharia que funcionaram em todas as pontes bem-sucedidas, buscando as &#8220;positividades&#8221; &#8212; os conhecimentos e verdades que foram &#8220;postos&#8221; e afirmados por s&#233;culos, mesmo que n&#227;o explicitamente declarados por todos os engenheiros. &#201; a busca pelo que constr&#243;i e eleva, e n&#227;o pelo que nega e destr&#243;i.</p><h2><strong>E o que significa &#8220;Concreta&#8221;?</strong></h2><p>&#8220;Concreta&#8221; para M&#225;rio n&#227;o se refere apenas ao que &#233; captado pelos sentidos, no sentido &#8220;vulgar&#8221; ou &#8220;f&#237;sico&#8221; do termo. Etimologicamente, <em>concretum</em> vem de &#8220;crescer com&#8221;. A Filosofia Concreta evita abstra&#231;&#245;es vazias e busca a realidade em sua totalidade, conectando todos os aspectos de um problema ou ser para lhes dar uma unidade superior. Ela se aprofunda na estrutura ontol&#243;gica das coisas<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a>.</p><p>Para entender uma planta de forma &#8220;concreta&#8221;, por exemplo, voc&#234; n&#227;o a veria apenas como uma folha isolada, que seria uma abstra&#231;&#227;o simples. Voc&#234; a compreenderia como um todo: a semente que deu origem, as ra&#237;zes que a nutrem no solo, o caule, as folhas, as flores, e como ela se relaciona com a luz do sol, a &#225;gua, o ar e o solo. Ela &#233; vista como &#8220;crescendo com&#8221; todos esses elementos e processos que a condicionam e a constituem em sua realidade plena. &#201; a busca pela conex&#227;o entre o espec&#237;fico e as leis da ontologia.</p>
      <p>
          <a href="https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/a-filosofia-positiva-e-concreta-de">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Walt Disney, O Descortinador de um Novo Mundo]]></title><description><![CDATA[Um ensaio de M&#225;rio Ferreira dos Santos sobre Walt Disney]]></description><link>https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/walt-disney-o-descortinador-de-um</link><guid isPermaLink="false">https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/p/walt-disney-o-descortinador-de-um</guid><dc:creator><![CDATA[Arquivo Intelectual Brasileiro]]></dc:creator><pubDate>Wed, 11 Jun 2025 23:00:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZhOi!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F95a5ad7c-5e10-4f06-adfc-0de9638e8f2c_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><em>Este ensaio foi retirado do livro rec&#233;m editado pelo Arquivo Intelectual Brasileiro: A Arte e a Vida, de M&#225;rio Ferreira dos Santos.</em></p><p><em>Se voc&#234; tem interesse em estudar a obra de M&#225;rio Ferreira e n&#227;o sabe por onde come&#231;ar, quais livros deve ler e n&#227;o tem muito tempo dispon&#237;vel, clique no bot&#227;o abaixo e conhe&#231;a o projeto Acervo Filos&#243;fico M&#225;rio Ferreira &#8595;</em></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.github.io/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;QUERO CONHECER O PROJETO&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://arquivointelectualbrasileiro.github.io/"><span>QUERO CONHECER O PROJETO</span></a></p><p></p><div><hr></div><h1>&#8220;<a href="https://amzn.to/4jPBUUo">Walt Disney</a>, O Descortinador de um Novo Mundo&#8221;, ensaio de MFS</h1><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZhOi!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F95a5ad7c-5e10-4f06-adfc-0de9638e8f2c_1024x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZhOi!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F95a5ad7c-5e10-4f06-adfc-0de9638e8f2c_1024x1024.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZhOi!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F95a5ad7c-5e10-4f06-adfc-0de9638e8f2c_1024x1024.png 848w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Muito fofo!</em></figcaption></figure></div><p>H&#225; uma afirma&#231;&#227;o aparentemente banal e que encerra uma grande verdade: &#8220;A maior revela&#231;&#227;o do cinema sonoro &#233; Walt Disney&#8221;.</p><p>Disney iniciou com a cria&#231;&#227;o do Camondongo Mickey. Express&#227;o comum do homem simples que leva pacotinhos para casa, que n&#227;o se esquece da sobremesa para a fam&#237;lia, que pratica satisfeito uma boa a&#231;&#227;o... e que recebe, o mais das vezes, a paga ingrata dos outros e do mundo. Pequeno burgu&#234;s que esconde atr&#225;s da sua concep&#231;&#227;o da vida toda a trag&#233;dia da pr&#243;pria vida. Olhar daqueles que n&#227;o querem ver nada al&#233;m da paisagem. Voc&#234; j&#225; viu, caro leitor, quantos Camondongos Mickeys, travestidos de gente por a&#237;?</p><p>Pato Donald &#8212; homem atarefado, brigalh&#227;o, mais explosivo que realizador, que fala muito, neurast&#234;nico<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>, rixento, agitado. S&#227;o aqueles que se levantam de manh&#227; de mau humor, que batem com o tornozelo no p&#233; da cama, que trope&#231;am na soleira da porta, que escorregam nos assoalhos lisos, que se esbarram na gente que passa, que n&#227;o conseguem ler um jornal direito sem que o vento atrapalhe, que se esquecem da chave da porta da rua, que n&#227;o encontram lugar no bonde, que nunca tiram um pr&#234;mio menor da loteria. Aquele olhar simuladamente feroz de simples pato, aquela voz grasnada, n&#227;o viu nem ouviu por a&#237;, claro leitor? Quantas vezes?</p><p>Walt Disney &#233; um humanizador das coisas e dos seres. Ele sabe dar express&#245;es e sentimentos humanos a uma &#225;rvore, a uma cadeira, a uma porta. Ele faz a pedra falar a linguagem dos homens. Compreende o amor das coisas, as suas trag&#233;dias, as suas longas interroga&#231;&#245;es humanizadas.</p><p>Nas suas sinfonias coloridas n&#227;o pinta o universo com as cores que tem, mas que deveriam ter. Ele d&#225; uma atmosfera humana ao mundo. Humaniza o mundo. Ele nos aproxima mais da natureza e a natureza mais de n&#243;s. Nas suas f&#225;bulas complementa o que La Fontaine, Esopo e Florian nunca poderiam fazer. Walt Disney &#233; um Florian bem s&#233;culo vinte. Perdoe-me leitor, mas a defini&#231;&#227;o ainda n&#227;o est&#225; completa. Walt Disney n&#227;o &#233; s&#243; isso porque &#233; precisamente muito mais.</p><p>Permita-me uma viagenzinha atrav&#233;s da pintura e atrav&#233;s dos tempos.</p><p>Quando o homem come&#231;ou a fugir dos espa&#231;os estreitos que a primitividade geogr&#225;fica cingia aos horizontes pr&#243;ximos, como uma interpreta&#231;&#227;o euclidiana do mundo, p&#244;s-se a alargar os olhos atrav&#233;s das lonjuras em busca da infinitude dos espa&#231;os. A evolu&#231;&#227;o da marcha humana pode-se mesmo definir nessa orienta&#231;&#227;o para os longes. J&#225; o aspecto ecum&#234;nico, inaugurado com a vit&#243;ria do cristianismo sobre o mundo pag&#227;o, deu uma nova alma volvida para as lonjuras. Os limites estabelecidos pelo mundo e pelas coisas n&#227;o impediam que os olhos fugissem &#224; bitola dos sentidos em busca do infinito...</p><p>E a pintura n&#227;o podia, naturalmente, escapar a essa lei. Inaugura-se com o Renascimento uma vis&#227;o mais ampla. &#201; sobre o ideal dessa vis&#227;o mais larga que os sentidos podem oferecer, que gravita quase toda a nossa evolu&#231;&#227;o pict&#243;rica. N&#227;o que deixassem de existir aqueles que se prendiam ao ideal apol&#237;neo<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a> das formas definidas, coisas separadas do espa&#231;o. Mas os nomes que brilharam durante os s&#233;culos quinze, dezesseis e dezessete, n&#227;o &#8220;podiam&#8221; mais se prender &#224; limita&#231;&#227;o dos contornos definidos.</p><p>A pintura a &#243;leo, iniciada por Van Dyck, teve uma vida de grandes possibilidades por um s&#233;culo e meio. Em plena madurez do s&#233;culo dezessete os grandes nomes come&#231;am a escassear depois da morte de Franz Hals, Rembrandt, Velasquez, Murillo, Ruysdael, etc.</p><p>Ap&#243;s o desaparecimento desses grandes nomes, h&#225; um estancamento da pintura a &#243;leo e a fresco. E todas as manifesta&#231;&#245;es futuras, como o impressionismo inaugurado por Manet, s&#227;o mais um movimento em busca de outras formas que a cria&#231;&#227;o de um mundo novo, de uma nova veia de possibilidades. A pintura estreitava-se entre duas dimens&#245;es. Que grandes nomes, fora das escolas de vida restringida, apareceram depois que pudessem empalidecer os do s&#233;culo dezessete?</p><p>Walt Disney aparece nesse momento de estancamento. N&#227;o representa ainda uma defini&#231;&#227;o, mas um vir-a-ser. Estabelece agora um ponto de partida. Para mim: um novo veio. Defino assim os est&#225;dios da pintura, dialeticamente:</p><ul><li><p><strong>Tese</strong>: Express&#227;o art&#237;stica humanizada do Cosmos. Ex. Realismo, naturalismo, etc...</p></li><li><p><strong>Ant&#237;tese</strong>: Express&#227;o extra-humana do Cosmos. Ex.: Surrealismo, dada&#237;smo, ultra&#237;smo, etc.</p></li><li><p><strong>S&#237;ntese</strong>: Express&#227;o art&#237;stica extra-humana do Cosmos humanizado. Ex.: Walt Disney.</p></li></ul><p>Walt Disney &#233; para mim, n&#227;o s&#243; a maior revela&#231;&#227;o do cinema, mas tamb&#233;m uma grande revela&#231;&#227;o do nosso s&#233;culo. Eu vi em sua &#8220;Branca de Neve&#8221;, em seu &#8220;Velho Moinho&#8221; n&#227;o simples desenhos, mas uma nova afirma&#231;&#227;o da pintura. Depois de um patamar de dois s&#233;culos e meio em que a pintura parara em sua linha ascendente e percorreu essa longa horizontal, Walt Disney abre um novo caminho para a arte da forma. &#201; a pintura movimento. &#201; a pintura m&#250;sica. &#201; a pintura multidimensional. N&#227;o &#233; mais a linear esgotada dos grandes mestres como Velasquez, Rubens, Goya.</p><p>Walt Disney afirma uma esperan&#231;a, digo estabelece uma certeza. E ele pode gritar ao mundo: </p><p>&#8220;N&#227;o, a pintura ainda n&#227;o est&#225; esgotada! A arte ainda n&#227;o morreu. A&#237; tendes a minha obra. Vamos, podeis rir das situa&#231;&#245;es c&#244;micas que descrevo, podeis admirar o colorido que derramo nas minhas cenas; podeis sentir a alma e a vida dos seres aos quais dou vida e dou alma. Mas olhai bem, olhai bem que a minha arte ainda encerra alguma coisa de maior. Alguma coisa que eu talvez n&#227;o chegue mesmo a atingir; uma nova possibilidade para a pintura e para a arte. Outros poder&#227;o continuar a minha obra. Realiz&#225;-la mais alta e mais possante. Olhai bem, que vereis muito mais do que os vossos sentidos vos permitem ver&#8221;.</p><p>E Walt Disney poderia falar assim nesse estilo, nessa mesma linguagem, porque os g&#234;nios podem falar assim.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://arquivointelectualbrasileiro.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este texto foi publicao gra&#231;as aos assinantes da <em>newsletter</em>. 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Hoje, os sintomas atribu&#237;dos &#224; neurastenia s&#227;o geralmente associados a transtornos como <strong>depress&#227;o, transtorno de ansiedade generalizada ou s&#237;ndrome da fadiga cr&#244;nica</strong>.</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p><strong>Ideal apol&#237;neo</strong>: princ&#237;pio est&#233;tico que valoriza a <strong>raz&#227;o, a ordem e a harmonia</strong>; expressa-se em formas claras, proporcionais e contidas, contrapondo-se ao &#237;mpeto ca&#243;tico do dionis&#237;aco.</p><div><hr></div><p><em>Se voc&#234; ficou interessado em Walt Disney e deseja conhec&#234;-lo melhor, <a href="https://amzn.to/4jPBUUo">adquira esta biografia</a> sensacional a respeito deste homem incr&#237;vel, a quem M&#225;rio teceu belos elogios nesse ensaio.</em></p></div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>